6.jpg
 

A pílula faz 50 anos!

Publicado em Ciência por Fernando M. Oliveira em 09 Maio 2010

blog_66.jpg

Assinala-se por esta altura o cinquentenário da pílula. Desde a sua aprovação oficial, no ano de 1960, a pílula transformou de modo profundo o controlo da natalidade, permitindo à mulher um domínio inédito sobre o corpo e a fertilidade. Curiosamente, a produção do composto químico do comprimido mais famoso do mundo teve a participação de um médico e professor de medicina em Harvard, chamado John Rock, que procurava um tratamento para a infertilidade e não o contrário. A pílula resultou portanto da investigação conjunta de médicos que pretendiam facilitar a gravidez e de outros médicos que pretendiam impedir a gravidez. E se as descobertas científicas se alcançam por vezes através de caminhos insondáveis, esta dupla origem lembra-nos que foi sobre a própria experiência da maternidade que a pílula teve maiores consequências. O controlo da gravidez permitiu à mulher ‘tomar posse’ do seu corpo e viver a maternidade sobretudo como uma experiência desejada.

Sexo e (in)fertilidade

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 18 Abril 2010

 blog_65.jpg

«O post anterior fez tanto sucesso que resolvi continuar no tema sexualidade e infertilidade. Pela repercussão deu para perceber o quanto essa questão provoca mudanças na vida do casal. Em alguns casos, pode uni-los ainda mais, permitindo que falem da tristeza e da impotência frente a situações que fogem ao nosso controle, como a infertilidade. Nesses casos, esses casais poderão compartilhar sentimentos nunca antes experimentados e isso tende a fortificar ainda mais os relacionamentos. Ao mesmo tempo _e mais frequentemente_, essa experiência pode também trazer para fora sentimentos de raiva, de culpa e de desespero.

A dificuldade inicial da gravidez, os exames diagnósticos, os tratamentos, as tentativas frustradas, os abortos, tudo isso vai se somando e o sexo perde rapidamente muitas das associações ligadas ao prazer e ao divertimento. A falha em conceber pode destruir a auto-estima de homens e de mulheres e isso tem impacto direto na sexualidade. E todos esses sentimentos ficam refletidos na cama, que, em última instância, é local onde todos os “problemas” começaram.

A fertilidade é uma expressão muito básica da sexualidade. Em muitas culturas, por exemplo, o homem com vários filhos têm mais status. É considerado mais potente, mais viril do que aquele que não tem nenhum.

É preciso avaliar ainda que a resposta emocional a um diagnóstico de infertilidade envolve muitas perdas: os filhos que não foram gerados, os netos que não foram “dados” ao pai e à mãe (já ouvi muitos relatos de mulheres dizendo que a maior dor da infertilidade foi não ter podido dar ao pai/mãe o neto/a neta que ele/ela tanto sonhava), a continuidade genética, a experiência da concepção, do nascimento e assim por diante.

No enfrentamento da infertilidade, também é comum a mulher se sentir “menos mulher” e o homem, “menos homem”. As mulheres, em geral, sentem frequentemente a sua sexualidade ameaçada quando enfrentam a possibilidade de não engravidar. A chegada da menstruação as deixam fragilizadas, com sentimento de falha. “Quando vi o sangue da minha menstruação hoje, desmoronei. Toda a força que eu pensei que tinha parece ter sido drenada. O sangue parece um lembrete da minha falha. Para muitas mulheres, a menstruação é um sinal da feminilidade e do potencial para a maternidade. Para mim, significa minha falha”, relata uma leitora.

E como melhorar a sexualidade em meio a uma tempestade com essa? Infelizmente, não há uma cartilha a ser seguida. Cada um tem que descobrir dentro de si as chaves para essa intrincada fechadura, que é a vida sexual. Penso que o primeiro passo seja o resgate da auto-estima. Homens e mulheres precisam, individualmente, se sentir bem com eles mesmos, gostar do que vêem no espelho.»

Em parceria com Cláudia Collucci.

Made in Lab

Publicado em Infertilidade, Sociedade por Nicolau Gomes em 13 Março 2010

blog_63.jpg

A fotografia capta o momento em que alunos do Colégio de S. Miguel, em Fátima, recebem das mãos da anterior Ministra da Educação o 2º Prémio relativo ao “Concurso Região com Futuro” (ano lectivo 2008-2009), promovido pela Associação para o Desenvolvimento de Leiria (ADLEI), em conjunto com o Instituto Politécnico de Leiria (IPL). O projecto tinha como lema “Como contornar a Infertilidade” e propunha, além de uma série de acções de divulgação, a maquete de uma clínica de fertilidade a construir na região de Leiria. A professora Mónica Freixial coordenou o projecto e os alunos Cátia Nogueira, Cristiano Antunes, Juliana Carvalho e Roberto Oliveira conduziram os trabalhos, recolhendo informação, visitando clínicas e também o Site e o Fórum da APFertilidade. Parabéns a todos!

