Feliz Natal

Newsletter de Dezembro 2009
 

Actualidades

Newsletter de Dezembro 2009
 

ACTUALIDADES PMA

Novo site sobre fertilidade

Foi recentemente lançado um novo site sobre fertilidade no endereço http://www.fertilidadeumaviagem.com. Este site procura ajudar os casais que sofrem desta doença, disponibilizando uma série de informações úteis que vão desde a opção de tratamentos, aos exames e diagnóstico.

Primeiro Workshop dedicado à “Preservação da Fertilidade em Doentes Oncológicos”

Realizou-se no passado dia 7 de Novembro, no Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, o Primeiro Workshop dedicado à “Preservação da Fertilidade em Doentes Oncológicos”. Seguindo a tendência internacional de sensibilização de Médicos especialistas em Oncologia para este tema, o Hospital CUF Descobertas, com a colaboração do Centro Médico de Assistência à Reproduação- CEMEARE, promoveu uma sessão de discussão e esclarecimento sobre os métodos e técnicas disponíveis internacionalmente. O Centro Médico de Assistência à Reprodução – CEMEARE, foi pioneiro em Portugal na aplicação da Maturação oocitária in vitro - IVM no âmbito da preservação da fertilidade em mulheres com carcinoma. Através da participação da Drª Maria José Carvalho, especialista em Infertilidade e do Prof. Dr. Carlos Plancha, Embriologista Sénior e membro do Comité Executivo da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), este Centro contribuiu activamente para a divulgação das novas técnicas que podem a partir de agora ser disponibilizadas aos pacientes oncológicos, que se encontrem em idade fértil e manifestem o desejo de vir a constituir família após terapia.

Estudo Afrodite- Caracterização da infertilidade em Portugal

Foi editado em Portugal um estudo pioneiro da autoria do Prof. João Luis Silva Carvalho, denominado Estudo Afrodite- Caracterização da infertilidade em Portugal que teve como objectivo a caracterização dos conhecimentos, conceitos, atitudes, comportamentos e práticas relativos à infertilidade em Portugal (20-69 anos). Este trabalho consistiu num estudo epidemiológico transversal de uma amostra representativa da população Portuguesa com idade entre os 20 e os 69 anos que respondeu presencialmente a um questionário estuturado mediante visita domiciliária. Das conclusões obtidas no estudo destacam-se as que dizem respeito à prevalência da infertilidade estimando-se que em Portugal a prevalência da infertilidade ao longo da vida está entre os 9 e os 10% e a prevalência da infertilidade corrente ronde os 8%. Estima-se que em Portugal, em 2009, existam entre 266.088 e 292.996 mulheres (casais) inférteis. Outra das conclusões foi o facto de 93,7% dos Portugueses pensarem que o Sistema Nacional de Saúde deveria pagar integralmente (50,9%) ou comparticipar (42,8%) os tratamentos de infertilidade.

OUTRAS ACTUALIDADES

Adopção Internacional

Foram publicadas em Diário da República as Portarias que autorizam duas associações nacionais a exercer actividades de mediação em matéria de adopção internacional:

· A Portaria nº 1111/2009 de 28 de Setembro que autoriza a Associação Emergência Social a exercer a mediação da adopção internacional nos seguintes países de origem das crianças: Angola; Brasil; Bulgária; Colômbia; Etiópia; Índia; Peru e Polónia.

· A Portaria nº 1267/2009 de 16 de Outubro que autoriza a Associação Bem Me Queres a exercer a mediação da adopção internacional nos seguintes países de origem das crianças: Brasil; Bulgária; China; Colômbia; Filipinas e Ucrânia.

Notícias APFertilidade

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Infertilidade na Comunicação Social

A infertilidade voltou a marcar presença na agenda da comunicação social. São estes os destaques do último trimestre:

19 de Outubro

Participação da APFertilidade no Programa televisivo “Praça da Alegria” da RTP1 representada por Cláudia Vieira e Angélica Luis

24 de Outubro

Reportagem no Jornal 24 Horas com a colaboração de Elsa Ferreira e Filomena Gonçalves.

21 de Novembro

Publicação de um artigo no Jornal Expresso com declarações de Filomena Gonçalves.

