A Respiração dos Poetas
A propósito do Natal… e dos desafios, sonhos e conquistas que um berço (cheio de esperança) é capaz de representar …
Poema de Natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.Vinicius de Moraes
IVF Fashion
Sobre o programa especial de incentivos à pma…
IVF Fashion
IVF Fashion
A Respiração dos Poetas…
No coração da neve
e no espaço
no silêncio e na infância
no amor na solidão na liberdade
na gentileza na fraternidade
o mesmo puro delírio
de iluminar as trevas
sem diminuir o sonho
e fazê-las cantar
à luz do dia
[in À Memória de Paul Éluard]
NÃO POSSO ADIAR O AMOR
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
[in Viagem Através de uma Nebulosa]
PASSAGEM
(…)
É onde agora ninguém me vem chamar
e uma outra luta prossegue imponderável.
O tempo vai chegar mas eu aqui passei
ou algo em mim passou quando o final chegar
deste fim que escuto e sou no seu passar.
[in Terraço Aberto]
A Respiração de António Ramos Rosa. Sobre o amor, nas suas múltiplas faces. Sobre a espera, a procura e o caminho. Sobre a virtude do silêncio e a exigência da voz. Sobre os retalhos das vidas de cada um(a) de nós, e sobre o que sentimos, enquanto sustemos a respiração.
Música às segundas…

Jorge Palma, sobre ilusões e situações…
“O Centro Comercial Fechou” [Vôo Nocturno, 2007]
http://www.youtube.com/watch?v=XOkbBZNgskM
«O centro comercial fechou
E a Maria vai viver a vida mais longe
Longe das ilusões
Em cima das situações
Perigosas
O Toino não morreu no mar
Acabou de adquirir um castelo na Escócia
Enfim, não é bem na Escócia
É uma cave sombria
Em Gaia.
O passado já lá está
Raio de uma sorte cinzenta
E o presente é uma réstia de esperança enquanto houver saúde
Há que cuidar do aspecto
Fazê-lo parecer natural
Por mais que seja cruel não há ninguém que ajude
Ninguém nos ensinou a usar
Nada do que recolhemos pelo caminho
Perto das ilusões
Entre o amor e as razões
Perversas
O passado já lá está
Raio de uma sorte cinzenta
E o presente é uma réstia de esperança enquanto houver saúde
Há que cuidar do aspecto
Fazê-lo parecer natural
Por mais que seja cruel não há ninguém que ajude.»
Música às segundas…
Dizem que é a melhor canção de amor…
Nick Kave, The ship song
http://www.youtube.com/watch?v=FdSzNPwILYA&feature=related
Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.
Come loose your dogs upon me
And let your hair hang down.
You are a little mystery to me
Every time you come around.
We talk about it all night long
We define our moral ground.
But when I crawl into your arms
Everything comes tumbling down.
Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.
Your face has fallen sad now
For you know the time is nigh
When I must remove your wings
And you, you must try to fly.
Come sail your ships around me
And burn your bridges down.
We make a little history baby
Every time you come around.
Come loose your dogs upon me
And let your hair hang down.
You are a little mystery to me
Every time you come around.
IVF Fashion
Estamos de volta com a colecção Outono/Inverno da nossa linha exclusiva “IVF Fashion”. Aqui temos uma linda “baseball jersey”. Esperamos ver um dia todos os nossos leitores vestidos com ela.
Viver a vida…

A aceleração contemporânea tem motivado nos últimos tempos várias reacções a favor da lentidão, do abrandamento e da apreciação demorada das pequenas&grandes coisas da vida. Dois exemplos, tirados mais ou menos ao acaso:
1 – The School of Life
Uma escola para ensinar a degustar, a apreciar e a praticar o que chamam “biblioterapia”
http://www.theschooloflife.com/about.aspx
2 – In Praise of Slowness
Um elogio da lentidão, de Carl Honore, contra o culto da velocidade. Destaca as vantagens do tempo lento na mesa, no trabalho, nas férias… e também na cama. Termina com um capítulo sobre como educar uma criança para não ser apressada/estressada.
http://www.amazon.com/Praise-Slowness-Challenging-Cult-Speed/dp/0060750510/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1220918585&sr=1-1
Michael Phelps at a very Young Age…

IVF Fashion (Memórias)
E porque a vida é feita de memórias, iniciamos esta rúbrica com o slogan, criado pela nossa Sara, que fez furor no fórum quando ainda eramos API.
