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A Caminhada no Google Maps

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 31 Maio 2008

Kawasaki’s fertility festival

Publicado em Mitos & Lendas por Nicolau Gomes em 30 Maio 2008

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«Spring is in the air, and perhaps the joys of the season in the Kanto region are nowhere more lusciously expressed than in Kawasaki Daishi, Kanagawa Prefecture, which is bracing itself for its annual phallic festival. Shinto offers more titillating tumescent thrills than most world religions, at the Kanamara Matsuri (Festival of the Steel Phallus)»

Walk the Walk

Publicado em Outros Mundos por Anna Pires em 29 Maio 2008

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The Moon Walk Edinburgh - caminhada nocturna pela luta contra o câncro da mama.

Do macho e da (in)fertilidade

Publicado em Infertilidade, Opinião por Nicolau Gomes em 27 Maio 2008

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O macho tem pénis e testículos. Se na mulher o orgão sexual está escondido, num trajecto interior e discreto, o macho “é” macho porque tem e mostra que tem. Isso deixa-o seguro de si: “Tê-los lá no sítio”, como se costuma dizer. É isto uma certa maneira de ser homem, que é também uma certa maneira de (não) entender as mulheres. O que acontece a um homem assim quando lhe dizem que os testículos não estão a “produzir” em condições? Ora,… é o mundo macho que desaba, e com ele pode desabar tudo o que está à volta, incluindo a mulher do macho. É urgente educarmos com (im)paciência infinita este macho fálico, passe a redundância, mostrando-lhe que há vida para além dos testículos…  

Nota: A imagem ao cimo mostra uma das muitas manias “macho” que existem por esse mundo fora. É um adereço que começava a andar pendurado nas pick-ups da Flórida, até que um senador achou que era testículo a mais para andar a distrair o trânsito e a coisa está em tribunal. Quem mostrar os testículos pode vir a pagar 60 dólares de multa, mas para alguns o preço vale sempre a pena, até porque é toda uma indústria macho que agora está em perigo: http://www.yournutz.com/

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 27 Maio 2008

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O fim da inseminação artificial?

Publicado em Ciência por APFertilidade em 26 Maio 2008

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Uma das ideias mais comuns para quem faz tratamentos de fertilidade é a noção de que existe uma escala crescente, segunda a qual, existindo condições mínimas (casais com infertilidade inexplicada ou factor masculino de média gravidade), se deve primeiro começar com a inseminação intra-uterina (IIU) e só depois com a fertilização in-vitro (FIV). No entanto, estudos recentes, aliados à própria evolução da FIV, têm mostrado que em grande parte dos casos é mais barato, mais rápido e emocionalmente menos pesado para os casais, avançarem directamente para a FIV, sem passar pela inseminação. Enquanto a IIU tem taxas de sucesso em torno dos 9-10%, a FIV ultrapassa geralmente os 30%. Uma vantagem adicional consiste na possibilidade de a FIV permitir uma diminuição da gravidez gemelar, pois é possível controlar o número de embriões a transferir. Estaremos a caminho do fim da IIU? Tratando-se da técnica mais ingrata quanto às possibilidades de sucesso, não seria por aqui que nos deixaria com saudades…

Alguns estudos:

http://www.medicalnewstoday.com/articles/106685.php

http://www.biomedcentral.com/1472-6963/6/80

Serra D’Arga

Publicado em Mitos & Lendas por Anna Pires em 26 Maio 2008

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«ARGA - Serra da provincia do Minho a pouca distância do rio Lima, que separa os concelhos de Viana do Castelo, Ponte do Lima e Paredes de Coura. No geral é de constituição granítica; o xisto, porém, forma alguns dos contrafortes orientais. Dos seus contrafortes, pelo Sul, nascente e poente, sobressai vivamente a lomba maior, com mais de 600 metros de altitude. No alto de serra, que pode escalar-se tanto pela portela do Cavalinho, a Oriente, como pelo povo do Cerquido (para quem parta do Sul e Oriente), desdobram-se três vastas chãs a de S. João, a de Cezeda, a Grande ou da Bica. Desta amplíssima agra (da qual procederá o nome da serra, corrompido na prosódia) desfruta-se magnífico panorama.