25 de Novembro

Entrevista à TSF de Cláudia Vieira, sobre novo anúncio do adiamento do arranque do programa “Fertis” para o 1º trimestre de 2010.

30 de Novembro

Participação da APFertilidade no programa “Grande Reportagem” da SIC com colaboração de Cláudia Vieira e testemunhos de casais que passaram e passam por tratamentos de infertilidade (Susana Santos e Edgar Borges, Olinda Dinis e Joaquim Lopes, Anabela Leal e Luis Leal, Maria da Luz Jesus e Marco Quintal de Jesus)

Os vídeos dos programas televisivos poderão ser acedidos pelo site da associação em www.apfertilidade.org.

Assembleia-Geral da APFertilidade

Foi realizada no dia 14 de Novembro uma reunião da Assembleia-Geral da APFertilidade. O programa de acção e o orçamento para 2010, temas que fizeram parte da ordem de trabalhos, foram aprovados por unanimidade.

Protocolos

Foi alargada a rede de protocolos entre a APFertilidade a as farmácias nacionais com a inclusão dos seguintes estabelecimentos: Farmácia Salutar (Lisboa); Farmácia União (Lisboa); Farmácia Fontes Pereira de Melo (Lisboa); Farmácia Pinto Leal (Lisboa), Farmácia Melo Almeida (Linda-a-Velha), Farmácia Triunfo (Anadia), Farmácia Almeida (Faro).

Foi também estabelecido protocolo entre esta associação e a clínica Fertimed em Faro

Para mais informações sobre estes serviços, devem os Associados contactar a APFertilidade através do endereço de correio electrónico geral@apfertilidade.org ou por telefone.

Participação em Seminários

25 de Setembro de 2009

A APFertilidade, representada por Fernando Oliveira, participou nas Jornadas da Associação para o Planeamento da Família, com uma comunicação intitulada “Procriação Medicamente Assistida: Associativismo, Informação e Preconceito”

04 de Dezembro de 2009

A APFertilidade esteve presente num seminário sobre infertilidade que se realizou no auditório da Escola Superior de Saúde de Bragança, do Instituto Politécnico de Bragança, tendo sido representada pela sua psicóloga, Dra. Matilde Catalão.

Entrevista

Newsletter de Dezembro 2009
 

Amélia Augusto

  1. Um dos aspectos que atravessa a sua reflexão sobre a PMA é a “patologização da infertilidade”, ou seja, a construção de um discurso que tende a percepcionar a infertilidade exclusivamente como doença. Quais são, em seu entender, as razões e as consequências deste discurso?

A medicalização é um processo complexo, daí que as suas causas impliquem uma articulação de interesses variados entre médicos e inférteis, e as suas consequências não possam ser simplesmente classificadas como positivas ou negativas. A patologização da infertilidade legitima uma forte intervenção médica, conferindo aos especialistas uma autoridade privilegiada nos debates públicos e na tomada de decisão relacionada com a infertilidade e as suas possibilidades de tratamento. Inegavelmente, a medicalização da infertilidade abriu um campo inovador para o poder e a actuação médicos. Finalmente, e não menos importante, a consciência e a reflexão sobre as causas sociais das doenças são diminuídas com a medicalização.

Contudo, existem outras dimensões associadas à definição da infertilidade como doença que têm claras implicações sociais para quem procura uma solução para o seu problema de fertilidade. Colocar a infertilidade no campo das doenças, pode contribuir para minimizar os aspectos normativos e de culpabilização muitas vezes associados a esta condição. A doença é algo que nos acontece, que está para além das nossas possibilidades individuais e, como tal, implica uma desresponsabilização. No entanto, convém salientar que nem sempre o rótulo de doença ajuda a minimizar uma certa culpabilização associada à infertilidade, seja por parte do próprio sofredor, ou dos especialistas. De entre aqueles que foram entrevistados, surgiu com alguma frequência um certo discurso culpabilizador, sobretudo das mulheres, por um certo estilo de vida hedonista e pelo adiar da maternidade por motivos profissionais, isto mesmo quando a causa masculina parece ter vindo a aumentar.

