Há momentos em que a gente se lembra da Deolinda…
Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!
Agora não, que é hora do almoço…
Agora não, que é hora do jantar…
Agora não, que eu acho que não posso…
Amanhã vou trabalhar…
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos vencer!
Agora não, que me dói a barriga…
Agora não, dizem que vai chover…
Agora não, que joga o Benfica…
e eu tenho mais que fazer…
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!
Agora não, que falta um impresso…
Agora não, que o meu pai não quer…
Agora não, que há engarrafamentos…
Vão sem mim, que eu vou lá ter…
A tua assinatura pode fazer a diferença…
Caras(os) Amigas(os),
Permitam-nos um momento político no blog da APFertilidade:
Assinem e divulguem. Todos juntos somos mais!
APFertilidade
Manual para fazer um esteriótipo (infértil)
a) Teoria
«A Historia da Filosofia mostra que existe uma tendência universal para a generalização de todas as classes presentes do mundo real. Numa determinada classe de seres, apenas costumamos considerar um determinado factor distintivo, deixando o resto de parte, separado da “nossa” realidade.»
b) Prática
«Simone tinha consultas de infertilidade há meses naquela unidade de saúde e parece claro que conhecia os cantos à casa. No dia do sequestro, terá sido muito rápida a actuar. Terá demorado pouco mais de oito minutos nas instalações. Subiu ao piso 6 da maternidade e terá verificado, previamente, o procedimento de mudança de turno. Na maternidade, saiu e voltou a entrar. Cruzou-se com um médico, a quem saudou e que lhe retribuiu o cumprimento. Em segundos, levou o berço com o bebé de um casal de S. Miguel de Paredes, com o pretexto de fazer exames de rotina, empurrando o carrinho até ao elevador, mas optou por pegar nele ao colo e descer as escadas, acabando por sair pela porta principal, com ele escondido. O berço foi encontrado junto ao elevador.
Simone deslocou-se do hospital num carro de aluguer até Felgueiras, onde esteve escondida da família, no apartamento de um amigo, desde quarta-feira. Recorde-se que o seu companheiro deixou-a no hospital de Penafiel nesse dia, em que Simone disse que “daria à luz”. Cerca do meio-dia, telefonou para uma vizinha dizendo que tivera um menino mas que não podia receber visitas porque ia ser operada a quistos no Porto e só regressaria a casa no sábado. E foi no sábado, após ter sequestrado o bebé, às 14.20 horas, que se encontrou com o companheiro junto ao Centro de Saúde de Felgueiras.»
Jornal de Notícias – 19/06/2008
http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=959462
c) Música para acompanhar
BLUR - “Stereotypes”
Album: The Great Escape (1996)
http://www.youtube.com/watch?v=fH5ve6kKqYA
Do “Pai” à “Figura Parental”
Está neste preciso momento a decorrer um importantíssimo debate no Reino Unido sobre a alteração da lei que actualmente regula a investigação e a PMA (”The Human Fertilisation and Embryology Act, 1990). A proposta em discussão (“Human Fertilisation and Embryology Bill”), declara, entre outras coisas, que nos casos de doação de gâmetas deixa de ser obrigatória a existência de um “pai” e passa a defender que o casal ou pessoa receptora de gâmetas doados apenas tem de indicar e garantir à futura criança a existência de uma “figura parental”. Assim é porque se pretende acabar com a discriminação de casais do mesmo sexo no acesso a gâmetas doados.
Mas a discussão está ao rubro também por outras razões, relacionadas com a investigação (por exemplo para permitir que um irmão salve outro irmão e facilitar a investigação de certas doenças genéticas). O Arcebispo de Canterbury comparou entretanto a investigação com embriões à tortura e à violação.
A votação aproxima-se e as “sondagens” entre Membros do Parlamento mostram que será renhida, embora exista a convicção de que o Reino Unido acabará por ter uma lei tão progressista como a de 1990. Aguardemos.
Sobre este e outros assuntos fala também Simon Jenkins, no ‘The Times”:
http://www.timesonline.co.uk/tol/comment/columnists/simon_jenkins/article3953670.ece
A Infertilidade continua em lista de espera!
A Associação Portuguesa de Fertilidade assinala este mês o seu segundo ano de existência. Criada com o objectivo de apoiar e informar os portugueses que se confrontam com problemas de fertilidade, desenvolvendo acções nas diversas áreas relacionadas com esta doença, cabe no entanto ao Estado um papel decisivo na regulamentação, no financiamento e na definição do acesso às técnicas de Procriação Medicamente Assistida (PMA).
Nesta data significativa, após a aprovação de uma Lei que veio colmatar um vazio legal de 20 anos e cumprida a sua regulamentação, ainda que pouco célere, lamentamos publicamente a ausência absoluta de medidas “concretas” para resolver as restrições de sempre: a Lei existe e foi aprovada, mas na prática tudo continua na mesma para as centenas de milhares de portugueses que têm problemas de fertilidade.
Após ter pedido já por duas vezes uma audiência ao Ministério da Saúde, expondo detalhadamente os motivos para a nossa preocupação, a APFertilidade teve hoje conhecimento pela imprensa de que a Sra. Ministra da Saúde, Dra. Ana Jorge, terá declarado o seguinte:
“Os casais inférteis que não conseguem ser tratados pelo serviço público vão começar, até ao final do ano, a ser encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde para o sector privado”.
Congratulamo-nos por este anúncio, quebrado assim parcialmente o silêncio continuado do Ministério da Saúde quanto ao início do financiamento dos ciclos de PMA, tal como anunciado pelo Governo para 2008, no âmbito dos apoios à natalidade. No entanto, ficam por esclarecer questões fundamentais para a implementação deste plano, tais como: a calendarização concreta deste financiamento; os termos das convenções entre o público e o privado; quais os critérios de encaminhamento para o privado; qual o número de tentativas permitida; se os ciclos de tratamento são financiados a 100%, incluindo a medicação; quais os factores de exclusão relacionados com a idade, número de tentativas anteriores; e ainda se estas medidas também se aplicam a casais que pretendam ter segundos filhos e que sofram de infertilidade secundária.
A juntar aos pontos enunciados, são ainda motivo de apreensão e factores de bloqueio para a implementação do plano anunciado: o escasso apoio na medicação para PMA, extremamente dispendiosa; a inexistência de um banco público de gâmetas, tendo inclusive sido bloqueado o único projecto benévolo para a sua criação; o não reconhecimento da infertilidade como doença por parte dos seguros de saúde.
Causa-nos profunda indignação o facto de os doentes portugueses serem os únicos ausentes do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida. Trata-se de uma exclusão contrária à representatividade democrática e às boas práticas europeias e que solicitamos seja revista o mais brevemente possível.
Além deste conjunto de aspectos relacionados fundamentalmente com o direito à saúde reprodutiva, num plano social e político, a APFertilidade não compreende, nem considera coerente, a passividade do Estado perante o decréscimo da natalidade e os problemas de sustentabilidade do sistema de segurança social. Existem cerca de 15% dos portugueses que querem ter filhos, mas estão definitivamente a perder a paciência, a saúde e o que lhes resta da sua fertilidade nas intermináveis listas de espera.