Onde hoje fica a popular capelinha chamada de S. João de Arga houve o chamado Mosteiro Máximo de beneditinos o qual no séc. XVI, já despovoado, passou a abadia secular e se converteu em reitoria no padroado dos marqueses de Vila Real. As notícias deste convento são muito vagas, nebulosas. A tradição põe no séc. VII a sua fundação. Na chá dum dos montes xistosos, entre o dorso da Arga e o castelo da Formiga, subsiste a capela de Santa Justa, à qual, em 19 de Julho, concorre muito povo em romaria, inclusive da Galiza. Como advogada da esterilidade feminina, oferecem-lhe principalmente frangos e frangas brancos.»

http://vianatrilhos.com/1999/19990619/texto.html

Lenda da Serra D’Arga

«Era uma vez um rei chamado Evígio, forte e severo, que ocupava o trono visigótico da Península Ibérica, parte do qual se estendia pelas terras férteis que, séculos mais tarde, iriam constituir Portugal. Evígio tinha uma filha única, de nome Eulália, muito bela, luz dos seus olhos, prometida por ele em, casamento ao valente guerreiro Remismundo, que desejava como seu sucessor. Mas Eulália amava outro.

Amava o jovem Egica, de nobre sangue real, também ele valoroso, é certo, mas cujos amores com Eulália o rei Evígio contrariava, preso ao compromisso tomado com Remismundo. Porque o coração se lhe negasse a aceitar a decisão paterna, Eulália resolveu fugir com Egica para longe do seu reino, onde encontrassem, juntos, a felicidade desejada.

E, numa certa noite escura, ambos, escapando à vigilância de servos e soldados, cavalgaram livres, para outros lugares mais amáveis. Ao saber da fuga dos jovens namorados, logo o rei enviou um poderoso exército em sua perseguição. Conscientes dos perigos que corriam, Eulália e Egica procuraram ocultar-se o melhor e o mais breve possível da ira de Evígio.

E, debaixo de uma violenta tempestade, chegaram à vista de uma alta serra, chamada Medúlio, próximo da Galiza, onde fora construído o Mosteiro Máximo, conhecido de Egica, pois ali residia um velho amigo seu, Frei Gondemaro, decerto pronto a acolher, com satisfação e carinho, o par de fugitivos.

Vencendo as fúrias do vento rude e da chuva insistente, não tardaram a bater às portas do Mosteiro e a cingir os braços generosos do monge, que prontamente lhes ofereceu uma mesa abundante e o repouso dos leitos. A manhã seguinte, trazendo consigo um Sol radioso, desvendou, aos olhos da princesa e do cavaleiro, panorama deslumbrante de campos semeados, densos e verdes arvoredos, águas rumorejantes de riachos, rebanhos brancos de ovelhas, o mugido melancólico dos bois, um pulsar de vida selvagem entre as brenhas, uma festa de pássaros nos ares.

E Eulália, encantada com o que via, exclamou:
- Porquê, chamar Medúlio ao esplendor e prosperidade desta serra, e não Agro como merece?

Respondeu-lhe o irmão Gondemaro:
- Razão tendes. Pois toda esta riqueza se deve ao trabalho agrícola, de Sol a Sol, dos nossos bons monges que a cultivam sem fadiga e com muito amor.

Rogou-lhe, então, o par de enamorado que, nesse dia magnífico, Gondemaro o casasse, antes que os homens de Evígio o descobrissem e levassem prisioneiro.