Uma outra dimensão diz respeito ao domínio mais vasto das políticas sociais. Para muitos inférteis, a questão de saber até que ponto a infertilidade é ou não uma doença ultrapassa as considerações médicas, filosóficas ou sociais. Eles estão preocupados em legitimar o seu acesso a recursos sociais, à semelhança do que acontece com outras doenças. Fazem um uso estratégico da designação e da linguagem da doença como modo de pressionar o Estado e atingir os seus objectivos. Querem igualdade de acesso e de benefícios sociais e sabem que esse é o modo de os conseguirem.

2- Como perspectiva o papel do associativismo na área da PMA? Como pode este movimento escapar à “patologização da infertilidade”?

O carácter auto-regulado dos procedimentos técnicos, o seu grau de invasão e a dificuldade em interpretar a informação médico-científica que é proporcionada contribuem para uma certa falta de controlo que foi explicitada por alguns casais. Uma grande parte daqueles com quem falei, provavelmente como resultado da medicalização da infertilidade, considera que estas são questões médicas, pelo que a fonte privilegiada de informação é também médica. Mas nem sempre o conhecimento médico das questões é aquele que é sentido como mais necessário. Houve quem mencionasse a falta de troca de experiências, de um espaço fora do contexto clínico, da relação médico-doente, onde estas questões pudessem ser abordadas de modo mais informal, com menor pressão do que a que costuma estar associada aos tempos de consulta ou de exames. Aliás, os casais que indicaram ter nas suas relações de amizade outros casais que estão a passar ou já passaram pelo mesmo processo descreveram essa partilha de experiências como momentos fundamentais para ultrapassar sentimentos de diferença e de exclusão, que não raramente estão associados à vivência da infertilidade. De modo a que os casais tenham um envolvimento mais activo e mais reflexivo num processo que lhes diz claramente respeito, torna-se necessário que mais e melhor informação lhes seja facultada, e que sejam existam espaços para uma participação e decisão efectivamente informadas. A Associação Portuguesa de Fertilidade ocupou um espaço vazio nesta área e tem vindo crescentemente a assumir-se como o espaço privilegiado para essa partilha de experiências, discussão e reflexão.

O seu surgimento possibilitou que as pessoas com problemas de fertilidade se pudessem assumir como os seus próprios porta-voz junto da sociedade, mas também dos médicos. Em várias investigações internacionais são referenciadas associações e grupos de auto-ajuda de inférteis, sendo-lhes reconhecido um papel fundamental devido ao apoio e informação que prestam, mas não só. A organização destes doentes tem contribuído para o seu empowerment. Estas associações, que existem em quase toda a Europa, têm desempenhado papéis fundamentais, providenciando um ambiente de apoio e aconselhamento para os inférteis, colectando e providenciando informação, seguindo e monitorizando os desenvolvimentos médicos na área, denunciando abusos, discutindo alternativas como a adopção, exercendo pressão no sentido de um maior e mais fácil acesso às tecnologias de reprodução.

3. Como interpreta a exclusão da APFertilidade do CNPMA?

Aquando da minha investigação, já era frequentemente mencionada no discurso dos especialistas a necessidade da criação de um tal Conselho, sendo que era assumida a importância da inclusão de uma “associação de doentes”, caso ela viesse a ser constituída. A constituição veio a concretizar-se, a inclusão, não. E eu considero uma grande falha a não participação dos principais interessados e, em última instância, dos que realmente poderão vir a ser afectados pelas decisões que aí venham a ser tomadas. Como disse antes, estas pessoas não necessitam de interlocutores privilegiados, nem de porta-voz dos seus interesses e preocupações, necessitam, isso sim, que lhes seja reconhecida a relevância da sua actuação na área da infertilidade e lhes seja concedido o espaço de intervenção que lhes é devido.

4. Como avalia a Lei Nº 32/2006 no que diz respeito aos modelos familiares nela representados e por ela excluídos?

Há um aspecto que parece ter-se mantido consensual ao longo de todo este percurso da PMA e que culminou na Lei Nº 32/2006, aspecto esse que sempre uniu especialistas, CNECV e legislador e que diz respeito aos beneficiários destas técnicas.

