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“A Igreja, a sexualidade e a bioética”

Publicado em Opinião por Fernando M. Oliveira em 29 Novembro 2008

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As crónicas do Padre Anselmo Borges continuam a ser dos melhores motivos para se comprar o “Diário de Notícias” aos Sábados. Podemos discordar (e discordo muitas vezes), mas a sua escrita alimenta a reflexão e, em dias como o de hoje, interroga o fundamento das posições da Igreja institucional. Ao comentar o livro “A Sexualidade, a Igreja e a Bioética. 40 anos de Humanae Vitae”, o Padre Anselmo Borges questiona o que terá “envenenado” a relação da Igreja com o corpo e a sexualidade, passando pela ideia de pecado original, pela imposição (oficial e tardia) do celibato e, importante para o que aqui interessa, sobre os limites incertos entre o que é biológico/natural e o que é artificial:

«Neste domínio da contracepção, o equívoco fundamental da encíclica Humanae Vitae encontra-se numa concepção de lei natural fixa, estática e centrada na biologia. Ora, por natureza, o ser humano é cultural e histórico e a própria realidade é processual. A sexualidade humana não pode ser vista apenas na sua vertente biológica. Como pode o Magistério fixar-se na biologia, esquecendo que, para ser verdadeiramente humana, a sexualidade envolve o biológico, o afectivo, a ternura, o amor, o espiritual? Por outro lado, na perspectiva bíblica, não criou Deus o Homem como criatura co-criadora? Não é o Homem, por natureza, interventivo, aperfeiçoador e transformador da natureza? Então, no juízo moral, o critério não pode ser o natural identificado com o bem e o artificial identificado com o mal, mas a responsabilidade digna e a dignidade responsável.»

Versão completa:
http://dn.sapo.pt/2008/11/29/opiniao/igreja_sexualidade_e_bioetica.html

A infertilidade no mundo

Publicado em Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 28 Novembro 2008

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Em 2007 tive oportunidade de ouvir o especialista Willem Ombelet falar sobre a infertilidade nos países em desenvolvimento. Nessa ocasião desfilaram perante a plateia  números assustadores, representações cruéis da infertilidade noutras culturas, dificuldades em acomodar os tratamentos de PMA em países com inúmeras carências económicas, a necessidade de planos específicos e de formação básica em medicina da reprodução. Ora, o “Jornal de Angola” anunciava há dias a entrada da PMA no país, dando conta da ajuda decisiva de uma equipa de médicos brasileiros. O relato mostra-nos evidentemente o drama pessoal da infertilidade, mas acrescenta ao universo que nos é familiar outras percepções, relacionadas com a localidade angolana. Um excerto: 

«Ciúmes, tristezas, traições, divórcios e desavenças tomam conta de muitos lares por falta de um herdeiro. Domingos Fernando, 41 anos, é apenas um, no universo de muitos parceiros, que luta dia e noite para manter o casamento. A infertilidade acomete a sua esposa há onze anos. (…) Domingos Fernando disse que já recorreu a pelo menos cinco ou seis terapeutas tradicionais, mas o tratamento não resultou na concepção de mais um filho por parte de companheira. “Já fui a Viana, Rocha Pinto, atrás da FTU, 1º de Maio, até Benguela e, por um fio, iria ao Dombe Grande, porque não imagina o sentimento de culpa e a pressão que recebo da parte da mulher”, acrescentou. A companheira de Domingos sentiu-se ainda mais revoltada quando este fez outros filhos com uma outra mulher. De lá para cá, segundo Domingos, “a minha mulher diz que não ligo à situação dela e para evitar dissabores tive de reduzir à ida a segunda esposa”. Estas histórias dramáticas relacionadas, quer com a infertilidade masculina, quer com feminina, a partir dos próximos tempos, terão solução. Uma equipa de médicos brasileiros especializados em reprodução assistida está a fazer as malas rumo a Angola para trabalhar no “Projecto vida”.»

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 03 Novembro 2008

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