Fez-lhe o frade a vontade, no segredo do altar florido, ante a benção da cruz sagrada. Depois, Eulália e Egica partiram para novo reino, ainda mais distante do poder do rei ofendido. Mas Eulália, ainda junto do seu amado, sofria de saudade do pai e da sua pátria, e levava os dias em lágrimas. Até que chegou, por fim, ao castelo onde o casal morava, o velho monge do Mosteiro Máximo. Vinha exausto da viagem penosa, tão demorada e tão cheia de perigos.

Mas trazia boas notícias! O rei Evígio, também saudoso da filha querida, estava pronto a perdoar a desobediência e a fuga, se Eulália lhe desse um neto varão, para o perdão do rei e o regresso feliz dos exilados. Porém, antes de alcançarem o palácio de Evígio, perante a estima e o respeito de todos, quiseram voltar àquela altiva serra, onde haviam casado, chamada, agora, Serra de Arga, pois o povo, na sua ignorância, havia deturpado para Arga a palavra Agro, raiz da palavra Agricultura, com que Eulália justamente apelidara.

E assim a Serra ficou chamada até aos nossos dias, com a beleza da sua paisagem doce e agreste, cada vez mais fecunda e arroteada, com o bulício da sua fauna e pujança da sua flora, recebendo os louvores entusiásticos de quem lhe sobe aos altos e lhe desce aos vales, na devoção das romarias, escutando o balir manso dos rebanhos, o reboar dos sinos, o estrondo dos foguetes na lisura dos céus.»

VIANA, António Manuel Couto “Lendas do Vale do Lima”, (2002) Edição Valima - Associação de Municípios do Vale do Lima, Ponte de Lima,  pp. 82.

Infertilidade & memória (inside trading…)

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 25 Maio 2008

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 «And, in these gatherings, when people ask me what I’ve been up to, I automatically launch on to the work I’ve been doing in my association. That’s when I get another type of look. This time it’s like “Can’t you just leave that topic alone. It’s over. Why put yourself through this again”. For fuck sakes, because infertility is an integral part of my life.»

Fonte: http://infertile-raggedyann.blogspot.com

“Passagem das Horas”

Publicado em Artes por Nicolau Gomes em 24 Maio 2008

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«Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(…)
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranquila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias. (…)»

“Passagem das Horas”, Fernando Pessoa/Álvaro de Campos

A infertilidade numa perspectiva dinâmica…

Publicado em Humor por Nicolau Gomes em 23 Maio 2008

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«Ao contrário do que se diz e se pensa, uma elevada frequência de relações sexuais é benéfica e não diminui a qualidade do sémen. Não devem é ser efectuadas com a intenção ou preocupação de se alcançar a concepção, pois causa ansiedade desnecessária.»

Fonte: http://www.apfertilidade.org/manualparte-id-4.html

Ponte da Misarela

Publicado em Mitos & Lendas por Anna Pires em 21 Maio 2008

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“É uma ponte de arquitectura extravagante, louca, de um só arco, com mais de treze metros de vão, lançada com arrojo sobre dois rochedos, onde as águas do Rabagão se estreitam e despedaçam com fragor e saltam a grande altura, transformando-se em vaporosa chuva. O pavimento, abaúlado, mede 27 metros de comprimento. Fica no fundo de um desfiladeiro alcantilado, a um quilómetro da confluência do Rabagão com o Cávado. Tão medonho e agreste é o sítio e tão severo o aspecto da ponte, que a vivíssima imaginação do povo não tardou a tecer-lhe lendas.

Diz-se que um padre, querendo fazer uma pirraça ao Diabo, se disfarçou em salteador perseguido pelas justiças de Montalegre, e foi certo dia, à meia-noite, àquele lugar para passar o rio. Como o não pudesse passar, por meio de esconjuros, invocou o auxílio do Inimigo. Ouve-se um rumor subterrâneo e eis que aparece, afável e chamejante, o anjo rebelde:
- ‘Que queres de mim?’ - perguntou ele.

- ‘Passa-me para o outro lado e dar-te-ei a minha alma.’