Geração FIV

Publicado em Ciência, Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 11 Março 2010

blog_64.jpg 

Continuam a surgir estudos sobre a evolução física e psicológica das crianças nascidas através de FIV. Se numa fase inicial, como é sabido, era comum dizer-se que não existia qualquer diferença ou risco no uso da FIV, nos últimos anos tem sido possível chegar a resultados mais concretos. Em Fevereiro de 2010 a revista oficial da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (Fertility and Sterility) publicou um trabalho que analisava quase duas centenas de crianças nascidas através de FIV, agora com idades entre os 18 e os 26 anos. Os resultados, apesar geralmente satisfatórios, revelam uma propensão acrescida para problemas psicológicos (sobretudo défice de atenção e hiperactividade) e uma incidência maior de alguns problemas congénitos. Trata-se realmente de uma área onde há muito para fazer e para conhecer, pois não estamos sequer em posição de compreender e isolar propriamente cada uma das causas e das consequências, entre os procedimentos relacionados com a FIV, os factores relacionados com a gravidez e a frequência de múltiplos, a especificidade dos casais que recorrem à FIV ou mesmo a influência de aspectos sócio-educativos. O estudo original pode ser consultado aqui. Uma versão jornalística está disponível aqui.

Momentos (3): “Redemption Song”

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 06 Fevereiro 2010

Duas recomendações para o tempo presente

Publicado em Infertilidade, Política por Fernando M. Oliveira em 23 Janeiro 2010

blog_62.jpg 

1. Recomendaçao para a instalação de centros de preservação da fertilidade no SNS para doentes sujeitos a terapêuticas do foro oncológico:
O CNPMA entende por bem manifestar de novo a sua posição relativamente à necessidade de instituir no SNS uma estrutura dedicada à preservação da fertilidade para doentes que venham a ser submetidos a terapêuticas do foro oncológico. Ler mais

2. Recomendaçao para a instalação de um centro público para recrutamento, selecção e recolha, criopreservação e armazenamento de gâmetas de dadores terceiros:
O CNPMA renova a recomendação já várias vezes apresentada para que, o mais urgentemente possível, seja criado no SNS um centro público para recrutamento, selecção e recolha, criopreservação e armazenamento de gâmetas de dadores terceiros, que dê resposta cabal e consistentre a esta necessidade social. Ler mais…

O homúnculo: entre o desejo e a ficção

Publicado em Mitos & Lendas por Nicolau Gomes em 11 Janeiro 2010

blog_61jpg.jpg

Numa passagem célebre do livro De Natura Rerum (1537), Paracelso imagina a possibilidade de um ser humano criado artificialmente:
«Tem-se discutido muito a idéia de que a natureza e a ciência nos teriam proporcionado meios para criar um ser humano sem a interferência da mulher. Quanto a mim acho que isto é completamente possível e não é contrário às leis da natureza. Dou aqui as normas que deverão ser observadas para que se atinja esse objectivo. Põe-se num alambique a porção suficiente de sémen humano, sela-se o alambique e este é conservado durante quarenta dias à temperatura semelhante à que prevalece no interior dum cavalo. Ao fim de este prazo, a semente humana começa a crescer, a viver e a mover-se. Já então deve possuir forma humana, embora pareça transparente e imaterial. Durante mais quarenta semanas, deve ser cuidadosamente alimentada com sangue humano e guardada no mesmo local aquecido. Torna-se então uma criança viva, com todas as características de um recém-nascido de mulher, porém menor. A isso se dá o nome de homúnculo. Deve ser tratado com todo o cuidado, até crescer o necessário e começar a evidenciar sinais de inteligência.»

Boas Festas

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 22 Dezembro 2009

“Não tive coragem para confessar que não estava grávida…”

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 19 Dezembro 2009

blog_58.jpg
“Não tive coragem para confessar que não estava grávida. Era a alegria de toda a família – do meu pai, que estava doente, e queria um neto.” Estas foram as palavras usadas há dias por Simone Ferreira, para justificar perante o Tribunal de Lousada um acto em si injustificável: o rapto de um bebé numa maternidade do Norte do país. Não é contudo um gesto que possamos ignorar, porque ele mostra como pode ser irreprimível o desejo de um filho. Um desejo que é simultaneamente de cada um e expectativa de todos, uma espécie de cobrança, por vezes tão violenta em si mesma que desespera o próprio desespero. Simone merece um ano de 2010 mais feliz; está arrependida, como de certo modo estamos todos nós.

Voz emprestada: sobre o congelamento de óvulos

Publicado em Ciência, Infertilidade por APFertilidade em 13 Dezembro 2009

blog_57.jpg

A Sociedade Britânica de Fertilidade e a Associação dos Embriologistas Clínicos emitiram novas diretrizes na revista “Human Fertility” sobre a eficácia e a segurança do congelamento de óvulos para fins médicos. As orientações seguem uma profunda revisão das pesquisas publicadas em diferentes tecnologias utilizadas no congelamento de óvulos e apresentam uma série de recomendações clínicas a serem seguidas. As principais são:

1 - O congelamento de óvulos é uma tecnologia emergente com resultados iniciais promissores. O valor do congelamento de óvulos é atualmente limitado por vários fatores, incluindo o número de ovos que podem ser obtidos e as taxas de sucesso alcançado. Há necessidade de uma grande escala mais adequada de ensaios clínicos controlados para melhorar a nossa base de conhecimentos das técnicas mais eficazes.

