Algumas razões para a mudança de nome

11-11-2007

Caras(os) amigas(os),

A Assembleia-Geral do último dia 10 de Novembro aprovou a mudança do nome da associação, que passará agora a chamar-se Associação Portuguesa de Fertilidade. As razões para esta mudança foram, como é devido, apresentadas na AG e submetidas a votação. Trata-se de uma mudança muito significativa. Gostaríamos que marcasse um período de afirmação e consolidação do projecto que desde o início nos mobilizou. Acreditamos poder cumprir assim com mais eficácia os objectivos de sempre: apoiar e defender as pessoas com problemas de fertilidade.

A passagem da INFERTILIDADE para a FERTILIDADE constitui uma verdadeira mudança de paradigma, um modo novo e mais positivo de nos entendermos enquanto projecto e enquanto pessoas. As diferenças entre ambos os conceitos têm que ver simultaneamente com questões de princípio e com questões materiais, ambas importantes para a vida da associação. A palavra FERTILIDADE

. Acentua o que é positivo e comum aos outros;
. Aproxima-nos da sociedade e do desejo de ter filhos;
. Integra a Associação no âmbito mais alargado da saúde reprodutiva;
. Integra a Associação nas políticas de apoio à família;
. Permite fidelizar Associados já com filhos;
. Permite atrair pessoas sem problemas de fertilidade;
. Facilita a angariação de patrocinadores e de figuras de referência;
. Permite iniciativas públicas pela positiva, como a futura "Caminha pela Fertilidade" etc.

Quando o projecto associativo nasceu, estas razões não pareciam tão evidentes. Em 18 meses de vida, depressa percebemos que a mudança de nome podia contribuir fortemente para atingirmos os objectivos a que nos propusemos, desde as pequenas coisas às grandes questões, desde a relação com os outros à própria relação de cada um com as questões da maternidade/paternidade. Às vezes a palavra "Infertilidade" marca e entra de tal forma no mundo quotidiano que nem nos apercebemos do que ela significa de facto para os outros e do modo violento como ela pode separar e marginalizar.

Sucede ainda que, em geral, a vida das associações decorre sobretudo à custa da disponibilidade de pessoas que já passaram pelas dificuldades que as juntaram originalmente. São estas pessoas que têm as melhores condições psicológicas para um trabalho de apoio à comunidade. Temos de as acolher e não obrigá-las a pagar o preço social do nome "infertilidade", que é afinal uma designação clínica, ela própria sujeita a várias interpretações no âmbito da comunidade médica. Se apesar dos problemas de fertilidade se pode levar uma vida fértil, a "Associação Portuguesa de Fertilidade" é o espaço onde pretendemos caber todos por igual: é definitivamente um nome mais inclusivo e mais positivo.

A mudança foi também facilitada pelo facto de se integrar num movimento que podemos hoje reconhecer internacionalmente. É a comunidade um pouco pelo mundo que caminha em direcção a este nome, recusando uma condenação clínica, que em si mesma contém uma enorme diversidade de factores: somos pessoas que, por um acaso ingrato, têm problemas de fertilidade, mas somos pessoas, em primeiro lugar.

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