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Quanto peso tem o peso na infertilidade?

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 08 Maio 2009

“Olá, mãe, eu ainda não existo”

Publicado em Artes por APFertilidade em 03 Maio 2009

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Olá, mãe, eu ainda não existo
sou apenas o teu sonho de ternura
em busca da eternidade
Sei que me procuras com todo o risco
os teus dias são feitos de amargura
para que o destino seja natividade
Eu tenho um nome antes de nascer
e uma casa plena de afectos
para que, mãe, possas renascer
e eu seja o sentido
dos teus projectos.

Eu não desisto de ti, mãe
Sou apenas uma ideia quando olhas as estrelas
perdida no paraíso dos sonhos
Um dia serei alguém
a navegar nos teus braços como caravelas
no mar dos teus olhos risonhos
Eu sou o filho que te espera
no mundo desconhecido do além
farei parte de uma nova era
serei o filho sonhado de minha mãe.

Luís Filipe Sarmento escreveu especialmente para este dia e para este blog o poema acima transcrito. Poeta, jornalista, tradutor e realizador com trabalhos em televisão e vídeo, Luís Filipe Sarmento é autor de títulos como Trilogia da noite (1978), Nubens (1979), Fragmentos de uma conversa de Quarto (1989), Boca barroca (1990) e de A Crónica da Vida Social dos Ocultistas (2008).

Quero ser mãe…

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 03 Maio 2009

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 300.000 mulheres portuguesas querem celebrar este dia
 
No dia da Mãe são muitas as mulheres portuguesas que não recebem presentes, que não sentem o abraço apertado de um filho, que não saboreiam o prazer de um beijo acompanhado pelo som da palavra Mãe.

Para assinalar o Dia da Mãe, a Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) lança o projecto “querosermae.com”, a maior sondagem online dirigida a futuras mães e onde estas poderão dar voz ao sonho respondendo à pergunta: “O que dirá ao seu filho quando o vir pela 1ª vez?”.

A APF acredita que o Dia da Mãe é o momento justo para fazer brilhar este acto de imaginação no coração de todas as futuras mães. 
 
A infertilidade é uma doença com uma prevalência que se estima atingir 15 a 20 % da população em idade reprodutiva, afectando em Portugal cerca de 290 mil casais.

A APF nasceu como um projecto fundamentalmente destinado a apoiar, informar e defender as pessoas com problemas de fertilidade. Para saber mais sobre a APF, visite o site oficial: www.apfertilidade.org, o maior portal em português com informação sobre infertilidade.

“Viagens: a arte e a ciência de fazer bebés”

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 01 Maio 2009

Reproduzimos de seguida o trailer do que será um dos melhores documentários produzidos por clínicas de PMA (Fertility Centers of Illinois) sobre a experiência da infertilidade e o quotidiano dos tratamentos, acompanhando a história de alguns casais. O filme estreia amanhã, numa escola de artes em Chicago (The School of the Art Institute of Chicago).

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 01 Maio 2009

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(2) O Sonho de Kokopelli

Publicado em Mitos & Lendas por Nicolau Gomes em 20 Abril 2009

(1) A história de Kokopelli

Publicado em Mitos & Lendas por Nicolau Gomes em 20 Abril 2009

Kokopelli é um deus da fertilidade, originário dos povos nativos da América do Norte, geralmente representado como humilde tocador de flauta, com penas exuberantes na cabeça. Eis umas das muitas versões sobre a origem de Kokopelli, o deus que preside ao nascimento das crianças e também à fertilidade dos campos:

Voz com corpo…

Publicado em Infertilidade, Opinião por Nicolau Gomes em 19 Abril 2009

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“A voz da rádio” é uma daquelas expressões feitas que tendem a esconder o significado das palavras. A reportagem “Sementes de Esperança”, da autoria de Teresa Bizarro, na TSF, lembra-nos como a rádio pode de facto ser voz autêntica, uma voz absoluta, sem a dispersão causada pelas imagens que saturam o espaço mediático. É esta voz com corpo e respiração que se ouve ao escutarmos a Maria, o João, a Mafalda, a Gisela, a Kitty, o Pedro, a Filomena, e ainda outras vozes de médicos e psicólogos que nos últimos anos vêm lidando com a infertilidade em Portugal. Na memória fica o eco e os danos causados a muitas vidas suspensas: “somos tantos, porque tardam em olhar para nós?”; “esta doença foi deixada para trás”; “aí o mundo desabou”; “as mulheres culpabilizam-se muito”; “foi preciso bater no fundo para reencontrar o sentido da vida”; “perdem o sentido da existência”; “um coração que faz profissão de fé na ciência”; “passei a ver a infelicidade com outros olhos”…