A imagem da infertilidade
«Esta é a minha imagem da infertilidade. Sim, quando esta foto foi tirada eu estava na lista de espera para um dos mais avançados tratamentos de fertilidade num dos mais conceituados hospitais do nosso planeta. Estávamos lá porque um médico do instituto “Silicon Valley” disse-nos que seria praticamente impossível conceber sem recorrer a procedimentos de alta tecnologia.
Enquanto brindava a mais um aniversário (na foto), secretamente estava a pensar que no aniversário seguinte estaria a segurar um bebé e não um copo de vinho na mão.
Naquele tempo de esperança e inocência (e quando ainda era loira) eu não tinha ideia nenhuma o quanto me iria apegar às imagens das ecografias a meio do ciclo. O embriologista aumentava ainda mais a minha esperança ao dizer-me que os meus embriões pareciam ser de uma mulher 10 anos mais nova. Eram “lindos”, dizia ela.
Quantos sonhos não associei a eles! E que difícil que era chegar tão perto da maternidade; passando com uma perna às costas todos os testes da medicina reprodutiva, mas chumbando o exame final! Entrei em negação nos anos que se seguiram. Ainda era jovem o suficiente para engravidar espontaneamente e, tendo sido educada na religião católica, ainda acreditava em milagres. Simplesmente não conseguia desligar-me da ideia que tínhamos chegado tão perto de criar os nossos filhos.
Apenas nestes últimos 18 meses é que decidi que estava na altura de finalmente abrir mão da esperança, enterrar o sonho e fazer o meu luto devidamente. Desde então tenho sentido de forma instintiva as emoções dolorosas que eu tinha fechado a sete chaves dentro de mim. Tem sido difícil. Nunca pensei que seria possível sentir uma tristeza tão profunda, mas houve tempo suficiente para essa tristeza ir crescendo dentro de mim. Já se passaram 12 anos desde que primeiro imaginei como seria conceber, estar grávida, e depois ver os olhos do meu marido ou o sorriso da minha mãe ou o humor do meu pai ter continuidade num filho meu. Agora estou a fechar um capítulo da minha vida.
Está na altura de olhar para a frente e não para trás (…) E para todas que ainda tentam engravidar, eu espero que compreendam que caso tenham sucesso ou não, é sempre possível apanhar os cacos e refazer a vida.»
http://coming2terms.com/2008/06/08/becoming-me.aspx
Pamela Tsigdinos, 44 anos, desistiu de tratamentos depois de longos anos a lutar contra a infertilidade, optando por uma vida sem filhos. Hoje ela dedica-se ao seu blog coming2terms, ajudando outros casais inférteis que “optaram” por uma vida sem filhos a lidar com as suas emoções.
IVF Fashion
Um apelo à comunidade APFertilidade! Com tanta criatividade e imaginação que anda por aí, esta vossa fashion designer está a precisar de inspiração para a nova colecção. Enviam os vossos slogans para a nossa nova linha de t-shirts (in)férteis no blog. Publicaremos as t-shirts com os vossos slogans aqui no IVF Fashion. Conto convosco!
Fofoca (in)fértil
Hello Darlings!
Sabiam que beleza e sensualidade nem sempre são sinónimos de fertilidade? Peguemos no caso da lindíssima Cindy Margolis, modelo (ex-coelhinho Playboy), actriz (de Baywatch, se não me engano), apresentadora, escritora, enfim, “superstar”, que fala abertamente dos tratamentos a que se teve de submeter para conseguir os seus filhos.
Logo que casou com Guy Starkman, começaram as tentativas para construir uma família, mas todas infrutíferas. Os dois anos seguintes foram de grande tristeza para Cindy, com os meses a passarem sem sinais de gravidez. Depois de consultarem especialistas de infertilidade, vieram os tratamentos. A Cindy descreve esse tempo como ”de grande solidão e desespero”. Se isso não bastasse, a actriz também teve que encontrar formas de combater o aumento brusco de peso devido aos tratamentos. Ora, para quem vive da sua imagem, não deve ter sido nada fácil.