2 - As mulheres que desejam congelar seus óvulos devem receber informações precisas sobre a segurança e as taxas de sucesso prováveis. Devem ser dadas orientações sobre os benefícios e as limitações do congelamento de óvulos, em comparação com outras opções. Atualmente, o maior sucesso é provavelmente por meio do embrião congelado, em vez do armazenamento de óvulos.

3 - Existem dois métodos principais de congelamento de ovos: resfriamento lento e vitrificação. Estudos iniciais indicam que a vitrificação pode produzir maiores taxas de sucesso do que o resfriamento lento. Mais estudos são necessários para confirmar a segurança dos produtos químicos utilizados para congelar os ovos e a eficiência da vitrificação.

4 - Para melhores resultados, óvulos maduros devem ser recolhidos após a estimulação ovariana, semelhante ao tratamento de FIV (Fertilização In Vitro). O tipo de estimulação ovariana utilizado deve ser ditado pelas necessidades de cada paciente. Por exemplo, as mulheres com câncer hormonodependente (alguns tipos de tumor de mama, por exemplo) podem preferir os tratamentos que minimizem a exposição ao estrogênio.

A diretriz assinala ainda que, até o momento, o congelamento de óvulos está indicado apenas para mulheres que vão se defrontar com uma futura infertilidade por conta de uma cirurgia, quimioterapia ou radioterapia. Não deve ser usado como opção de preservação da fertilidade tendo em vista apenas o declínio da idade.

O professor Adam Balen, da Sociedade Britânica de Fertilidade, é enfático em dizer: “As atuais taxas de gravidez usando óvulos descongelados são muito pequenas, em torno de 2%. É fundamental que haja mais pesquisas e o desenvolvimento de técnicas que aumentem a segurança e o sucesso do congelamento de óvulos.”

Essa é uma informação muito importante porque, no afã de conseguir clientes e aparecer na comunicação, há clínicas brasileiras vendendo gato por lebre. Ou seja, estimulando mulheres na faixa dos 30, que ainda não tem um parceiro, a congelar seus óvulos para que no futuro realizem o sonho da maternidade. Como vocês bem notaram nas diretrizes britânicas, a coisa não é bem assim. Entendo que, para uma mulher com chances reais de se tornar estéril por conta de uma doença, o congelamento de óvulo seja sua última esperança de maternidade. Dentro desse contexto, 2% de chance é melhor do que nada. É bem diferente da situação de uma mulher jovem e saudável, que pode ser induzida a acreditar que, congelando seus óvulos, seu passaporte futuro para maternidade estará garantido.

Em parceria com Claudia Collucci:
http://claudiacollucci.blog.uol.com.br/

Voz emprestada: ICSI reduz nascimento de meninos

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 01 Dezembro 2009

blog_56jpg.jpg

A técnica ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoides)

O número de meninos concebidos pela técnica de reprodução assistida conhecida como ICSI pode ser inferior ao que é produzido pela “Mãe Natureza”, sugere um novo estudo. Em média, existem 105 meninos nascidos para cada 100 meninas _ uma vantagem natural que ajuda a equilibrar o fato de que os meninos morrem mais no primeiro ano de vida em relação às meninas.

Entre os mais de 15 mil bebês nascidos nos EUA em 2005, por meio de reprodução assistida, os pesquisadores descobriram que, entre aqueles que foram gerados por meio da ICSI, a taxa de meninos foi de menos de 50%. Já as meninas representaram 52,5% dos nascimentos em 2005, de acordo com os resultados publicados na revista “Fertility and Sterility”.
A ICSI é normalmente usada para tratar problemas de infertilidade masculina, como uma baixa contagem de espermatozoides ou espermatozoides de má qualidade. No entanto, às vezes, ela também é utilizada quando a causa da infertilidade do casal não é clara, e algumas clínicas de fertilidade optam pela utilização de ICSI para todos os pacientes.
As implicações dos resultados atuais não são claras, de acordo com os pesquisadores, liderados pela médica Barbara Lucas, da Michigan State University em East Lansing. Cerca de 1% dos nascimentos nos EUA é resultado das técnicas de reprodução assistida. Portanto, é improvável que os efeitos dessa diminuição dos nascimentos de meninos tenha “implicações importantes para a saúde pública”, avaliam os pesquisadores. Ainda assim, eles recomendam que a ICSI só seja feita se necessário em um esforço para evitar este efeito colateral em potencial

