Momentos (1)
Fatherhood Dreams
Fatherhood Dreams é um documentário canadiano sobre as chamadas famílias alternativas. Com realização de Julia Ivanova, inclui uma série de entrevistas a pais gays e lésbicos, singulares ou em vida conjunta, aos seus filhos, amigos e familiares:
Homossexualidade e parentalidade
Tem sido longo e acidentado o reconhecimento da comunidade homossexual. O activismo LGBT, a mudança progressiva de mentalidades, o contributo de estudos na área da Psicologia, da Sociologia e da Medicina têm vindo a produzir alterações legais em muitos países. Deste modo, a situação é hoje bem diferente do que era no início do séc. XX, para não recuar mais atrás. Tal não significa que o preconceito e a homofobia tenham desaparecido; longe disso. Se deixou de ser viável a acusação de doença ou perversão, existem ainda áreas de grande “sobressalto” público, como a possibilidade de os homossexuais serem pais ou de recorrerem à procriação medicamente assistida (o acesso à PMA é permitido a todas as mulheres em Espanha e proibido às mulheres singulares em Portugal). A questão só não é mais visível, porque nesta área é ainda mais difícil “sair do armário” e também porque historicamente a questão da parentalidade se coloca num segundo momento. Em Portugal assistimos à transição, porventura demasiado lenta, para este segundo momento histórico. A investigação recente de Vanessa Ramalho, realizada sob orientação científica do Psicólogo Eduardo Sá, vem confirmar entre nós a experiência de outras nações. Em síntese: partindo da análise de algumas dezenas de pais do mesmo sexo, a autora conclui que estes são «afectuosos, tranquilos, confiantes e firmes nas decisões», contrariamente ao que se especula. Quando os pais homossexuais decidem ter ou adoptar filhos, os inquéritos mostram que tendem a fazê-lo após um período de reflexão pessoal, com grande determinação. O que a investigação internacional nos diz também, em centenas de estudos e relatórios, é que o problema não está nos novos modelos familiares em si mesmos, mas no preconceito e na pressão que se geram à sua volta. Quando se comparam estas famílias com as heterossexuais, em vários aspectos críticos (qualidade da relação parental, medido em testes e inquéritos às próprias crianças; percurso escolar; atitude das crianças em relação à sexualidade; possível influência sobre a identidade sexual das crianças etc. etc.), o que aparece como mais difícil de gerir é portanto o que está fora de casa, não o que está dentro de casa. Dir-se-ia que o problema somos “nós”. Mesmo nos Estados Unidos, onde existem milhões de pais homossexuais, um dos aspectos que mais os preocupa é a escolha de um ambiente social tolerante e, com grande prioridade, de uma escola tolerante, como se pode ler aqui: “Is This the Right School for Us? A Guide to Assessing School Climates for LGBT Parents of Elementary-Aged Children.”