À 4ª FIV veio o tão desejado positivo! Mas o pior ainda estava para vir. A Cindy ao descrever a sua gravidez diz que por um lado era o tempo de “antecipação, optimismo e sonho”, mas por outro, significava “medo, insegurança e dúvidas”. Devido às numerosas complicações que colocavam em risco a vida do bebé, Cindy foi internada às 24 semanas, onde se manteve em repouso absoluto até ao fim da gravidez. Mas a dor, as orações e as lágrimas resultaram num milagre, com o nascimento do seu filho Nicholas Isaac. Depois de mais 3 tentativas de FIV e dos médicos desaconselharem uma nova gravidez devido aos riscos, a Cindy recorreu a uma “surrogate” (barriga de aluguer), algo comum na América, para aumentar a família. Esta nova ”gravidez” trouxe as suas filhas gémeas, Sabrina e Sierra, para completarem a família.
Hoje a Cindy dá a cara pela infertilidade, como porta-voz da RESOLVE. Diz ela: «Aqui na América damos tanta importância aos valores de família, no entanto as seguradoras não cobram todos os tratamentos de fertilidade. Algumas só cobram inseminações e a primeira ou segunda tentativa de FIV. Eu sujeitei-me a 7 FIVs.». Minha querida, desculpa lá, mas sempre é melhor do que cá em Portugal, onde as seguradoras nem reconhecem a infertilidade como uma doença.
IVF Fashion
Elena Ray, 2004
Fofoca (in)fértil
Hello Darlings!
Que mania que as pessoas têm de andarem sempre a perguntar: «Então, quando é que vêm os filhos?». Pois a minha querida amiga Sandra Bullock, de 44 anos, também não acha piada nenhuma. Há uns anos atrás, na estreia do filme “Infamous”, a actriz zangou-se com um jornalista que lhe perguntou se ela e o marido estavam à espera dum bebé. A nossa lindíssima Sandra exaltou-se e, apontando um dedo na cara da jornalista, disse: «Meu Deus, essa pergunta é horrível. E sabe que mais? E se eu não pudesse ter filhos?» É assim mesmo, Sandra. Apoiado!
Deixo aqui um desafio: o que é que gostariam de dizer às pessoas quando vos fazem este tipo de perguntas?
IVF Fashion
PostSecret
Voz emprestada: “O senhor do adeus”
«Há personagens que fazem parte da nossa vida sem que com elas tenhamos trocado uma só palavra. Habituamo-nos à sua presença e são como que património da nossa vivência. Hoje apeteceu-me falar de uma destas personagens. Há já muito que lhe quero dedicar um post e hoje resolvi finalmente fazê-lo. Escolhi-o porque passo por ele todos os dias e porque é suficientemente carismático para me roubar algumas palavras escritas.»
Versão completa: http://aromadeamora.blogspot.com/2008/06/o-senhor-do-adeus.html
João Sem-Irmãos
«João sem-irmãos é a história de um menino que não tinha irmãos. O João habituou-se a brincar sozinho e a fazer de cada árvore, de cada rajada de vento, seus companheiros e irmãos. Conheceu o Afonso, que tinha 6 irmãos e não sabia como brincar e como viver quando eles não estavam presentes. O João não tinha aqueles medos e ajudou-o a tirar o melhor partido da vida, mesmo estando sozinho.»
De Paula Pato e Paulo Oliveira; Ilustração de Paulo Oliveira
Fica aqui a recomendação deste livro para todos os pais que, tal como eu, não conseguem ou não querem ter mais filhos. Através do imaginário infantil, João explica aos meninos que também há coisas boas em ser filho único.
www.webboom.pt/ficha.asp?ID=171526
IVF Fashion
Ainda sobre abelhas…

Cadeiras
«Esta pintura representa uma sala de espera, numa clínica de infertilidade; queria algo mágico. O quadro está cheio de símbolos. As abelhas são as pessoas que trabalham com o Doutor (a cadeira). As abelhas trabalham arduamente, levando o pólen de flor em flor, para as fertilizar.»