Em parceria com Claudia Collucci:
http://claudiacollucci.blog.uol.com.br/

Episódios da vida ficcional…

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 30 Novembro 2009

blog_551.jpg 

Episódio Nº 20
«Dina confessa a Madalena que convenceu Bento a ir ao médico, e mostra-se ansiosa por ter essa consulta de fertilidade, que vai permitir saber por que não consegue engravidar…»

Episódio Nº 21
«Bento e Dina não escondem a ansiedade que sentem antes da consulta de fertilidade. O desejo de terem um filho sobrepõe-se a tudo e acaba, por trocar um beijo apaixonado que lhes dá a coragem necessária…»

Episódio Nº 22
«Tiago faz o teste de paternidade e não esconde a angustia que lhe vai na alma com a possibilidade de ter um filho, até agora desconhecido. Na mesma clínica, Bento e Dina consultam um especialista em fertilidade mas Bento, envergonhado recusa fazer os exames determinados pelo médico (…) José e Horácio estranham a ausência de Bento e Dina. Madalena tranquiliza-os dizendo que foram apenas tratar de uns assuntos. No entanto, quando chegam, José percebe pela cara de Bento que o filho não está bem…»

Bento e Dina…

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 29 Novembro 2009

blog_54.jpg 

A telenovela e a ficção televisiva em geral têm contribuído um pouco por toda a parte para a normalização social de certos temas, ou mesmo para a dramatização de aspectos que a sociedade reprime ou pretende esquecer. Nas últimas décadas, a televisão confrontou o espectador comum com o divórcio, o aborto, o abandono escolar, o cancro da mama, entre outros assuntos. Com autoria de Pedro Lopes e realização conjunta de Duarte Teixeira, Miguel Guerreiro e José Macedo, a novela Perfeito Coração (SIC) além da “actualização” de Amália pela voz de Sónia Tavares, refere-se pela primeira vez à infertilidade em contexto televisivo nacional. Para o bem ou para o mal, o assunto está por agora nas mãos de Bento e Dina… 

Manicures & Martinis

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 18 Novembro 2009

blog_53.jpg

A Associação Americana de Fertilidade lançou há algum tempo um programa de informação e prevenção com o nome intrigante de “Manicures & Martinies”! À primeira vista, álcool e cosmética não misturam bem com fertilidade. No entanto, a presença de tais estimulantes visa criar um ambiente relaxado, favorável à conversação aberta sobre as questões relacionadas com a fertilidade, atraindo também mulheres mais jovens, que assim poderão ajustar a tempo algumas das suas opções e comportamentos, em função do desejo de terem filhos no futuro. É uma iniciativa interessante, porque mostra como é quase indispensável recorrer a meios “ilícitos” para alguém hoje ouvir falar sobre prevenção da fertilidade. Na verdade, por que razão devia uma mulher jovem e saudável preocupar-se com isso? Por que razão a possibilidade distante de ter filhos deveria sequer ocorrer a adolescentes ou jovens adultos? As pessoas que passaram pela experiência da infertilidade conhecem muito bem a resposta a estas perguntas: simplesmente porque o sofrimento causado pela infertilidade pode ser devastador e alterar para sempre a vida de cada um. É a força (e o trauma) desta experiência que move as pessoas que por ela passaram. E se for preciso oferecer um martini e um tratamento cosmético para que escutem, havendo patrocinadores, pois que assim seja…

Uma agenda para o futuro

Publicado em Infertilidade, Política por Nicolau Gomes em 01 Novembro 2009

blog_51.jpg

No final de 2008, foi criada em Toronto (Canadá) uma rede internacional de associações na área da doação de gâmetas, defendendo um conjunto de princípios com vista a um novo equilíbrio entre as três partes envolvidas nos processos de doação: as pessoas com problemas de fertilidade, os dadores e as crianças. Para se conseguir uma doação de gâmetas aberta e informada, propõem a seguinte agenda, já respeitada em alguns países:

1. Acabar com a doação anónima de gâmetas, sendo obrigatória a identificação de dadores;
2. Preservar toda a informação sobre dadores em ficheiros centrais, sob tutela de organizações governamentais, por prazo indeterminado;
3. Todos os nascimentos com doação de gâmetas devem ser declarados;
4. Fixar um limite para o número de crianças concebidas por cada dador;
5. Obrigar os dadores à manutenção actualizada do seu historial clínico;
6. Todos os dadores devem ser submetidos a testes genéticos exaustivos;
7. Promover o acompanhamento clínico das dadoras de ovócitos;
8. Tornar obrigatório o aconselhamento e a informação de todos os que pretendam recorrer à doação de gâmetas;
9. Requerer apoio legal e financeiro para que todos os dadores anónimos se sintam seguros e possam futuramente facilitar a sua identificação, caso sejam procurados pelos filhos biológicos;

Fatherhood Dreams

Publicado em Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 08 Outubro 2009

Fatherhood Dreams é um documentário canadiano sobre as chamadas famílias alternativas. Com realização de Julia Ivanova, inclui uma série de entrevistas a pais gays e lésbicos, singulares ou em vida conjunta, aos seus filhos, amigos e familiares:

Homossexualidade e parentalidade

Publicado em Infertilidade, Opinião por Fernando M. Oliveira em 07 Outubro 2009

blog_50.jpg

Tem sido longo e acidentado o reconhecimento da comunidade homossexual. O activismo LGBT, a mudança progressiva de mentalidades, o contributo de estudos na área da Psicologia, da Sociologia e da Medicina têm vindo a produzir alterações legais em muitos países. Deste modo, a situação é hoje bem diferente do que era no início do séc. XX, para não recuar mais atrás. Tal não significa que o preconceito e a homofobia tenham desaparecido; longe disso. Se deixou de ser viável a acusação de doença ou perversão, existem ainda áreas de grande “sobressalto” público, como a possibilidade de os homossexuais serem pais ou de recorrerem à procriação medicamente assistida (o acesso à PMA é permitido a todas as mulheres em Espanha e proibido às mulheres singulares em Portugal). A questão só não é mais visível, porque nesta área é ainda mais difícil “sair do armário” e também porque historicamente a questão da parentalidade se coloca num segundo momento. Em Portugal assistimos à transição, porventura demasiado lenta, para este segundo momento histórico. A investigação recente de Vanessa Ramalho, realizada sob orientação científica do Psicólogo Eduardo Sá, vem confirmar entre nós a experiência de outras nações. Em síntese: partindo da análise de algumas dezenas de pais do mesmo sexo, a autora conclui que estes são «afectuosos, tranquilos, confiantes e firmes nas decisões», contrariamente ao que se especula. Quando os pais homossexuais decidem ter ou adoptar filhos, os inquéritos mostram que tendem a fazê-lo após um período de reflexão pessoal, com grande determinação. O que a investigação internacional nos diz também, em centenas de estudos e relatórios, é que o problema não está nos novos modelos familiares em si mesmos, mas no preconceito e na pressão que se geram à sua volta. Quando se comparam estas famílias com as heterossexuais, em vários aspectos críticos (qualidade da relação parental, medido em testes e inquéritos às próprias crianças; percurso escolar; atitude das crianças em relação à sexualidade; possível influência sobre a identidade sexual das crianças etc. etc.), o que aparece como mais difícil de gerir é portanto o que está fora de casa, não o que está dentro de casa. Dir-se-ia que o problema somos “nós”. Mesmo nos Estados Unidos, onde existem milhões de pais homossexuais, um dos aspectos que mais os preocupa é a escolha de um ambiente social tolerante e, com grande prioridade, de uma escola tolerante, como se pode ler aqui: “Is This the Right School for Us? A Guide to Assessing School Climates for LGBT Parents of Elementary-Aged Children.”

Beta positiva (1): CNPMA lança website

Publicado em Infertilidade, Política por Fernando M. Oliveira em 27 Setembro 2009

blog_49jpg.jpg

Foi apresentado há alguns meses o website do “Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida” (CNPMA). Vale a pena assinalar a ocasião, pois este vem permitir ao cidadão comum, e muito especialmente a quem tem problemas de fertilidade, o acesso directo às actividades do CNPMA. Organizado em 5 grandes secções (Cidadãos, Profissionais, Legislação, CNPMA e Centros), o sítio é um contributo importante para a transparência que se deseja presente nos assuntos públicos. Numa área marcada por um défice crónico de regulação, a leitura das actas deste órgão e o registo das suas diversas actividades, promete-nos um contributo muito positivo para a ordenação da PMA em Portugal. Apesar das exigências demasiado minimalistas da actual legislação em matéria de critérios para a abertura de centros, a simples existência do CNPMA, a sua acção fiscalizadora e a produção de documentação como os modelos de consentimento informado são, no seu conjunto, um exemplo do que estava por fazer nesta área. Façamos votos para que os relatórios anuais de actividades, a pedir futuramente a cada centro, sejam ambiciosos e que os cidadãos possam dispor em Portugal de estatística e dados concretos sobre os tratamentos realizados em cada centro, as respectivas taxas de sucesso, os índices de satisfação dos seus clientes, a caracterização das instalações, a qualificação dos recursos humanos, entre outros elementos.