De entre todos os especialistas que entrevistei no decorrer da minha investigação, anterior à actual Lei, apenas um aceitaria inseminar mulheres sós, sem parceiro ou lésbicas. Foram vários os argumentos avançados para essa recusa, o da doença, que é definida de um modo particular, dado que por mais de uma vez foi indicado que não existem homens ou mulheres inférteis, e sim casais inférteis; o argumento da defesa das crianças nascidas por esse processo, já que se sentem obrigados a protegê-los de terem pais inapropriados ou só uma figura parental. Estes juízos, embora se revistam de uma autoridade clínica são, de facto, juízos sociais e morais. Esta defesa da manutenção das técnicas de PMA no âmbito da família tradicional é hoje particularmente ideológica. Isto porque cada vez mais filhos estão a ser concebidos e criados em contextos que pouco têm a ver com a família tradicional. A própria lei da adopção prevê a adopção por indivíduos singulares.

5- Qual a sua posição sobre o anonimato dos dadores de gâmetas?

O recurso a fecundação com gâmetas de dadores depende, obviamente, da existência de dadores. O facto de um dador não saber até que ponto poderá vir a ser confrontado no futuro com “a visita” de alguém que diz ser resultado daquela doação de há x anos, é algo que pode dissuadir muitos potenciais dadores. Além disso, acho que o privilégio pelos laços de sangue ofusca e remete para segundo plano as relações afectivas e o investimento emocional de quem decidiu ter um filho com recurso a dador. Acho que deve haver anonimato.

6- Deve o Estado avançar com um limite de idade, ou aceita que este seja decidido pela equipa médica?

A lei refere uma idade mínima, mas não uma idade máxima. O limite de idade é, conjuntamente com outros factores, característico da desigualdade que entre nós tem marcado o acesso a estes serviços. E já nem me estou a referir às desigualdades óbvias existentes entre o sector público e o sector privado, mas às desigualdades existentes no âmbito do público e cuja resolução não é claramente explicitada pela presente lei.

Cada unidade de medicina da reprodução definiu os critérios que presidem às suas decisões de aceitar ou não os casais. Assim, para alguns serviços a idade da mulher é um critério decisivo, contudo, a idade limite não reúne consensos. Ronda os 38 anos, para uns, enquanto que para outros a idade não é decisiva e sim o FSH (a actividade ovárica), tendo mesmo realizado tratamentos em mulheres de 42 anos que engravidaram. De salientar que no sector privado esta idade é amplamente alargada e situa-se pelos 45 anos.

A “sorte” de ser encaminhada para uma ou outra instituição de saúde, onde os médicos poderão ser mais ou menos flexíveis ao argumento da idade, não poderá ditar se uma mulher está ou não em condições de ingressar num tratamento de infertilidade. É importante que haja uma idade limite, mas ela tem de ser ponderada tendo em conta vários factores. Factores esses que não podem ser considerados tendo apenas em conta tudo o que é tecnologicamente possível ou economicamente rentável.


A Professora Doutora Amélia Augusto, é Pró-Reitora da Universidade da Beira Interior desde Junho de 2009, cargo que acumula com o de Professora Auxiliar no Departamento de Sociologia. É também Vice-Presidente do UBI_CES (Centro de Estudos Sociais da Universidade da Beira Interior) e investigadora na área da infertilidade. A sua tese de doutoramento subordinada ao tema intitula-se “Infertilidade e Reprodução Medicamente Assistida em Portugal: dos problemas privados aos assuntos públicos” (2005) .

Testemunho

Newsletter de Dezembro 2009
 

O João é a luz das nossas vidas e o nosso orgulho!

Tratamentos falhados uns atrás dos outros, desilusão, angústia, tristeza e muitas lágrimas.
Os anos começavam a passar e os tratamentos para tentar engravidar não estavam a resultar!
O meu marido é que deu o primeiro passo e começou aos poucos a falar em adoptarmos uma criança. Os médicos com quem falava, também começaram a tentar preparar-me para me ir mentalizando: podia engravidar, mas também podia nunca conseguir e não devia ser por causa disso que a minha vida acabava, que havia alternativas!

