Sexo e (in)fertilidade

«O post anterior fez tanto sucesso que resolvi continuar no tema sexualidade e infertilidade. Pela repercussão deu para perceber o quanto essa questão provoca mudanças na vida do casal. Em alguns casos, pode uni-los ainda mais, permitindo que falem da tristeza e da impotência frente a situações que fogem ao nosso controle, como a infertilidade. Nesses casos, esses casais poderão compartilhar sentimentos nunca antes experimentados e isso tende a fortificar ainda mais os relacionamentos. Ao mesmo tempo _e mais frequentemente_, essa experiência pode também trazer para fora sentimentos de raiva, de culpa e de desespero.
A dificuldade inicial da gravidez, os exames diagnósticos, os tratamentos, as tentativas frustradas, os abortos, tudo isso vai se somando e o sexo perde rapidamente muitas das associações ligadas ao prazer e ao divertimento. A falha em conceber pode destruir a auto-estima de homens e de mulheres e isso tem impacto direto na sexualidade. E todos esses sentimentos ficam refletidos na cama, que, em última instância, é local onde todos os “problemas” começaram.
A fertilidade é uma expressão muito básica da sexualidade. Em muitas culturas, por exemplo, o homem com vários filhos têm mais status. É considerado mais potente, mais viril do que aquele que não tem nenhum.
É preciso avaliar ainda que a resposta emocional a um diagnóstico de infertilidade envolve muitas perdas: os filhos que não foram gerados, os netos que não foram “dados” ao pai e à mãe (já ouvi muitos relatos de mulheres dizendo que a maior dor da infertilidade foi não ter podido dar ao pai/mãe o neto/a neta que ele/ela tanto sonhava), a continuidade genética, a experiência da concepção, do nascimento e assim por diante.
No enfrentamento da infertilidade, também é comum a mulher se sentir “menos mulher” e o homem, “menos homem”. As mulheres, em geral, sentem frequentemente a sua sexualidade ameaçada quando enfrentam a possibilidade de não engravidar. A chegada da menstruação as deixam fragilizadas, com sentimento de falha. “Quando vi o sangue da minha menstruação hoje, desmoronei. Toda a força que eu pensei que tinha parece ter sido drenada. O sangue parece um lembrete da minha falha. Para muitas mulheres, a menstruação é um sinal da feminilidade e do potencial para a maternidade. Para mim, significa minha falha”, relata uma leitora.
E como melhorar a sexualidade em meio a uma tempestade com essa? Infelizmente, não há uma cartilha a ser seguida. Cada um tem que descobrir dentro de si as chaves para essa intrincada fechadura, que é a vida sexual. Penso que o primeiro passo seja o resgate da auto-estima. Homens e mulheres precisam, individualmente, se sentir bem com eles mesmos, gostar do que vêem no espelho.»
Em parceria com Cláudia Collucci.