Disponível para consulta aqui: www.cnpma.org.pt

Saberes transmitidos pela mãe…

Publicado em Infertilidade, Livros por Fernando M. Oliveira em 12 Setembro 2009

blog_46.jpg Paula Remoaldo (Geógrafa) e Helena Machado (Socióloga) publicaram em 2008 um livro intitulado O Sofrimento Oculto. Causas, Cenários e Vivências da Infertilidade (Edições Afrontamento, 12 euros). Dividido em oito capítulos, o volume cruza assuntos tão diversos como a caracterização médica da infertilidade, os índices de natalidade, as questões jurídicas e sociais relacionadas com a infertilidade, encerrando com algumas páginas dedicadas à experiência e ao quotidiano dos tratamentos de PMA na região de Guimarães. Esta estrutura generalista não deixa de ser um sinal das compensações que ainda é necessário fazer num país pouco atento ao estudo da PMA. Neste sentido, as autoras têm o mérito de organizar e enquadrar o estado das coisas em Portugal. Um momento particularmente interessante neste estudo tem que ver com a representação social da infertilidade em contexto minhoto, especialmente quando se articula com as crenças e as tradições locais: «Em Portugal, mas ainda mais no Minho, ainda prevalece uma cultura que influencia a mulher a testar a sua fertilidade logo após o casamento.» (p. 75). As mães e as sogras influenciam muito os valores e as opções de vida, por vezes competindo directamente com as opiniões médicas. A infertilidade tende a ser atribuída à mulher, mesmo quando o homem é a principal causa. O Minho, sobretudo nos meios rurais e menos escolarizados, pede filhos logo na noite de núpcias, facto confirmado em inúmeros ditos populares:

. Mãe, que é casar? Filha é fiar, parir e chorar.
. Mal casada é a mulher que não pare.
. Muito filho, mãe gulosa!…

Quando apesar da pressão familiar a natureza não responde, sobra a peregrinação a São Gonçalo de Amarante, onde a mulher seria simbolicamente fecundada por um santo, ao roçar a barriga na estátua de S. Gonçalo.

“Teste caseiro lê segredos dos genes”

Publicado em Ciência, Ética por Nicolau Gomes em 26 Julho 2009

blog_44.jpg
“Dizer ou não dizer” é um dilema que confronta as pessoas que recorrem a tratamentos de procriação medicamente assistida, em muitas situações concretas: dizer ou não à família, aos amigos, aos colegas de trabalho, à entidade empregadora, à companhia de seguros, entre muitos outros. Mas há entre estas hipóteses uma especialmente difícil: dizer ou não dizer aos filhos que resultam da doação de gâmetas. Apesar da abertura cada vez maior, apesar da opinião favorável à verdade por parte de especialistas, apesar de ser defendida pelos próprios filhos que nas últimas décadas nasceram com a ajuda da doação de espermatozóides e/ou óvulos, há ainda (demasiados) pais que resistem em contar. Em geral, estes pais assumem que a verdade poderia prejudicar a relação com os filhos, quando sabemos que os estudos sobre estas crianças nas últimas décadas mostram precisamente o contrário. Há já algum tempo que se especulava sobre o facto de a ciência acabar de vez com este tabú. E de facto, começam a aparecer no mercado testes caseiros, baratos e eficazes, que analisam centenas de marcadores genéticos, incluindo doenças e ancestralidade. O que a empresa 23andme actualmente vende por cerca de 200 euros, mostra-nos que o futuro é hoje, em 4 passos simples: 1) comprar o kit; 2) recolher saliva; 3) enviar para o laboratório da empresa; 4) colocar a password no site da empresa e desvendar os segredos dos seus genes.

PS: Segundo informa o Jornal de Notícias: «Há portugueses que já descobriram os segredos inscritos nos seus genes através de um teste caseiro, o “23and Me”, considerado o invento mais importante do ano passado pela revista “Time”.»

Despedida de um filho que não chegou…

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 28 Junho 2009

blog_41.jpg

«Quero agradecer a todas as que me apoiaram e torceram por mim.
O meu resultado foi negativo, e confirmou o teste de farmácia que já tinha feito.
Desta vez eu até estava com alguma esperança de conseguir.
Mas foi puro engano.
Hoje completo 45 anos, e completa também está a minha caminhada em busca de um filho.
Não cheguei ao destino final, mas esta viagem não tem mais volta.
Já não temos mais forças pra continuar.
Sei que este momento nos fragiliza e nos faz tomar decisões que parecem não ser as mais correctas, mas é sem dúvida a nossa última palavra.
Já sofremos desgastes que chegue.
Não temos condições de pensar num próximo tratamento. »
(Testemunho de uma utilizadora do Fórum da APFertilidade, em 2009)

Caminhada 2009 - Agradecimentos

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 27 Junho 2009

«Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar. »   Antonio Machado (Sevilha, 1875 - Coullioure, 1939)

A Grande Corrida dos Espermatozóides

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 25 Junho 2009

blog_40jpg.jpg  

É provável que todos tenham visto alguma das cenas hilariantes do filme de Woody Allen intitulado “O ABC do Amor” (1972). Burt Reynolds fazia de espermatozóide-chefe, animando esta adaptação ao cinema de um livro muito divulgado de David Reuben (”Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo mas Tinha Medo de Perguntar”). Pois em breve vai estrear no Discovery Channel uma versão educativa (é o que se diz por aí…), com o título promissor de “A Grande Corrida dos Espermatozóides”. A produção não poupou esforços e deslocou centenas de figurantes para os mais empolgantes cenários naturais do Canadá, de modo a recriar a incrível aventura dos espermatozóides, entre os testículos e o útero. Fica uma breve apresentação, com uma reserva: fica por saber se o espermatozóide vencedor desta corrida passaria o teste da centrifugação numa clínica de fertilidade…

 O filme:
http://www.youtube.com/watch?v=o6wlyDoDS1cO
O jogo:
http://www.channel4.com/programmes/the-great-sperm-race/articles/the-great-sperm-race-game

Uma caminhada; inúmeros passos…

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 29 Maio 2009

No próximo dia 21 de Junho, a Associação Portuguesa de Fertilidade promove a 2ª Caminhada pela Fertilidade, no Parque da Cidade/Porto, assinalando o Dia Nacional da Fertilidade e o Mês Internacional da Fertilidade.

