500.000 doentes inférteis ignorados

19-07-2007
Imagem do comunicado APInfertilidade :: Opinião - 500.000 doentes inférteis ignorados

É com enorme indignação que me dirijo a todos os governantes sobre a ignorância que as pessoas inférteis merecem no nosso sistema de saúde e na economia cada vez mais fragilizada por uma população envelhecida.
Em 11 de Julho de 2006 foi publicado em Diário da República a Lei da PMA e até este momento todos os que sofrem de infertilidade continuam abandonados nas listas de espera excessivamente longas das poucas instituições públicas que fornecem estes serviços, são privados da sua sáude reprodutiva pelo preço proibitivo dos medicamentos, pelos preços dos procedimentos de PMA praticados nas instituições privadas, pela negação das seguradoras de reconhecer a infertilidade como uma doença, e pelos desafios geográficos de quem vive longe dos grandes centros!
Para relembrar V. Exas, a Organização Mundial da Saúde considera a infertilidade uma doença (falência dos órgãos reprodutores, dos gâmetas ou do produto de concepção), assistindo aos pacientes o direito de acesso ao tratamento devido.

Em Portugal, são 500.000 os cidadãos afectados pela infertilidade, silenciosamente. Serão estes doentes menos doentes? Serão verdadeiras as preocupações com as baixas taxas de natalidade, a iminente falência da Segurança Social e a dramática inversão da pirâmide etária? Ou apenas argumentos políticos que ficam bem em qualquer campanha eleitoral?
Li com alguma satisfação a nomeação do prof. doutor Jorge da Cunha Branco como coordenador nacional do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva e espero sinceramente que todas as áreas do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva sejam tratadas com a dignidade que merecem, sendo finalmente atribuído aos doentes de infertilidade e subsequentemente à PMA a importância devida, sem o detrimento de que temos vindo a ser objecto para benefício de outras matérias!
Senhores governantes, 500.000 portugueses inférteis exerceram o dever cívico de votar e elegeram um executivo! Pedimos apenas a esse executivo que exerça também o seu dever de regulamentar a lei que vai finalmente prover a cada um destes cidadãos o tratamento atempado e adequado às necessidades da sua saúde reprodutiva.

(*) Doente infértil e membro da Associação Portuguesa de Infertilidade.

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