Não foi fácil. Durante uma temporada eu não queria aceitar que não podia ter um filho biológico, sentia uma revolta enorme, sentia que era injusto: eu que não faço mal a ninguém, não merecia tal castigo! Foi como se me arrancassem um pedaço de mim; foi muito doloroso!

Mas os anos foram passando e os tratamentos continuavam a não dar certo. Aos poucos e com a ajuda do meu marido, lá me fui mentalizando para a dura realidade; havia outras alternativas para ser mãe. Já que não seria mãe biológica ia concerteza ser mãe do coração.

No inicio tive algum receio da reacção da minha família e de mim também, mas felizmente todos aceitaram bem, também eles já estavam cansados de me verem sofrer. Logo os receios e os medos passaram com a ajuda do meu amor e das técnicas da adopção.

Existiria com certeza um/a menino/a com muitas dificuldades, a aguardar uma mãe e um pai que lhe dessem todo o amor, carinho, afecto e atenção que nós tínhamos para dar e receber. O destino havia-me pregado uma partida, mas de certeza que iria ser compensada com uma alegria.

Então, em Maio de 2006, demos início ao processo de adopção, entregámos todos os documentos necessários e pedimos uma criança até um ano. Percebi que iria ser uma “gravidez” muito comprida, pois as listas de espera eram enormes.

Tivemos as entrevistas com a psicóloga e a assistente social e só passados dois anos é que recebemos o certificado. Ficámos muito felizes por sabermos que fomos considerados aptos para sermos pais, mas tínhamos que continuar a esperar. O ano passado resolvemos marcar uma reunião para saber como estava a lista de espera, e ficámos muito tristes, porque nos foi dito pelas técnicas que ainda tínhamos alguns anos pela frente, mas convenceram-nos a alargar a idade para os três anos; que assim não se esperava tanto, e assim o fizemos.

Este ano, no meu primeiro dia de férias, o meu telefone finalmente tocou: era uma das técnicas de adopção a dizer que tinha um menino de apenas 6 meses de idade para mim. Naquele momento tremia da cabeça aos pés, não queria acreditar, era bom demais para ser verdade.

O primeiro encontro com o nosso filho foi emocionante: olhou para nós com uns olhitos muito grandes e logo começou a sorrir e aos pulinhos. É um encanto. Apaixonámo-nos logo pelo nosso menino, tão frágil e tão inocente, a precisar de tanto amor e carinho. Passámos o dia com ele e ao final trouxemo-lo logo para casa. Desde esse dia a nossa vida mudou muito.

Acabaram-se as tristezas, as lágrimas e a revolta. O João veio colorir as nossas vidas, e quando acordo e olho para ele, é como se todo o sofrimento de 10 anos de infertilidade tivesse uma razão maior, como se nada na vida acontecesse por acaso.

Estamos nas nuvens, a viver um conto de fadas.

Amamos muito o nosso filho. Entrou nas nossas vidas e nos nossos corações para sempre!

Paula Santos

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Newsletter de Dezembro 2009
 

Eclosão Assistida - Assisted Hatching

Em que consiste?

Trata-se de uma técnica que consiste na abertura de um pequeno oríficio na camada que envolve o embrião (zona pelúcida) em estágios precoces do seu desenvolvimento com o objectivo de facilitar a sua saída (eclosão) e posterior adesão na superfície da cavidade uterina, visando o aumento das taxas de gravidez.

Acredita-se que até 50% dos embriões humanos sejam normais sob o ponto de vista genético; no entanto, a taxa de implantação desses embriões é baixa, aproximadamente de 10% a 15%. Um dos motivos, entre outros, que podem explicar estes números, é o facto de muitos embriões não conseguirem sair de dentro da zona pelúcida (camada glicoprotéica que fica em torno dos embriões). Para o embrião conseguir a sua implantação necessita romper esta zona isto é, sair de dentro dela; a isto se chama de hatching.

Que técnicas são utilizadas?

Actualmente é utilizado o laser, forma de energia disparada de modo extremamente preciso sobre a zona pelúcida, abrindo nela um orifício. É por este orifício que o embrião começa a sair. A utilização do laser tornou a realização da eclosão assistida menos tóxica para o embrião e, assim, mais reprodutível.