Esta iniciativa, com um percurso de 2km, em por objectivo sensibilizar os cidadãos para os actuais problemas de fertilidade e visa promover a saúde reprodutiva em geral. A todos os participantes será oferecido um Kit-Caminhada, distribuído no local da concentração, onde a APFertilidade manterá uma tenda fixa com actividades recreativas.

A participação na Caminhada é gratuita, mas exige uma inscrição, por razões logísticas.

Edição de 2008:

Voz emprestada: barriga de aluguer

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 26 Maio 2009

blog_35.jpg 

«Quase 20 anos depois do sucesso de “Barriga de Aluguel”, novela de Glória Peres que tinha Cássia Kiss e Cláudia Abreu como protagonistas, o assunto volta a ter destaque na mídia. E mais uma vez com uma certa dose de sensacionalismo e desinformação. Dois fatos desencadearam as repercussões desse assunto polêmico: as gêmeas da atriz Sarah Jessica Parker, 44, famosa pela série e filme homônimo, “Sexy and the city”, e da série da Globo “A Grande Família”…»

Versão completa: http://claudiacollucci.blog.uol.com.br/

Quanto peso tem o peso na infertilidade?

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 08 Maio 2009

Quero ser mãe…

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 03 Maio 2009

blog_38.jpg

 300.000 mulheres portuguesas querem celebrar este dia
 
No dia da Mãe são muitas as mulheres portuguesas que não recebem presentes, que não sentem o abraço apertado de um filho, que não saboreiam o prazer de um beijo acompanhado pelo som da palavra Mãe.

Para assinalar o Dia da Mãe, a Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) lança o projecto “querosermae.com”, a maior sondagem online dirigida a futuras mães e onde estas poderão dar voz ao sonho respondendo à pergunta: “O que dirá ao seu filho quando o vir pela 1ª vez?”.

A APF acredita que o Dia da Mãe é o momento justo para fazer brilhar este acto de imaginação no coração de todas as futuras mães. 
 
A infertilidade é uma doença com uma prevalência que se estima atingir 15 a 20 % da população em idade reprodutiva, afectando em Portugal cerca de 290 mil casais.

A APF nasceu como um projecto fundamentalmente destinado a apoiar, informar e defender as pessoas com problemas de fertilidade. Para saber mais sobre a APF, visite o site oficial: www.apfertilidade.org, o maior portal em português com informação sobre infertilidade.

“Viagens: a arte e a ciência de fazer bebés”

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 01 Maio 2009

Reproduzimos de seguida o trailer do que será um dos melhores documentários produzidos por clínicas de PMA (Fertility Centers of Illinois) sobre a experiência da infertilidade e o quotidiano dos tratamentos, acompanhando a história de alguns casais. O filme estreia amanhã, numa escola de artes em Chicago (The School of the Art Institute of Chicago).

(2) O Sonho de Kokopelli

Publicado em Mitos & Lendas por Nicolau Gomes em 20 Abril 2009

(1) A história de Kokopelli

Publicado em Mitos & Lendas por Nicolau Gomes em 20 Abril 2009

Kokopelli é um deus da fertilidade, originário dos povos nativos da América do Norte, geralmente representado como humilde tocador de flauta, com penas exuberantes na cabeça. Eis umas das muitas versões sobre a origem de Kokopelli, o deus que preside ao nascimento das crianças e também à fertilidade dos campos:

Voz com corpo…

Publicado em Infertilidade, Opinião por Nicolau Gomes em 19 Abril 2009

blog37_jpg.jpg

“A voz da rádio” é uma daquelas expressões feitas que tendem a esconder o significado das palavras. A reportagem “Sementes de Esperança”, da autoria de Teresa Bizarro, na TSF, lembra-nos como a rádio pode de facto ser voz autêntica, uma voz absoluta, sem a dispersão causada pelas imagens que saturam o espaço mediático. É esta voz com corpo e respiração que se ouve ao escutarmos a Maria, o João, a Mafalda, a Gisela, a Kitty, o Pedro, a Filomena, e ainda outras vozes de médicos e psicólogos que nos últimos anos vêm lidando com a infertilidade em Portugal. Na memória fica o eco e os danos causados a muitas vidas suspensas: “somos tantos, porque tardam em olhar para nós?”; “esta doença foi deixada para trás”; “aí o mundo desabou”; “as mulheres culpabilizam-se muito”; “foi preciso bater no fundo para reencontrar o sentido da vida”; “perdem o sentido da existência”; “um coração que faz profissão de fé na ciência”; “passei a ver a infelicidade com outros olhos”…