Satanás, que antegozava já a perdição do sacerdote, estendeu-lhe um pedaço de pergaminho garatujado e uma pena molhada em saliva negra, dizendo:
- ‘Assina!’.

O padre assinou. O Demónio fez um gesto cabalístico e uma ponte saiu do seio horrendo das trevas.

O clérigo passa e, enquanto o diabo esfrega um olho, saca da caldeirinha da água benta, que escondera debaixo da capa de burel, e asparge com ela a infernal alvenaria, fazendo o sinal da cruz e pronunciando bem vincadas as palavras do exorcismo.

Lúcifer, logrado, deu um berro bestial e desapareceu num boqueirão aberto na rocha, por onde sairam línguas de fogo, estrondos vulcânicos e fumos pestilenciais. O vulgo das redondezas, na sua ignorância e ingenuidade, e não sabemos a origem, aproveitaa-se da ponte para ali exercer um rito singular.

Quando uma mulher, decorridos que sejam dezoito meses após o seu enlace matrimonial, não houver concebido, ou, quando pejada, se prevê um parto difícil ou perigoso, não tem mais que ir à Mizarela, à noite, para obter um feliz sucesso. Ali, com o marido e outros familiares, espera que passe o primeiro viandante. Este é então convidado para proceder à cerimónia, a qual consiste no baptismo in ventris do novo ou futuro ser. Para isso, o caminhante colhe, por meio de uma comprida corda com um vaso adaptado a uma das extremidades, um pouco de água do rio e com a mão em concha deita-a no ventre da paciente por um pequeno rasgão aberto no vestuário para este efeito, acompanhando a oração com a seguinte ladaínha:

Eu te baptizo
criatura de Deus,
Pelo poder de Deus,
e da Virgem Maria.
Se for rapaz, será ‘Gervás’;
se for rapariga, será Senhorinha.
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
um Padre-Nosso e uma Avé-Maria.

O barulhar iracundo da cachoeira no abismo imprime a estas cenas um cunho de tétrica magia. Segue-se depois uma lauta ceia, assistindo, geralmente, o improvisado padrinho. E o êxito é completo: um neófito virá alegrar a família. Claro que se na primeira noite não passar o viandante desejado, a viagem à Mizarela repetir-se-á até o cerimonial se realizar nas condições devidas.

De um dos lados ergue-se um enorme rochedo que o povo denominou ‘Púlpito do Diabo’, por crer que o Demo vai ali pregar à meia-noite, quando as bruxas das redondezas se reunem em magno concílio…”

A ponte da Misarela em 360º (imagem lindíssima que dá parar rodar em 360º)

 [excerto do romance histórico “O mutilado de Ruivães - Das invasões francesas às lutas civis”, de Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, Braga, 1980]

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 21 Maio 2008

A infertilidade não tem mar pelo meio…

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 20 Maio 2008

Assinalando a troca de links entre o blog “Quero ser Mãe” de Cláudia Collucci e o Blog da APFertilidade, transcrevemos um excerto de ”A crise nossa de cada dia”, uma das suas últimas crónicas, escrita naquele modo sensível e inteligente a que nos tem habituado. Cláudia é jornalista da “Folha de S. Paulo”, o mais importante jornal da América Latina, e autora de dois livros sobre a infertilidade, intitulados respectivamente “Quero Ser Mãe” (2000)  e “Por que a Gravidez não Vem” (2003).
  
Um obrigado sincero da parte das leitoras e dos leitores portugueses.
APFertilidade

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A Crise nossa de cada dia
«Hoje amanheci em crise. Ao abrir os olhos pela manhã, fui arrebatada pela saudade do filho que ainda não veio. Meu ninho quentinho de lençóis e ededrons, pareceu-me vazio.  E eu cai no choro. O sol brilhando lá fora, e aqui dentro de mim um dia frio e cinzento. Talvez seja o cansaço de semanas consecutivas de trabalho intenso, talvez o processo de elaboração do luto de mais um Beta negativo, talvez a saudade do marido, da família e dos amigos distantes, talvez isso tudo junto mais o fato de que as crises são parte fundamental da existência humana.