Em que situações a eclosão assistida é indicada?

Esta técnica é indicada nas seguintes situações:

· idade materna elevada;

· elevados níveis basais de FSH;

· aumento da espessura da zona pelúcida;

· falha inexplicada da implantação em ciclos anteriores de FIV;

· divisões celulares reduzidas ou excesso de fragmentação;

· casos de maturação in vitro de ovócitos em ciclos de FIV;

· transferência de embriões criopreservados.

Fontes:

http://www.pro-criar.com.br

http://www.bios.med.br



Notícias

Newsletter de Setembro 2009
 

Protocolos

A APFertilidade continua a apostar no alargamento da rede de parcerias com as farmácias nacionais. Foram recentemente estabelecidos protocolos com as seguintes farmácias: Farmácia Central (V.N.Gaia), Farmácia Salutar (Santo Tirso); Farmácia Avenida (Porto); Farmácia do Junqueiro (Parede - Cascais) e Farmácia Bom Sucesso (Lisboa).

Para mais informações sobre estes serviços deverão contactar a APFertilidade através do endereço de correio electrónico geral@apfertilidade.org ou por telefone 229 350 845.

Novo site

A Associação Portuguesa de Fertilidade (APFertilidade) relançou recentemente o seu site (www.apfertilidade.org) apostando numa nova imagem que crê ser mais apelativa para o mais de um milhão de cibernautas que procuram informação neste espaço online. Novas áreas de informação e de multimédia, um novo sistema de registo de associados e a presença no Twitter são algumas das novas alterações em relação ao anterior site e que conferem ao actual uma ainda maior proximidade com a comunidade bem como o reforço da visibilidade social da Procriação Medicamente Assistida.

Infertilidade na Comunicação Social

A infertilidade foi o tema central do programa da Fátima Lopes na SIC na semana de 14 de Setembro e contou com a presença de Filomena Gonçalves em representação da associação e dos testemunhos de Anabela Leal, Olinda Dinis e Cristina Parreira como porta-vozes dos vários casais portugueses que passaram e passam pela situação de infertilidade. Também o Programa “Serviço de Saúde” na RTP1 do dia 22 de Setembro foi dedicado ao tema da infertilidade e contou em estúdio com a presença de Filomena Gonçalves da APFertilidade e com as reportagens contendo os testemunhos de Teresa Marques e Sandra Goma. A imprensa escrita também abordou o tema com a publicação na revista Visão de 17 de Setembro de uma reportagem dedicada a esta problemática. Os vídeos dos programas televisivos poderão ser acedidos pelo site da associação em www.apfertilidade.org.

ACTUALIDADES PMA

Hospital do Lusiadas com Centro de PMA a funcionar em pleno

Desde o início de Agosto que o Centro de Procriação Medicamente Assistida, da Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital dos Lusíadas, se encontra na lista de centros autorizados da Direcção Geral de Saúde. Este centro que funciona integrado numa unidade hospital será mais um dos locais com ajuda especializada para os casais que sofrem de infertilidade.

Testemunho

Newsletter de Setembro 2009
 

A minha história começou em 2000, quando eu e o meu marido pensámos que era uma boa altura para sermos pais. Depois de um ano de tentativas procurámos ajuda, primeiro num ginecologista e depois num especialista em infertilidade.

Já nessa altura tinha medo de que o meu receio de não conseguir ser mãe fosse real. Chorei muitas lágrimas de revolta, raiva e tristeza. Não foi uma época fácil porque eu não sabia como enfrentar o problema e vivia angustiada, frustrada, triste e desanimada. Os tratamentos eram muitos caros e a minha vida mudou a todos os níveis. Deixei de ser um ser humano para passar a tentar fazer o meu corpo funcionar de forma mecânica. E continuava sem conseguir.

Desisti. Decidi que ia esquecer os tratamentos e acreditei que ia engravidar. Mas já era tarde; eu estava doente e a minha relação com o meu marido estava mal (eu queria desistir e ele não, pois achava que devíamos tentar mais uma vez). Perdi o emprego, mudei de médica e numa laparoscopia descobri que tinha endometriose.

