Viver a vida…

Publicado em Sobreviventes por Fernando M. Oliveira em 13 Setembro 2008

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A aceleração contemporânea tem motivado nos últimos tempos várias reacções a favor da lentidão, do abrandamento e da apreciação demorada das pequenas&grandes coisas da vida. Dois exemplos, tirados mais ou menos ao acaso:

1 – The School of Life
Uma escola para ensinar a degustar, a apreciar e a praticar o que chamam “biblioterapia”
 http://www.theschooloflife.com/about.aspx

2 – In Praise of Slowness
Um elogio da lentidão, de Carl Honore, contra o culto da velocidade. Destaca as vantagens do tempo lento na mesa, no trabalho, nas férias… e também na cama. Termina com um capítulo sobre como educar uma criança para não ser apressada/estressada.
 http://www.amazon.com/Praise-Slowness-Challenging-Cult-Speed/dp/0060750510/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1220918585&sr=1-1
 

A imagem da infertilidade

Publicado em Infertilidade, Sobreviventes por Anna Pires em 21 Julho 2008

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«Esta é a minha imagem da infertilidade. Sim, quando esta foto foi tirada eu estava na lista de espera para um dos mais avançados tratamentos de fertilidade num dos mais conceituados hospitais do nosso planeta. Estávamos lá porque um médico do instituto “Silicon Valley” disse-nos que seria praticamente impossível conceber sem recorrer a procedimentos de alta tecnologia.

Enquanto brindava a mais um aniversário (na foto), secretamente estava a pensar que no aniversário seguinte estaria a segurar um bebé e não um copo de vinho na mão.

Naquele tempo de esperança e inocência (e quando ainda era loira) eu não tinha ideia nenhuma o quanto me iria apegar às imagens das ecografias a meio do ciclo. O embriologista aumentava ainda mais a minha esperança ao dizer-me que os meus embriões pareciam ser de uma mulher 10 anos mais nova. Eram “lindos”, dizia ela.

Quantos sonhos não associei a eles! E que difícil que era chegar tão perto da maternidade; passando com uma perna às costas todos os testes da medicina reprodutiva, mas chumbando o exame final! Entrei em negação nos anos que se seguiram. Ainda era jovem o suficiente para engravidar espontaneamente e, tendo sido educada na religião católica, ainda acreditava em milagres. Simplesmente não conseguia desligar-me da ideia que tínhamos chegado tão perto de criar os nossos filhos.

Apenas nestes últimos 18 meses é que decidi que estava na altura de finalmente abrir mão da esperança, enterrar o sonho e fazer o meu luto devidamente. Desde então tenho sentido de forma instintiva as emoções dolorosas que eu tinha fechado a sete chaves dentro de mim. Tem sido difícil. Nunca pensei que seria possível sentir uma tristeza tão profunda, mas houve tempo suficiente para essa tristeza ir crescendo dentro de mim. Já se passaram 12 anos desde que primeiro imaginei como seria conceber, estar grávida, e depois ver os olhos do meu marido ou o sorriso da minha mãe ou o humor do meu pai ter continuidade num filho meu. Agora estou a fechar um capítulo da minha vida.

Está na altura de olhar para a frente e não para trás (…) E para todas que ainda tentam engravidar, eu espero que compreendam que caso tenham sucesso ou não, é sempre possível apanhar os cacos e refazer a vida.»

http://coming2terms.com/2008/06/08/becoming-me.aspx

Pamela Tsigdinos, 44 anos, desistiu de tratamentos depois de longos anos a lutar contra a infertilidade, optando por uma vida sem filhos. Hoje ela dedica-se ao seu blog coming2terms, ajudando outros casais inférteis que “optaram” por uma vida sem filhos a lidar com as suas emoções.

Voz emprestada: “O senhor do adeus”

Publicado em Sobreviventes por APFertilidade em 19 Junho 2008

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«Há personagens que fazem parte da nossa vida sem que com elas tenhamos trocado uma só palavra. Habituamo-nos à sua presença e são como que património da nossa vivência. Hoje apeteceu-me falar de uma destas personagens. Há já muito que lhe quero dedicar um post e hoje resolvi finalmente fazê-lo. Escolhi-o porque passo por ele todos os dias e porque é suficientemente carismático para me roubar algumas palavras escritas.»

Versão completa: http://aromadeamora.blogspot.com/2008/06/o-senhor-do-adeus.html

Saving Grace

Publicado em Sobreviventes por Anna Pires em 08 Junho 2008

 

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É uma história tocante. No suplemento do Guardian, Grace, uma mulher do Malawi, infectada com o vírus da Sida, espera agora um filho. Grace retrata a triste realidade de muitas mulheres nesta parte do globo. Depois da morte da filha e do marido, também infectados com o vírus da Sida, previa-se que o seu destino tivesse o mesmo desfecho. No entanto, depois de o Guardian ter publicado a sua história há uns anos, uma instituição humanitária interessou-se por ela e Grace passou a tomar um cocktail de medicamentos, que lhe permite levar a vida com certa normalidade. Entretanto arranjou um namorado, porque esta é a forma de as mulheres arranjarem sustento na sua comunidade, e entretanto o sonho voltou à sua vida, com a chegada de um filho. Às vezes um bebé é razão para viver duas vezes… 

“Then I wonder, I wonder,” she says, hardly able to believe what had happened. “For two and a half months I was worried. But I went to friends and talked. The friends say ah, Grace, don’t worry. Everything is the work of God.” Now, she says, “I want to have a baby. I have no baby. I’m happy to have a baby.” 
http://www.guardian.co.uk/world/2008/jun/07/aids.internationalaidanddevelopment