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A infertilidade não tem mar pelo meio…

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 20 Maio 2008

Assinalando a troca de links entre o blog “Quero ser Mãe” de Cláudia Collucci e o Blog da APFertilidade, transcrevemos um excerto de ”A crise nossa de cada dia”, uma das suas últimas crónicas, escrita naquele modo sensível e inteligente a que nos tem habituado. Cláudia é jornalista da “Folha de S. Paulo”, o mais importante jornal da América Latina, e autora de dois livros sobre a infertilidade, intitulados respectivamente “Quero Ser Mãe” (2000)  e “Por que a Gravidez não Vem” (2003).
  
Um obrigado sincero da parte das leitoras e dos leitores portugueses.
APFertilidade

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A Crise nossa de cada dia
«Hoje amanheci em crise. Ao abrir os olhos pela manhã, fui arrebatada pela saudade do filho que ainda não veio. Meu ninho quentinho de lençóis e ededrons, pareceu-me vazio.  E eu cai no choro. O sol brilhando lá fora, e aqui dentro de mim um dia frio e cinzento. Talvez seja o cansaço de semanas consecutivas de trabalho intenso, talvez o processo de elaboração do luto de mais um Beta negativo, talvez a saudade do marido, da família e dos amigos distantes, talvez isso tudo junto mais o fato de que as crises são parte fundamental da existência humana.

Por outro lado, é razoável pensar que é justamente nestes momentos de crise que a vida nos oferece o desafio e a oportunidade de descobrir aquilo que damos valor, redescobrir o que precisamos, redefinir o que nos dá prazer e reorganizar as engrenagens internas do ego. A crise não nos permite simplesmente viver num buraco profundo de necessidades não-declaradas e sonhos não-realizados.

Ela nos sacode, põe o dedo na ferida. E isso, por mais dolorido que seja, funciona como uma mola propulsora para fazermos as mudanças que o momento exige. Portanto, as crises também podem ser bênçãos disfarçadas. Mas essa ficha só vai cair quando conseguirmos sair delas. Enquanto estivermos sob o impacto da dor esmagadora, é difícil associar esse tormento a uma bênção disfarçada. A sensação é de que estamos paralisados, congelados em um momento entre quem somos e quem gostaríamos de nos tornar.»

Versão completa, junto com a “epifania” que está em nós: http://claudiacollucci.blog.uol.com.br/

Voz emprestada: “O problema da demografia em Portugal”

Publicado em APFertilidade por APFertilidade em 18 Maio 2008

“O problema da demografia em Portugal”
Faranaz Keshavjee
[in: Público, 18 de Maio de 2008]

«Em sociedades que perpetuam modelos de estereotipia e assimetria de género é difícil promover a natalidade. O saldo natural negativo revelado pelo INE devia servir para reflectirmos mais como ter um futuro demográfico mais promissor. É que não há condições em Portugal para o incentivo à natalidade. As causas são estruturais mas também culturais. Mulheres que trabalham mais horas por dia do que o resto das mulheres europeias; com salários inferiores aos homens e em situações de precariedade; poucos apoios a creches; incremento de nados-mortos, provavelmente pelo trabalho excessivo e stressante das mulheres; e, para mais, a mentalidade dos homens que, apesar das transformações sociais, não se alterou.

Numa realidade fortemente patriarcal e masculina como a portuguesa, que não está preparada para lidar com os problemas da natalidade e da responsabilidade no nascimento e crescimento dos bebés, por razões culturais, não podemos esperar que sejam os homens a contribuir de forma eficaz para a resposta a estas preocupações. E o facto é que as decisões sobre as vidas das mulheres ainda são fruto de uma gestão predominantemente masculina.

Um dos aspectos apontados pelos demógrafos é o facto de os pais não ajudarem ou ajudarem pouco nas tarefas domésticas. Na realidade, este absentismo deve-se, sobretudo, a educarmos os nossos filhos para a compartimentação das suas tarefas mundanas. Desde pequeninos ouvimos pais aflitos se virem os rapazes a brincar com bonecas, quando afinal o que a criança faz é apenas reproduzir os modelos e referências familiares que recebe. Achamos que deviam brincar com carros e tractores, armas e super-heróis, serem activos, detestarem aspiradores, panelas e biberões. Quando crescem, estes mesmos rapazes, embora se tornem, muitos deles, excelentes nos papéis de pais e companheiros, eles são-no sem uma noção prática, experimentada, da interacção no espaço doméstico com a mulher e os filhos.»

Do “Pai” à “Figura Parental”

Publicado em Infertilidade, Política, Ética por APFertilidade em 18 Maio 2008

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Está neste preciso momento a decorrer um importantíssimo debate no Reino Unido sobre a alteração da lei que actualmente regula a investigação e a PMA (”The Human Fertilisation and Embryology Act, 1990). A proposta em discussão (“Human Fertilisation and Embryology Bill”), declara, entre outras coisas, que nos casos de doação de gâmetas deixa de ser obrigatória a existência de um “pai” e passa a defender que o casal ou pessoa receptora de gâmetas doados apenas tem de indicar e garantir à futura criança a existência de uma “figura parental”. Assim é porque se pretende acabar com a discriminação de casais do mesmo sexo no acesso a gâmetas doados.