Fiz preparação para quatro FIV mas nenhuma resultou. Desisti mais uma vez. Em Agosto de 2005 quis fazer uma nova tentativa: uma ICSI num hospital público. Contudo não a pude fazer, pois os valores de FSH estavam muito elevados e o processo não foi aceite. Mais uma vez quis desistir, não queria voltar a criar expectativas e depois ter de gerir mais uma perda de “nada”, porque era assim que me sentia: todos os meses num cantinho muito secreto de mim engravidava e sonhava como iria contar ao meu marido. Todos os meses sentia que tinha perdido mais uma oportunidade de gerar um filho.

Depois de uma longa pausa fiz um tratamento com doação de ovócitos. Primeiro reagi mal à ideia da doação mas a verdade é que essa era a única possibilidade de ser mãe. O meu marido deu-me muita força e avançámos para o tratamento no final de 2008. E em Junho abraçámos finalmente a nossa filha. Que felicidade, que momentos mágicos! Se o olhar do meu marido quando viu as duas riscas do teste já tinha deixado o meu coração a transbordar de alegria, o olhar dele quando olhou pela primeira vez para a nossa filha deixou-me extasiada.

Se penso muitas vezes que ela só existe porque outra mulher me deu a possibilidade de ser mãe? Algumas vezes, mas sei que foi um acto de amor. A minha filha teve várias pessoas do lado dela, o que a torna ainda mais especial. Se a amo tanto como amaria se não tivesse recorrido a este tipo de tratamento? Com toda a certeza que sim. Se me incomoda que ela não seja parecida comigo? Nada, ela é linda como o pai.

Para mim este era o único caminho para poder realizar o sonho de ser mãe e ainda bem que a ciência o permitiu. Agradeço muito aos profissionais da clínica, à dadora e ao meu marido que nunca me deixou desistir. Todos os dias olho para a minha filha e fico comovida. Foi uma longa luta mas sem dúvida que valeu a pena!

Avalon

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Newsletter de Setembro 2009
 

DGPI - Diagnóstico Genético Pré-Implantação

O Diagnóstico Genético Pré-Implantação (DGPI) é utilizado para despistar distúrbios genéticos nos embriões que podem inviabilizá-los ou comprometer gravemente o desenvolvimento normal do feto. O DGPI é indicado para casais que apresentam um elevado risco de transmissão de distúrbios genéticos ou em casos de abortos consecutivos onde se desconfia de malformações no embrião. Algumas das malformações genéticas que podem ser despistadas por este teste são, a doença de Huntington e a apolineuropatia amiloidótica familiar (PAF) também conhecida por “doença dos pezinhos” bem como outras anomalias cromossómicas (exemplo: trissomia 21).

Este diagnóstico é realizado a partir da aspiração de uma ou mais células de um pré-embrião ou do primeiro corpúsculo polar do ovócito, obtido por FIV ou ICSI, através de micromanipulação.

No terceiro dia de desenvolvimento, o embrião tem entre seis a oito células que são designadas por blastómeros. Através da micromanipulação são retiradas uma a duas células onde será analisado o seu ADN (ácido desoxirribonucleico). Este procedimento de micromanipulação não afecta o embrião, uma vez que neste estado evolutivo, todas as células que o constituem são geneticamente iguais, mantendo-se todo o potencial de diferenciação celular após remoção das células.

O ADN destas células é isolado e analisado por técnicas de genética molecular. Podem ser utilizadas duas técnicas de DGPI: a FISH (Fluorescent “In situ” Hibridization), para detecção de patologias cromossómicas e a PCR (Polimerase Chain Reaction) para detecção de patologias génicas.

Apenas embriões sem patologias genéticas são transferidos.

Fontes:

West, Zita, 2004. Fertilidade e concepção. 192p.