A reportagem pode ser ouvida na íntegra aqui:
http://tsf.sapo.pt/programas/programa.aspx?content_id=917979

Citações (1): os filhos entre a economia e o afecto

Publicado em Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 14 Abril 2009

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«Em termos históricos, um filho era valorizado no sentido em que contribuía com o seu trabalho para a sobrevivência da tribo. À medida que a civilização evolui e entram em cena as relações monogâmicas, reguladas por autoridades civis e/ou religiosas, o papel e a importância dos filhos tornou-se mais complexo […] Com a Revolução Industrial, as mulheres e os filhos deixam progressivamente de constituir mão-de-obra potencial e são deslocados para a esfera doméstica. As leis que no início do século XX anunciam a proibição do trabalho infantil acabam por acelerar, um pouco por todo o mundo, uma mudança social de proporções monumentais: os filhos começam a ser valorizados pelos vínculos afectivos, pela companhia e pelo estímulo que proporcionam e as mulheres são ainda mais intimamente associadas à função maternal. Assim, à medida que os filhos deixam de ter um valor funcional e se tornam economicamente inúteis, em termos emocionais e afectivos, pelo contrário, tornam-se um bem precioso» (Linda Hammer Burns)

Histórias de Encantar

Publicado em Livros por Anna Pires em 05 Abril 2009

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Matthew adorava ler livros antes de dormir. Aconchegava-se todas as noites à mãe ou ao pai ou a ambos, para ler um livro. Umas noites era uma história de piratas, outras noites de algum rei ou mesmo histórias de monstros.

Mas havia uma história que era a preferida de Matthew. A mãe dizia que também era a sua predilecta, o conto de encantar a família. Matthew adorava ouvir essa história.

- “Mamã?” perguntava Matthew
- “Diz”, respondia a mãe
- “Conta-me a nossa história preferida”
- “Está bem. Estás pronto?”
- “Sim!”

Assim começa o livro “Hope and Will have a Baby”, a história dum menino que descobre a luta e sucesso que os pais tiveram em criar a sua família, tendo recorrido à adopção de um embrião. Este título faz parte duma colecção de 4 livros, escritos por Iréné Celcer e ilustrados por Horácio Gatto, redigidos numa linguagem própria para crianças, de modo a explicar quatro caminhos diferentes para a concepção: doação de óvulos, de esperma, de embrião ou maternidade de substituição.

“Mãe há só duas”

Publicado em Infertilidade, Política por Fernando M. Oliveira em 05 Abril 2009

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«O que é que isto quer dizer? Que a lei, mesmo quando parece avançada e mesmo quando é objecto de contestação, não está a fazer engenharia social, mas sim a enquadrar situações que existem no terreno e que até nem são tão raras como se pensa. Isto não significa que elas devam ser aceites por esse facto – há comportamentos que a sociedade reprova e que não vai legalizar apenas pelo facto de serem comuns. Mas significa que um dos argumentos mais vezes avançados contra as leis socialmente mais liberais – o de que vão abrir uma caixa de Pandora com consequências imprevisíveis – não tem muitas vezes razão de ser. A caixa de Pandora, se existe, já foi aberta há muito e ninguém reparou.

Há outra coisa que decorre da abundância de situações deste tipo: houve tempo para realizar estudos e estudos com grupos de dimensão razoável e com um recuo temporal considerável – nomeadamente estudos sobre jovens adultos que cresceram em casas onde os pais eram duas pessoas do mesmo sexo (dois pais, duas mães) e que permitem extrair conclusões sobre o seu desenvolvimento geral e sobre uma das grandes interrogações: estes pais influenciam de alguma forma a identidade e a orientação sexual dos seus filhos?

