“Não tive coragem para confessar que não estava grávida…”

“Não tive coragem para confessar que não estava grávida. Era a alegria de toda a família – do meu pai, que estava doente, e queria um neto.” Estas foram as palavras usadas há dias por Simone Ferreira, para justificar perante o Tribunal de Lousada um acto em si injustificável: o rapto de um bebé numa maternidade do Norte do país. Não é contudo um gesto que possamos ignorar, porque ele mostra como pode ser irreprimível o desejo de um filho. Um desejo que é simultaneamente de cada um e expectativa de todos, uma espécie de cobrança, por vezes tão violenta em si mesma que desespera o próprio desespero. Simone merece um ano de 2010 mais feliz; está arrependida, como de certo modo estamos todos nós.

19 Dezembro 2009 ás 10:50 pm
“está arrependida, como de certo modo estamos todos nós.”
Acho que disseste tudo, Nicolau.