A imagem da infertilidade
«Esta é a minha imagem da infertilidade. Sim, quando esta foto foi tirada eu estava na lista de espera para um dos mais avançados tratamentos de fertilidade num dos mais conceituados hospitais do nosso planeta. Estávamos lá porque um médico do instituto “Silicon Valley” disse-nos que seria praticamente impossível conceber sem recorrer a procedimentos de alta tecnologia.
Enquanto brindava a mais um aniversário (na foto), secretamente estava a pensar que no aniversário seguinte estaria a segurar um bebé e não um copo de vinho na mão.
Naquele tempo de esperança e inocência (e quando ainda era loira) eu não tinha ideia nenhuma o quanto me iria apegar às imagens das ecografias a meio do ciclo. O embriologista aumentava ainda mais a minha esperança ao dizer-me que os meus embriões pareciam ser de uma mulher 10 anos mais nova. Eram “lindos”, dizia ela.
Quantos sonhos não associei a eles! E que difícil que era chegar tão perto da maternidade; passando com uma perna às costas todos os testes da medicina reprodutiva, mas chumbando o exame final! Entrei em negação nos anos que se seguiram. Ainda era jovem o suficiente para engravidar espontaneamente e, tendo sido educada na religião católica, ainda acreditava em milagres. Simplesmente não conseguia desligar-me da ideia que tínhamos chegado tão perto de criar os nossos filhos.
Apenas nestes últimos 18 meses é que decidi que estava na altura de finalmente abrir mão da esperança, enterrar o sonho e fazer o meu luto devidamente. Desde então tenho sentido de forma instintiva as emoções dolorosas que eu tinha fechado a sete chaves dentro de mim. Tem sido difícil. Nunca pensei que seria possível sentir uma tristeza tão profunda, mas houve tempo suficiente para essa tristeza ir crescendo dentro de mim. Já se passaram 12 anos desde que primeiro imaginei como seria conceber, estar grávida, e depois ver os olhos do meu marido ou o sorriso da minha mãe ou o humor do meu pai ter continuidade num filho meu. Agora estou a fechar um capítulo da minha vida.
Está na altura de olhar para a frente e não para trás (…) E para todas que ainda tentam engravidar, eu espero que compreendam que caso tenham sucesso ou não, é sempre possível apanhar os cacos e refazer a vida.»
http://coming2terms.com/2008/06/08/becoming-me.aspx
Pamela Tsigdinos, 44 anos, desistiu de tratamentos depois de longos anos a lutar contra a infertilidade, optando por uma vida sem filhos. Hoje ela dedica-se ao seu blog coming2terms, ajudando outros casais inférteis que “optaram” por uma vida sem filhos a lidar com as suas emoções.