‘Há muitos estudos feitos desde os anos 70, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos, sobre o desenvolvimento das crianças educadas por casais do mesmo sexo”, diz-nos Susan Golombok, directora do Centro de Investigação sobre a Família da Universidade de Cambridge e uma das autoridades mundiais em famílias lésbicas. “Nessa altura não se sabia nada sobre isto e estes estudos foram desencadeados por casos judiciais de custódia de crianças em casos de divórcio. Mais tarde, com a difusão do recurso a PMA por parte de casais de lésbicas, houve uma proliferação de estudos. E a verdade é que estas crianças – e estes jovens, porque nós seguimos as crianças até à idade adulta – não apresentam diferenças significativas em relação a quaisquer outras do ponto de vista do bem-estar psicológico, do comportamento, do ponto de vista do desenvolvimento do género, da identidade de género, quer, especificamente, do ponto de vista da sua orientação sexual. Não há mais homossexuais entre os jovens que foram educados por um casal homossexual do que na população em geral.’»

Excerto de um artigo de José Vitor Malheiros que vale a pena ler, aqui ou aqui.

Música às segundas…

Publicado em Outros Mundos por Nicolau Gomes em 30 Março 2009

Sobre os riscos da FIV

Publicado em Ciência, Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 29 Março 2009

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Existe uma espécie de tabu quando se fala dos riscos da procriação medicamente assistida. Há já algum tempo que timidamente se especulava sobre os riscos da PMA, mas apenas com um estudo recentemente divulgado pelo New York Times, entre outros jornais, se tornou mais claro para o grande público a natureza e o grau dos problemas eventualmente causados, sobretudo pela utilização da FIV. O estudo em causa confirma um aumento dos problemas ao nível do aparelho digestivo, malformações do palato e do coração. Estes dados poderão, no caso inglês, obrigar os médicos a informarem os doentes, como parece resultar da acção da entidade reguladora local (Human Fertilisation and Embryology Authority). No entanto, antes de generalizações catastrofistas, vindas sobretudo dos que são contra toda e qualquer prática associada à PMA, vale a pena dizer que os riscos não só são muito pequenos, como não se sabe ainda se o motivo se deve à técnica da FIV em si mesma ou aos gâmetas das pessoas com problemas de fertilidade.

O espermograma…

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 27 Março 2009

Sexo gourmet

Publicado em Humor por Nicolau Gomes em 27 Março 2009

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Uma notícia recente no Guardian dava conta dos benefícios do “sexo gourmet”. Anuncia-se assim (finalmente, dirão muitas almas…) que a velha máxima “quanto mais melhor” vale também para a fertilidade. Não só a quantidade de espermatozóides aumenta, como a sua qualidade melhora substancialmente. Mas a leitura do artigo comprova ainda a importância dos exercícios de aquecimento: «5 minutos de actividade sexual prévia à ejaculação podem aumentar em 25 milhões o número de espermatozóides». Perante estes dados, torna-se claro que as clínicas de fertilidade deveriam avançar com um up-grade urgente das instalações destinadas à recolha de esperma, dotando-as de melhores equipamentos e de espaço mais condizente com as últimas revelações científicas. 

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 22 Março 2009

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Quero ser pai…

Publicado em Infertilidade por APFertilidade em 18 Março 2009

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Para assinalar o Dia do Pai, a 19 de Março, que a Associação Portuguesa de Fertilidade lança amanhã um site inédito e pioneiro em Portugal, acessível no endereço www.queroserpai.com.
 
«Este site é dirigido a todos os homens que gostariam de ser pais e que até ao momento se viram impossibilitados de concretizar este desejo. Ao acedê-lo, o futuro pai poderá expressar o que diria ao seu filho, para tal, terá apenas de responder a um questionário cujo objectivo será o de avaliar a realidade portuguesa e as circunstâncias deste desígnio.
 