Carmen Martínez Jover é uma artista plástica que tem uma paixão por “cadeiras”. O seu trabalho desperta-nos sentimentos de felicidade, de estar-junto, de solidão, de tristeza. Utilizando cores vivas, as suas pinturas contam-nos histórias de muitas famílias e emoções. As representações de cadeiras começaram por ser a sua forma de expressar sentimentos pessoais de tristeza, frustração ou impotência em relação à infertilidade; graças a estes momentos de meditação interna, conseguiu assim criar novas formas de expressar o seu amor pela vida e de persisitir na vida.
Fofoca (in)fértil
Hello Darlings!
Quem é fã de ER que se acuse. Cá estou com o dedo no ar…! Já agora, alguém sabe o nome da actriz que dá vida à personagem de Dr. Elizabeth Corday? Lembram-se daquela médica que teve um romance com Benton e depois mais tarde casou com Mark Greene (o que eu chorei quando ele morreu…). Quem pensou em Alex Kingston, acertou!
Alex Kingston batalhou 6 anos contra a infertilidade, até conseguir a sua menina, Salome, em 2001. Diz ela: «Desde os meus 18 anos que sonho ser mãe e nunca pensei que teria problemas. Mas apercebi-me durante o meu primeiro casamento [com Ralph Fiennes] que isso não iria acontecer de uma forma natural. Não foi diagnosticado qualquer problema. É daquelas coisas. Como não iria acontecer naturalmente, o Florian [marido actual] e eu decidimos avançar para FIV.»
Diz a Alex que os tratamentos eram muito desgastantes, sobretudo quando tinha que passar 15 horas nos estúdios a gravar. A actriz teve tanto medo que os tratamentos não resultassem, que optou por não dizer a ninguém nos primeiros meses. Foi o apoio incondicional do marido que a ajudou a ultrapassar os momentos menos bons. Procurou também a ajuda de uma psicóloga e praticou ioga. Coisas que a gente percebe…
Quando questionada pelo Guardian sobre como se sentiria se a maternidade lhe tivesse escapado, diz a Alex: «A ideia de não vir a ser mãe não me assustava, porque nunca pensei que conseguiria mesmo engravidar. Já estava a tentar há tantos anos e nada; bem lá no fundo já tinha aceitado que nunca iria acontecer. Mas sim, ter-me-ia arrependido. Ainda hoje quero dar um irmão à minha filha. Pode ou não resultar, posso até ter sido uma sortuda por ter já uma criança.»
Hoje a Alex Kingston apoia a HER trust, uma associação que se dedica a investigar a “infertilidade inexplicada”, aprofundando as questões que ainda não têm respostas.
CTT - Fazer comunidade

Saving Grace

É uma história tocante. No suplemento do Guardian, Grace, uma mulher do Malawi, infectada com o vírus da Sida, espera agora um filho. Grace retrata a triste realidade de muitas mulheres nesta parte do globo. Depois da morte da filha e do marido, também infectados com o vírus da Sida, previa-se que o seu destino tivesse o mesmo desfecho. No entanto, depois de o Guardian ter publicado a sua história há uns anos, uma instituição humanitária interessou-se por ela e Grace passou a tomar um cocktail de medicamentos, que lhe permite levar a vida com certa normalidade. Entretanto arranjou um namorado, porque esta é a forma de as mulheres arranjarem sustento na sua comunidade, e entretanto o sonho voltou à sua vida, com a chegada de um filho. Às vezes um bebé é razão para viver duas vezes…
“Then I wonder, I wonder,” she says, hardly able to believe what had happened. “For two and a half months I was worried. But I went to friends and talked. The friends say ah, Grace, don’t worry. Everything is the work of God.” Now, she says, “I want to have a baby. I have no baby. I’m happy to have a baby.”
http://www.guardian.co.uk/world/2008/jun/07/aids.internationalaidanddevelopment
Voz emprestada: “Mundos”
«Deve acontecer com a maioria das pessoas mas sinto muitas vezes que a minha vida se divide em vários mundos, cada um deles habitado por certas pessoas e confinados a determinados locais. O mundo do trabalho, o mundo do lazer, são povoados, na sua maioria, por pessoas distintas e em locais claramente diferenciados. Na verdade esta situação não tem nada de original, mas o que é certo é que habituou o meu cérebro a uma determinada formatação.»
Versão completa: http://aromadeamora.blogspot.com/2008/01/mundos.html
Infertility
Samira Abbassy
Infertility, 1999-2000