Por outro lado, é razoável pensar que é justamente nestes momentos de crise que a vida nos oferece o desafio e a oportunidade de descobrir aquilo que damos valor, redescobrir o que precisamos, redefinir o que nos dá prazer e reorganizar as engrenagens internas do ego. A crise não nos permite simplesmente viver num buraco profundo de necessidades não-declaradas e sonhos não-realizados.

Ela nos sacode, põe o dedo na ferida. E isso, por mais dolorido que seja, funciona como uma mola propulsora para fazermos as mudanças que o momento exige. Portanto, as crises também podem ser bênçãos disfarçadas. Mas essa ficha só vai cair quando conseguirmos sair delas. Enquanto estivermos sob o impacto da dor esmagadora, é difícil associar esse tormento a uma bênção disfarçada. A sensação é de que estamos paralisados, congelados em um momento entre quem somos e quem gostaríamos de nos tornar.»

Versão completa, junto com a “epifania” que está em nós: http://claudiacollucci.blog.uol.com.br/

Espermograma

Publicado em Humor por Nicolau Gomes em 19 Maio 2008

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Voz emprestada: “O problema da demografia em Portugal”

Publicado em APFertilidade por APFertilidade em 18 Maio 2008

“O problema da demografia em Portugal”
Faranaz Keshavjee
[in: Público, 18 de Maio de 2008]

«Em sociedades que perpetuam modelos de estereotipia e assimetria de género é difícil promover a natalidade. O saldo natural negativo revelado pelo INE devia servir para reflectirmos mais como ter um futuro demográfico mais promissor. É que não há condições em Portugal para o incentivo à natalidade. As causas são estruturais mas também culturais. Mulheres que trabalham mais horas por dia do que o resto das mulheres europeias; com salários inferiores aos homens e em situações de precariedade; poucos apoios a creches; incremento de nados-mortos, provavelmente pelo trabalho excessivo e stressante das mulheres; e, para mais, a mentalidade dos homens que, apesar das transformações sociais, não se alterou.

Numa realidade fortemente patriarcal e masculina como a portuguesa, que não está preparada para lidar com os problemas da natalidade e da responsabilidade no nascimento e crescimento dos bebés, por razões culturais, não podemos esperar que sejam os homens a contribuir de forma eficaz para a resposta a estas preocupações. E o facto é que as decisões sobre as vidas das mulheres ainda são fruto de uma gestão predominantemente masculina.

Um dos aspectos apontados pelos demógrafos é o facto de os pais não ajudarem ou ajudarem pouco nas tarefas domésticas. Na realidade, este absentismo deve-se, sobretudo, a educarmos os nossos filhos para a compartimentação das suas tarefas mundanas. Desde pequeninos ouvimos pais aflitos se virem os rapazes a brincar com bonecas, quando afinal o que a criança faz é apenas reproduzir os modelos e referências familiares que recebe. Achamos que deviam brincar com carros e tractores, armas e super-heróis, serem activos, detestarem aspiradores, panelas e biberões. Quando crescem, estes mesmos rapazes, embora se tornem, muitos deles, excelentes nos papéis de pais e companheiros, eles são-no sem uma noção prática, experimentada, da interacção no espaço doméstico com a mulher e os filhos.»

Do “Pai” à “Figura Parental”

Publicado em Infertilidade, Política, Ética por APFertilidade em 18 Maio 2008

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Está neste preciso momento a decorrer um importantíssimo debate no Reino Unido sobre a alteração da lei que actualmente regula a investigação e a PMA (”The Human Fertilisation and Embryology Act, 1990). A proposta em discussão (“Human Fertilisation and Embryology Bill”), declara, entre outras coisas, que nos casos de doação de gâmetas deixa de ser obrigatória a existência de um “pai” e passa a defender que o casal ou pessoa receptora de gâmetas doados apenas tem de indicar e garantir à futura criança a existência de uma “figura parental”. Assim é porque se pretende acabar com a discriminação de casais do mesmo sexo no acesso a gâmetas doados.