Conscientes de que o filho que habita o projecto de vida de cada um destes homens expressa simultaneamente um desejo pessoal e um tributo ao nosso futuro colectivo, a APF pretende assim levar a cabo a maior sondagem de sempre realizada a nível nacional dedicada a esta temática e cujos resultados alcançados serão devidamente divulgados em data a definir.»

“Sem um filho te apagarás no poente”

Publicado em Artes por Nicolau Gomes em 14 Março 2009

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«A luz real ergueu-se a oriente
com a coroa de fogo na cabeça:
e o nosso olhar, vassalo obediente,
ajoelha ante a visão que recomeça.
Enquanto sobe, Sua Majestade,
a colina do céu a passos de oiro,
adoramos-lhe a adulta mocidade
que fulge com as chamas dum tesoiro.
Mas quando o carro fatigado alcança
o cume e se despenha pela tarde,
desviamos os olhos já sem esperança:
no crepúsculo estéril nada arde.
    Assim tu, meio dia ainda ardente,
    sem um filho te apagarás no poente.»

William Shakespeare (Soneto nº 7), em tradução de C. de Oliveira
Original + explicação:
http://www.shakespeare-online.com/sonnets/7detail.html

Condenado ao sucesso…

Publicado em Outros Mundos por Fernando M. Oliveira em 13 Março 2009

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A Áustria alberga as coisas mais insuspeitas. A imagem acima reproduzida ilustra a campanha de marketing PROfertil, um medicamento destinado a melhorar a qualidade do esperma, anunciado com toda a pompa, acompanhado de estudos, testemunhos e endereços. A crer pela foto, PROfertil está condenado ao sucesso.  Pode visitar o site original clicando (gentilmente) sobre a foto…  
 

Voz emprestada: infertilidade e parentalidade

Publicado em Sobreviventes por APFertilidade em 11 Março 2009

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Que espécie de pais fazem os casais com problemas de fertilidade? Cláudia Collucci dá voz à psicóloga Luciana Reis:
«Casais que vivenciam a infertilidade acabam tendo um tempo maior para desejarem o filho e pensarem seus papéis de pais e sua vida conjugal em relação aos casais que engravidaram sem nenhuma dificuldade. Muitos estudos com famílias que utilizaram tecnologias de reprodução assistida apontam que essas famílias possuem pais mais dedicados, mães mais afetivas e desempenhando melhor sua função maternal, quando comparadas às famílias que conceberam naturalmente»

Versão completa: http://claudiacollucci.blog.uol.com.br/

A propósito de segredos…

Publicado em Artes por Nicolau Gomes em 11 Março 2009

A minha vida secreta

Publicado em Opinião por Anna Pires em 04 Janeiro 2009

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“Não SOU adoptada; as minhas origens são misteriosas.”

Como pessoa que foi adoptada, repeti esta frase inúmeras vezes ao longo da minha vida. Gosto tanto dela que a coloquei na boca de uma personagem no romance que estou agora a escrever. Tanto a personagem como eu própria temos orgulho nesta afirmação. Imaginamo-nos a viver nas páginas densas da ficção do século XIX, uma época em que a questão da origem – saber quem era o pai e a mãe – não era tão importante quanto as “circunstâncias” de cada um de nós.

Alguns dirão que cheguei a esta conclusão porque até há pouco desconhecia tudo o que rodeou a minha adopção. Mesmo a data da sua ocorrência era um segredo. (A funcionária disse-me ao telefone, “Esses são dados reservados”; e eu perguntei “Sei que não os posso ver, mas posso ao menos saber a data que consta nos registos?”. Ela responde: “Até isso está selado” – uma declaração perturbadora, pois fazia-me imaginar uma sucessão infinita de envelopes dentro de outros envelopes.

Claro, ter origens misteriosas é um assunto complicado nos dias que correm. Uma pessoa pode ser gerada num ventre desconhecido e os genes serem uma combinação entre os nossos pais e uma estranha; o ventre materno pode até misturar apenas os genes da mãe com os de um estranho – para não falar no caso dos irmãos desconhecidos que podem andar por aí, após uma doação de esperma. Existem pais adoptivos e pais biológicos, mães gestacionais e dadores de gâmetas – toda uma diversidade de adultos que podem reclamar a paternidade/maternidade com base no sangue, nos genes, no nascimento, na lei ou no afecto.