Mas a discussão está ao rubro também por outras razões, relacionadas com a investigação (por exemplo para permitir que um irmão salve outro irmão e facilitar a investigação de certas doenças genéticas). O Arcebispo de Canterbury comparou entretanto a investigação com embriões à tortura e à violação.

A votação aproxima-se e as “sondagens” entre Membros do Parlamento mostram que será renhida, embora exista a convicção de que o Reino Unido acabará por ter uma lei tão progressista como a de 1990. Aguardemos.
 
Sobre este e outros assuntos fala também Simon Jenkins, no ‘The Times”:
http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/columnists/simon_jenkins/article3953670.ece

Divulge a Caminhada no seu Blog

Publicado em APFertilidade por APFertilidade em 15 Maio 2008

Para divulgar a caminhada no seu Blog pode utilizar as imagens abaixo ou pode inserir o script do banner “vire a página” (pode ver o exemplo do banner no forum) :

Script:
<script src=http://www.apfertilidade.org/_peel/peel.js” type=”text/javascript”></script>

Imagens:
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Mais informação em : http://www.apfertilidade.org/caminhada.html

Apresentação do Blog

Publicado em APFertilidade por APFertilidade em 14 Maio 2008

Caras(os) Amigas(os),

Com a criação de um Blog, a APFertilidade dá assim mais um passo para se aproximar dos seus associados e dos cibernautas que visitam o Site e o Fórum.

Este espaço pretende ser simultaneamente um Blog de natureza institucional e uma plataforma destinada a acolher conteúdos indexados em diversas categorias relacionadas com a temática da Fertilidade/Infertilidade (Ética, Política, Opinião, Artes, Humor etc.).

No seu conjunto, o que aqui se propõe é parte do projecto associativo original: um grupo de pessoas unidas num propósito comum.

APFertilidade

A Infertilidade continua em lista de espera!

Publicado em APFertilidade, Política por APFertilidade em 14 Maio 2008

A Associação Portuguesa de Fertilidade assinala este mês o seu segundo ano de existência. Criada com o objectivo de apoiar e informar os portugueses que se confrontam com problemas de fertilidade, desenvolvendo acções nas diversas áreas relacionadas com esta doença, cabe no entanto ao Estado um papel decisivo na regulamentação, no financiamento e na definição do acesso às técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA).

Nesta data significativa, após a aprovação de uma Lei que veio colmatar um vazio legal de 20 anos e cumprida a sua regulamentação, ainda que pouco célere, lamentamos publicamente a ausência absoluta de medidas “concretas” para resolver as restrições de sempre: a Lei existe e foi aprovada, mas na prática tudo continua na mesma para as centenas de milhares de portugueses que têm problemas de fertilidade.

Após ter pedido já por duas vezes uma audiência ao Ministério da Saúde, expondo detalhadamente os motivos para a nossa preocupação, a APFertilidade teve hoje conhecimento pela imprensa de que a Sra. Ministra da Saúde, Dra. Ana Jorge, terá declarado o seguinte:

Os casais inférteis que não conseguem ser tratados pelo serviço público vão começar, até ao final do ano, a ser encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde para o sector privado”.

Congratulamo-nos por este anúncio, quebrado assim parcialmente o silêncio continuado do Ministério da Saúde quanto ao início do financiamento dos ciclos de PMA, tal como anunciado pelo Governo para 2008, no âmbito dos apoios à natalidade. No entanto, ficam por esclarecer questões fundamentais para a implementação deste plano, tais como: a calendarização concreta deste financiamento; os termos das convenções entre o público e o privado; quais os critérios de encaminhamento para o privado; qual o número de tentativas permitida; se os ciclos de tratamento são financiados a 100%, incluindo a medicação; quais os factores de exclusão relacionados com a idade, número de tentativas anteriores; e ainda se estas medidas também se aplicam a casais que pretendam ter segundos filhos e que sofram de infertilidade secundária.

A juntar aos pontos enunciados, são ainda motivo de apreensão e factores de bloqueio para a implementação do plano anunciado: o escasso apoio na medicação para PMA, extremamente dispendiosa; a inexistência de um banco público de gâmetas, tendo inclusive sido bloqueado o único projecto benévolo para a sua criação; o não reconhecimento da infertilidade como doença por parte dos seguros de saúde.

Causa-nos profunda indignação o facto de os doentes portugueses serem os únicos ausentes do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida. Trata-se de uma exclusão contrária à representatividade democrática e às boas práticas europeias e que solicitamos seja revista o mais brevemente possível.

Além deste conjunto de aspectos relacionados fundamentalmente com o direito à saúde reprodutiva, num plano social e político, a APFertilidade não compreende, nem considera coerente, a passividade do Estado perante o decréscimo da natalidade e os problemas de sustentabilidade do sistema de segurança social. Existem cerca de 15% dos portugueses que querem ter filhos, mas estão definitivamente a perder a paciência, a saúde e o que lhes resta da sua fertilidade nas intermináveis listas de espera.

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