A reportagem pode ser ouvida na íntegra aqui:
http://tsf.sapo.pt/programas/programa.aspx?content_id=917979

Citações (1): os filhos entre a economia e o afecto

Publicado em Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 14 Abril 2009

blog35.jpg 

«Em termos históricos, um filho era valorizado no sentido em que contribuía com o seu trabalho para a sobrevivência da tribo. À medida que a civilização evolui e entram em cena as relações monogâmicas, reguladas por autoridades civis e/ou religiosas, o papel e a importância dos filhos tornou-se mais complexo […] Com a Revolução Industrial, as mulheres e os filhos deixam progressivamente de constituir mão-de-obra potencial e são deslocados para a esfera doméstica. As leis que no início do século XX anunciam a proibição do trabalho infantil acabam por acelerar, um pouco por todo o mundo, uma mudança social de proporções monumentais: os filhos começam a ser valorizados pelos vínculos afectivos, pela companhia e pelo estímulo que proporcionam e as mulheres são ainda mais intimamente associadas à função maternal. Assim, à medida que os filhos deixam de ter um valor funcional e se tornam economicamente inúteis, em termos emocionais e afectivos, pelo contrário, tornam-se um bem precioso» (Linda Hammer Burns)

“Mãe há só duas”

Publicado em Infertilidade, Política por Fernando M. Oliveira em 05 Abril 2009

blog34.jpg 
«O que é que isto quer dizer? Que a lei, mesmo quando parece avançada e mesmo quando é objecto de contestação, não está a fazer engenharia social, mas sim a enquadrar situações que existem no terreno e que até nem são tão raras como se pensa. Isto não significa que elas devam ser aceites por esse facto – há comportamentos que a sociedade reprova e que não vai legalizar apenas pelo facto de serem comuns. Mas significa que um dos argumentos mais vezes avançados contra as leis socialmente mais liberais – o de que vão abrir uma caixa de Pandora com consequências imprevisíveis – não tem muitas vezes razão de ser. A caixa de Pandora, se existe, já foi aberta há muito e ninguém reparou.

Há outra coisa que decorre da abundância de situações deste tipo: houve tempo para realizar estudos e estudos com grupos de dimensão razoável e com um recuo temporal considerável – nomeadamente estudos sobre jovens adultos que cresceram em casas onde os pais eram duas pessoas do mesmo sexo (dois pais, duas mães) e que permitem extrair conclusões sobre o seu desenvolvimento geral e sobre uma das grandes interrogações: estes pais influenciam de alguma forma a identidade e a orientação sexual dos seus filhos?

‘Há muitos estudos feitos desde os anos 70, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos, sobre o desenvolvimento das crianças educadas por casais do mesmo sexo”, diz-nos Susan Golombok, directora do Centro de Investigação sobre a Família da Universidade de Cambridge e uma das autoridades mundiais em famílias lésbicas. “Nessa altura não se sabia nada sobre isto e estes estudos foram desencadeados por casos judiciais de custódia de crianças em casos de divórcio. Mais tarde, com a difusão do recurso a PMA por parte de casais de lésbicas, houve uma proliferação de estudos. E a verdade é que estas crianças – e estes jovens, porque nós seguimos as crianças até à idade adulta – não apresentam diferenças significativas em relação a quaisquer outras do ponto de vista do bem-estar psicológico, do comportamento, do ponto de vista do desenvolvimento do género, da identidade de género, quer, especificamente, do ponto de vista da sua orientação sexual. Não há mais homossexuais entre os jovens que foram educados por um casal homossexual do que na população em geral.’»

Excerto de um artigo de José Vitor Malheiros que vale a pena ler, aqui ou aqui.

Sobre os riscos da FIV

Publicado em Ciência, Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 29 Março 2009

blog33.jpg

Existe uma espécie de tabu quando se fala dos riscos da procriação medicamente assistida. Há já algum tempo que timidamente se especulava sobre os riscos da PMA, mas apenas com um estudo recentemente divulgado pelo New York Times, entre outros jornais, se tornou mais claro para o grande público a natureza e o grau dos problemas eventualmente causados, sobretudo pela utilização da FIV. O estudo em causa confirma um aumento dos problemas ao nível do aparelho digestivo, malformações do palato e do coração. Estes dados poderão, no caso inglês, obrigar os médicos a informarem os doentes, como parece resultar da acção da entidade reguladora local (Human Fertilisation and Embryology Authority). No entanto, antes de generalizações catastrofistas, vindas sobretudo dos que são contra toda e qualquer prática associada à PMA, vale a pena dizer que os riscos não só são muito pequenos, como não se sabe ainda se o motivo se deve à técnica da FIV em si mesma ou aos gâmetas das pessoas com problemas de fertilidade.

O espermograma…

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 27 Março 2009

Página Seguinte »