Temos direito a conhecer estas pessoas todas? Se assim for, terão estas pessoas também o direito recíproco de conhecer as crianças em cujo nascimento participaram?

Não vou sequer tentar responder a estas perguntas. Parece que estamos destinados a ter uma longa conversa sobre este assunto nos anos que aí vêm. É certo que tudo aponta para uma maior abertura, para um “direito” em conhecer. Não sou contra esta tendência. Apenas quero dar ao desconhecimento a atenção que lhe é devida.

Gosto de mistérios. Gosto do sentido absolutamente singular que advém de termos uma origem desconhecida (por mais falso que esse sentido possa ser). Tenho uma amiga próxima que também é adoptada. Trocámos umas ideias quando considerámos a possibilidade de inscrevermos os nossos nomes no registo de adopção do Estado de Nova Iorque, onde poderíamos saber algo mais sobre o nosso passado.

A minha amiga cresceu numa pequena vila perto de uma universidade. Ela tinha inventado para si própria uma fantasia satisfatória, segundo a qual a mãe e o pai tinham estado na vila como bolseiros do Banco Mundial, desempenhavam os papéis de “rei” e “rainha”, numa região remota em que toda a gente gozava de boa saúde e sobrevivia em regime dietético, baseado em iogurte de iaque, até aos 110 anos de idade. Ela decidiu não avançar com o registo. “Para mim uma família é mais do que suficiente”, disse-me.

As minhas fantasias eram mais difusas: o conjunto de pais incluía uma actriz, músicos populares, escritores e intelectuais. Tenho a certeza de que nenhum deles era como os especialistas em computação e ciência que correm nas veias da família do meu pai adoptivo. Creio que é por sua causa, por causa do exemplo destes engenheiros e professores de matemática, que eu própria entrei para engenharia informática, um campo para o qual não tenho uma inclinação natural (era suficientemente boa, mas tive de estudar bastante). Se eu tivesse sido educada por sonhadores compulsivos - escritores, leitores ou os que escrevem cartas sem fim – pessoas que certamente incluíram os meus pais “naturais”, jamais teria passado vinte anos como programadora de computadores.

E este é exactamente o meu ponto. Imagino logo a minha mãe biológica percorrendo as páginas de “Daniel Deronda” (Livro V, “Mordecai”), de George Eliot, dizendo “Querida, andas para aí a lutar com esses programas austeros e ainda nem leste ‘Middlemarch’”. E assim eu teria desistido precocemente de tentar o meu algoritmo da sorte, tal como teria passado ao lado da profissão que define a época em que vivemos.

Ninguém é o equivalente genético dos seus pais. A Natureza deu-se ao trabalho de garantir que somos diferentes (mais uma boa razão para lutarmos contra a hipótese de juntar a clonagem ao leque das opções parentais). Através do milagre da recombinação genética, cada filho, com excepção de um gémeo monozigótico, constitui-se como um indivíduo único. Até o ambiente do ventre materno opera as suas subtilezas, de modo que quando nos confrontamos com a luz do dia, estamos já por nossa conta. Conhecer cada um dos nossos antepassados jamais resolverá o mistério mais profundo, justamente o insondável que é conhecer aquilo que um dia seremos.

New York Times, 1 de Janeiro de 2009
http://www.nytimes.com/2009/01/02/opinion/02ullman.html?_r=1

[Ellen Ullman é autora de diversos livros de programação informática e de dois romances]
A tradução é do Marco, no Fórum APFertilidade:
http://forum.apfertilidade.org/phpBB2/viewtopic.php?t=22272

Boas Festas

Publicado em APFertilidade por APFertilidade em 23 Dezembro 2008

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A Respiração dos Poetas

Publicado em Artes por Ana Fonseca em 23 Dezembro 2008

A propósito do Natal… e dos desafios, sonhos e conquistas que um berço (cheio de esperança) é capaz de representar …

Poema de Natal


Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Vinicius de Moraes

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 21 Dezembro 2008

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Sobre o programa especial de incentivos à pma…