Mas a discussão está ao rubro também por outras razões, relacionadas com a investigação (por exemplo para permitir que um irmão salve outro irmão e facilitar a investigação de certas doenças genéticas). O Arcebispo de Canterbury comparou entretanto a investigação com embriões à tortura e à violação.

A votação aproxima-se e as “sondagens” entre Membros do Parlamento mostram que será renhida, embora exista a convicção de que o Reino Unido acabará por ter uma lei tão progressista como a de 1990. Aguardemos.
 
Sobre este e outros assuntos fala também Simon Jenkins, no ‘The Times”:
http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/columnists/simon_jenkins/article3953670.ece

Akua’ba - Boneca da Fertilidade

Publicado em Mitos & Lendas por Anna Pires em 16 Maio 2008

akuaba3.jpgEsta boneca do Ghana representa um ser vivo que ainda não chegou - o filho que se deseja. 

Segundo a lenda, uma mulher chamada Akua era “estéril”, até que um curandeiro a instruiu para se fazer acompanhar de uma boneca e cuidar dela como se tratasse dum filho. Os vizinhos gozavam a pobre mulher, mas a sua fé foi recompensada com o nascimento duma filha - a “ba”, ou criança, era o nome da boneca.

Em África, depois de a boneca cumprir a sua tarefa, é entregue ao curandeiro, que a junta a todas as outras bonecas que lhe foram oferecidas, tal como sucede na nossa sociedade, ao enviarmos uma foto do nosso filho ao médico que nos acompanhou, para comprovar a sua competência.Para os homens, as bonecas são usadas para ajudar a encontrar uma esposa. 

É costume entre os Mossi de Burkina Faso uma mãe dar as primeiras gotas do seu leite à boneca que a acompanhou ao longo do tempo até ter o seu filho. Os Baule da Costa do Marfim “curam” a infertilidade também ao esculpirem uma boneca, para acalmar o espírito ciumento da esposa duma encarnação anterior.http://www.chron.com/content/chronicle/features/97/12/21/fertility.html

Divulge a Caminhada no seu Blog

Publicado em APFertilidade por APFertilidade em 15 Maio 2008

Para divulgar a caminhada no seu Blog pode utilizar as imagens abaixo ou pode inserir o script do banner “vire a página” (pode ver o exemplo do banner no forum) :

Script:
<script src=http://www.apfertilidade.org/_peel/peel.js” type=”text/javascript”></script>

Imagens:
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Mais informação em : http://www.apfertilidade.org/caminhada.html

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 15 Maio 2008

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As taxas de sucesso…

Publicado em Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 15 Maio 2008

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As taxas de sucesso são algo “desumanas”, porque falam de pessoas que não existem tal e qual; e são ”monstruosas”, porque feitas de partes desiguais. Mas como nos “monstros” nocturnos da infância, é bom vê-los à luz do dia, para não assustarem à noite…

Vale a pena espreitar alguns números creditados pela entidade reguladora do Reino Unido (The Human Fertilisation and Embryology), relativos ao ano de 2005. Considerando todas as mulheres que fizeram FIV com óvulos próprios e em transferência de embriões frescos (abstraindo portanto de todos os outros factores) as taxas de sucesso foram as seguintes: 

• 29.6% - mulheres com menos de 35 anos
• 23.6%  - mulheres entre 35-37 anos
• 18.2% - mulheres entre 38-39 anos
• 10.0% - para mulheres entre 40-42 anos
• 3.2% - mulheres entre 43-44 anos
• 0.8% - para mulheres com mais de 44 anos

Apresentação do Blog

Publicado em APFertilidade por APFertilidade em 14 Maio 2008

Caras(os) Amigas(os),

Com a criação de um Blog, a APFertilidade dá assim mais um passo para se aproximar dos seus associados e dos cibernautas que visitam o Site e o Fórum.

