Indicações
Insuficiência prematura do ovário; ovariectomia; anomalias congénitas dos ovários; ovócitos dismórficos; ovócitos com anomalias genéticas; contra-indicação para hiper-estimulação hormonal; ?4 falhas de gravidez com ICSI e/ou DGPI; menopausa.
Emparelhamento entre dadora e receptora (paciente)
Na doação de ovócitos, efectua-se uma consulta com o casal para se recolherem os dados físicos e uma amostra de sangue da mulher, enquanto que o homem procede à colecta do sémen que de seguida é criopreservado. O centro procurará então uma dadora de ovócitos com as características genéticas similares à da mulher do casal infértil, uma procura segundo os processos de transplante e que pode demorar alguns meses (em média até cerca de 6 meses). Na doação de ovócitos efectua-se um emparelhamento físico e genético entre a dadora e a mulher infértil, de modo a serem os mais iguais possíveis: etnia, grupos sanguíneos ABO/Rh, estatura, cor de pele, cor dos cabelos e cor dos olhos. O emparelhamento entre as características da dadora e as da paciente do casal permite actualmente uma igualdade de 70% entre os genes maternos e os da dadora. Como o contributo materno para o bebé é de 50%, o ovócito doado leva 50x70=35% de genes maternos e 15% de genes externos. Se juntarmos os 50% do contributo paterno, dá um bebé com 85% (35%+50%) de identidade genética dos pais e só 15% de genes exógenos (que ficam limitados aos orgãos internos, e que não interferem nem aspecto físico nem no tipo de sangue). Trata-se de uma compatibilização do tipo usado nos transplantes.
Metodologia
Quando se obtém a dadora, inicia-se a preparação do endométrio da paciente alguns dias antes (1-2 semanas) da transferência prevista dos embriões. A recolha de ovócitos da dadora é efectuada por aspiração dos ovários após hiper-estimulação controlada do ovário. Cerca de 1 hora após a recolha, a dadora regressa ao seu domicílio em regime ambulatório. De seguida, os ovócitos da dadora são microinjectados com os espermatozóides criopreservados (após descongelação e purificação) do casal. A cultura dos embriões é então efectuada, e a transferência dos embriões para a paciente ocorre ao 2º, 3º ou ao 5º dia do desenvolvimento embrionário. Em alternativa, criopreservam-se os embriões para ulterior transferência programada. Com a evolução tecnológica, espera-se vir a dispor de bancos de ovócitos em vez de um bancos de dadoras potenciais.