Publicado em Humor por Nicolau Gomes em 06 Dezembro 2008

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“A Igreja, a sexualidade e a bioética”

Publicado em Opinião por Fernando M. Oliveira em 29 Novembro 2008

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As crónicas do Padre Anselmo Borges continuam a ser dos melhores motivos para se comprar o “Diário de Notícias” aos Sábados. Podemos discordar (e discordo muitas vezes), mas a sua escrita alimenta a reflexão e, em dias como o de hoje, interroga o fundamento das posições da Igreja institucional. Ao comentar o livro “A Sexualidade, a Igreja e a Bioética. 40 anos de Humanae Vitae”, o Padre Anselmo Borges questiona o que terá “envenenado” a relação da Igreja com o corpo e a sexualidade, passando pela ideia de pecado original, pela imposição (oficial e tardia) do celibato e, importante para o que aqui interessa, sobre os limites incertos entre o que é biológico/natural e o que é artificial:

«Neste domínio da contracepção, o equívoco fundamental da encíclica Humanae Vitae encontra-se numa concepção de lei natural fixa, estática e centrada na biologia. Ora, por natureza, o ser humano é cultural e histórico e a própria realidade é processual. A sexualidade humana não pode ser vista apenas na sua vertente biológica. Como pode o Magistério fixar-se na biologia, esquecendo que, para ser verdadeiramente humana, a sexualidade envolve o biológico, o afectivo, a ternura, o amor, o espiritual? Por outro lado, na perspectiva bíblica, não criou Deus o Homem como criatura co-criadora? Não é o Homem, por natureza, interventivo, aperfeiçoador e transformador da natureza? Então, no juízo moral, o critério não pode ser o natural identificado com o bem e o artificial identificado com o mal, mas a responsabilidade digna e a dignidade responsável.»

Versão completa:
http://dn.sapo.pt/2008/11/29/opiniao/igreja_sexualidade_e_bioetica.html

A infertilidade no mundo

Publicado em Infertilidade por Fernando M. Oliveira em 28 Novembro 2008

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Em 2007 tive oportunidade de ouvir o especialista Willem Ombelet falar sobre a infertilidade nos países em desenvolvimento. Nessa ocasião desfilaram perante a plateia  números assustadores, representações cruéis da infertilidade noutras culturas, dificuldades em acomodar os tratamentos de PMA em países com inúmeras carências económicas, a necessidade de planos específicos e de formação básica em medicina da reprodução. Ora, o “Jornal de Angola” anunciava há dias a entrada da PMA no país, dando conta da ajuda decisiva de uma equipa de médicos brasileiros. O relato mostra-nos evidentemente o drama pessoal da infertilidade, mas acrescenta ao universo que nos é familiar outras percepções, relacionadas com a localidade angolana. Um excerto: 

«Ciúmes, tristezas, traições, divórcios e desavenças tomam conta de muitos lares por falta de um herdeiro. Domingos Fernando, 41 anos, é apenas um, no universo de muitos parceiros, que luta dia e noite para manter o casamento. A infertilidade acomete a sua esposa há onze anos. (…) Domingos Fernando disse que já recorreu a pelo menos cinco ou seis terapeutas tradicionais, mas o tratamento não resultou na concepção de mais um filho por parte de companheira. “Já fui a Viana, Rocha Pinto, atrás da FTU, 1º de Maio, até Benguela e, por um fio, iria ao Dombe Grande, porque não imagina o sentimento de culpa e a pressão que recebo da parte da mulher”, acrescentou. A companheira de Domingos sentiu-se ainda mais revoltada quando este fez outros filhos com uma outra mulher. De lá para cá, segundo Domingos, “a minha mulher diz que não ligo à situação dela e para evitar dissabores tive de reduzir à ida a segunda esposa”. Estas histórias dramáticas relacionadas, quer com a infertilidade masculina, quer com feminina, a partir dos próximos tempos, terão solução. Uma equipa de médicos brasileiros especializados em reprodução assistida está a fazer as malas rumo a Angola para trabalhar no “Projecto vida”.»