Este espaço pretende ser simultaneamente um Blog de natureza institucional e uma plataforma destinada a acolher conteúdos indexados em diversas categorias relacionadas com a temática da Fertilidade/Infertilidade (Ética, Política, Opinião, Artes, Humor etc.).

No seu conjunto, o que aqui se propõe é parte do projecto associativo original: um grupo de pessoas unidas num propósito comum.

APFertilidade

A Infertilidade continua em lista de espera!

Publicado em APFertilidade, Política por APFertilidade em 14 Maio 2008

A Associação Portuguesa de Fertilidade assinala este mês o seu segundo ano de existência. Criada com o objectivo de apoiar e informar os portugueses que se confrontam com problemas de fertilidade, desenvolvendo acções nas diversas áreas relacionadas com esta doença, cabe no entanto ao Estado um papel decisivo na regulamentação, no financiamento e na definição do acesso às técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA).

Nesta data significativa, após a aprovação de uma Lei que veio colmatar um vazio legal de 20 anos e cumprida a sua regulamentação, ainda que pouco célere, lamentamos publicamente a ausência absoluta de medidas “concretas” para resolver as restrições de sempre: a Lei existe e foi aprovada, mas na prática tudo continua na mesma para as centenas de milhares de portugueses que têm problemas de fertilidade.

Após ter pedido já por duas vezes uma audiência ao Ministério da Saúde, expondo detalhadamente os motivos para a nossa preocupação, a APFertilidade teve hoje conhecimento pela imprensa de que a Sra. Ministra da Saúde, Dra. Ana Jorge, terá declarado o seguinte:

Os casais inférteis que não conseguem ser tratados pelo serviço público vão começar, até ao final do ano, a ser encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde para o sector privado”.

Congratulamo-nos por este anúncio, quebrado assim parcialmente o silêncio continuado do Ministério da Saúde quanto ao início do financiamento dos ciclos de PMA, tal como anunciado pelo Governo para 2008, no âmbito dos apoios à natalidade. No entanto, ficam por esclarecer questões fundamentais para a implementação deste plano, tais como: a calendarização concreta deste financiamento; os termos das convenções entre o público e o privado; quais os critérios de encaminhamento para o privado; qual o número de tentativas permitida; se os ciclos de tratamento são financiados a 100%, incluindo a medicação; quais os factores de exclusão relacionados com a idade, número de tentativas anteriores; e ainda se estas medidas também se aplicam a casais que pretendam ter segundos filhos e que sofram de infertilidade secundária.

A juntar aos pontos enunciados, são ainda motivo de apreensão e factores de bloqueio para a implementação do plano anunciado: o escasso apoio na medicação para PMA, extremamente dispendiosa; a inexistência de um banco público de gâmetas, tendo inclusive sido bloqueado o único projecto benévolo para a sua criação; o não reconhecimento da infertilidade como doença por parte dos seguros de saúde.

Causa-nos profunda indignação o facto de os doentes portugueses serem os únicos ausentes do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida. Trata-se de uma exclusão contrária à representatividade democrática e às boas práticas europeias e que solicitamos seja revista o mais brevemente possível.

Além deste conjunto de aspectos relacionados fundamentalmente com o direito à saúde reprodutiva, num plano social e político, a APFertilidade não compreende, nem considera coerente, a passividade do Estado perante o decréscimo da natalidade e os problemas de sustentabilidade do sistema de segurança social. Existem cerca de 15% dos portugueses que querem ter filhos, mas estão definitivamente a perder a paciência, a saúde e o que lhes resta da sua fertilidade nas intermináveis listas de espera.