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 03 Novembro 2008

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Música às segundas…

Publicado em Infertilidade por Nicolau Gomes em 28 Outubro 2008

Lady Saw
“No Less Than a Women”
NB: Lady Saw escreveu esta música especialmente para as mulheres que têm dificuldades em ter filhos.

Voz emprestada: teste de fertilidade

Publicado em Ciência por APFertilidade em 27 Outubro 2008

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«Especialistas em fertilidade da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, desenvolveram um teste que prevê quanto tempo de fertilidade as mulheres ainda têm pela frente. O teste mede o número de óvulos nos ovários femininos e indica qual deve ser o nível dele dentro de dois anos. O exame já está disponível em serviços de saúde da Europa e dos EUA, com o nome de “Plan Ahead Test” (Planeje com Antecedência, em tradução literal). Veja o site do produto http://www.early-pregnancy-tests.com/planahead-test.html

O especialista em fertilidade Bill Ledger, que desenvolveu o kit para o exame, disse que está confiante de que o teste é uma previsão exata da fertilidade, e que ele espera que permita às mulheres planejar melhor seu futuro e decidir por quanto tempo elas podem adiar a decisão de ter um filho. “Se ter uma família é a coisa mais importante, é melhor você começar a tentar ter filhos na faixa dos 20 anos – não há dúvidas de que quanto mais você adia, maior a chance de decepção”, disse ele.»
Continua aqui: http://claudiacollucci.blog.uol.com.br/
 

A esterilidade é uma doença, afinal?

Publicado em Infertilidade por Ana Fonseca em 23 Outubro 2008

Toda a gente sabe que a Clara Pinto Correia é infértil. Ela fez questão de o afirmar, de contar o seu historial de tratamentos, de mostrar o orgulho pelas duas crianças - dois irmãos - adoptados há já vários anos. Goste-se ou não de Clara Pinto Correia, foi uma das primeiras “figuras públicas” a “dar a cara” pela infertilidade, quando este assunto era pouco mais que um sussurro envergonhado nas esquinas de um sofrimento que se vivia sobretudo a dois.

Por tudo isto vale a pena recuperar um excerto de um texto da sua autoria. Pode até parecer exagerado, mas acreditem…era assim. É assim?

“[…] Em poucas palavras: as pessoas, por tendência intrínseca e hábito civilizacional, não tendem a considerar a esterilidade um problema médico como qualquer outro, tão digno de apoio e cuidado como qualquer outro. Já me fartei de dar este exemplo, mas há fins que justificam os meios e por isso desculpem a redundância. Mas é que se a gente come marisco duvidoso e passa a noite a vomitar todos os nossos entes queridos se desmultiplicam em solicitudes. Se a gente parte uma perna, toda a gente nos enche de mimos e nos decora o gesso de autógrafos. Se a gente é estéril, os mesmíssimos entes queridos desviam a conversa e nadam-nos ir adoptar uma criança e parar de choramingar. O dilema da esterilidade é mais que médico. É cultural. Podem não acreditar, mas se somos estéreis e só queríamos encostar a cabeça no ombro de alguém por uns segundos é extremamente difícil encontrar o dito ombro.”

Há momentos em que a gente se lembra da Deolinda…

Publicado em Opinião, Política por Nicolau Gomes em 19 Outubro 2008

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!

Agora não, que é hora do almoço…
Agora não, que é hora do jantar…
Agora não, que eu acho que não posso…
Amanhã vou trabalhar…

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos vencer!

Agora não, que me dói a barriga…
Agora não, dizem que vai chover…
Agora não, que joga o Benfica…
e eu tenho mais que fazer…

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

Agora não, que falta um impresso…
Agora não, que o meu pai não quer…
Agora não, que há engarrafamentos…
Vão sem mim, que eu vou lá ter…

IVF Fashion

Publicado em IVF Fashion por Anna Pires em 18 Outubro 2008

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A tua assinatura pode fazer a diferença…

Publicado em Política por APFertilidade em 14 Outubro 2008

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Caras(os) Amigas(os),

Permitam-nos um momento político no blog da APFertilidade:

Assinem e divulguem. Todos juntos somos mais!  

APFertilidade

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