Sites consultados:

http://www.cgrabarros.pt/dgpi.htm

http://www.mae.iol.pt/artigo.php?div_id=3608&id=763759

http://www.apfertilidade.org/glossario.html

http://pt.wikipedia.org

Notícias

Newsletter de Julho 2009
 

A infertilidade na imprensa

No decurso do último trimestre foram várias as notícias e programas televisivos dedicados ao tema da infertilidade. Destacamos a entrevista dada pela Joana Rebelo ao Jornal Público do dia 08 de Abril; a reportagem de Filomena Gonçalves para a TSF no dia 16 de Abril; os artigos publicados no jornal Correio da Manhã e TSF do dia 24 de Abril; o artigo da revista Luxwoman de Maio que contou com a participação da presidente da APFertilidade, Cláudia Vieira; o Programa “Aqui e Agora” da SIC do dia 07 de Maio que contou com a participação de Cláudia Vieira; o Programa “Contacto” da SIC de dia 05 de Junho que contou com a participação de Gisela Ramos e Gonçalo Coelho; o Programa “Sociedade Civil” da RTP de dia 17 de Junho que contou com a presença em estúdio da psicóloga da APFertilidade Matilde Catalão e com os testemunhos de Elsa Ferreira e Ana Sofia Caniço; e as reportagens da RTP, SIC e Antena 1 de dia 21 de Junho que fizeram a cobertura da Caminhada pela Fertilidade, evento este que foi divulgado na estação de rádio RFM.

Protocolos

A lista de protocolos entre a APFertilidade e a rede nacional de farmácias continua a ser reforçada quer em número quer em amplitude geográfica. Foram recentemente estabelecidos protocolos com as seguintes farmácias nacionais: Farmácia Pombeiro, Farmácia Nacional, Farmácia Santa Catarina, Farmácia Sá da Bandeira II e Farmácia Barreiros no Porto, Farmácia Avenida no Barreiro, Farmácia Magalhães em Vila Nova de Gaia, Farmácia S. Miguel em Lisboa, Farmácia Santos Monteiro em Vendas Novas e Farmácia Mendonça em Almeirim.

Para mais informações sobre estes serviços deverão contactar a APFertilidade através do endereço de correio electrónico geral@apfertilidade.org ou por telefone .

Campanha “Quero Ser Mãe”

Para assinalar o dia da mãe, a APFertilidade lançou a campanha “Quero ser mãe”, uma sondagem online dirigida a futuras mães que de entre várias questões tiveram a oportunidade de responder à pergunta “O que dirá ao seu filho quando o vir pela primeira vez?”. As questões estão disponíveis no endereço http://www.querosermae.com.

Participação nas Jornadas da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução

Decorreu em Cascais nos dias 8 e 9 de Maio a mais recente edição das Jornadas da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução. Com recurso a stand próprio, associação marcou presença no evento, tendo Fernando Oliveira da APFertilidade apresentado uma comunicação no seu encerramento, intitulada “Aconselhamento em PMA: o Doente entre a Lei e o Mercado”. Aproveitamos esta oportunidade para agradecer a colaboração e o convite do Presidente cessante, o Prof. J. L. Silva Carvalho, e saudar o Prof. C. Calhaz Jorge, responsável pelos destinos da SPMR para o próximo triénio

Palestras em escolas

A APFertilidade participou numa palestra na Escola Secundária José Régio de Vila do Conde no dia 15 de Maio. A participação foi assegurada por Marta Carvalho. Esta foi mais uma iniciativa que se enquadra na sensibilização para a temática da infertilidade.

Participação na XVII Semana de Psicologia e Ciências da Educação

A APFertilidade dinamizou um workshop integrado na XVII Semana de Psicologia e Ciências da Educação organizado pela Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto e que se realizou no dia 24 de Março. A APFertilidade foi representada pela psicóloga da associação, a Dra. Matilde Catalão, que falou da actuação da associação no apoio, informação e defesa das pessoas inférteis.

Participação no evento “Maia Saúde 2009”

A APFertilidade foi uma das entidades participantes do evento “Maia Saúde 2009” promovido pela Câmara Municipal da Maia e que decorreu de 4 a 7 de Junho. O evento teve como objectivo promover a saúde dando a conhecer estilos de vida saudáveis.

Participação no evento “O Poder da mulher- sucesso no feminino”

Decorreu no dia 17 de Maio, em Santa Maria da Feira, o evento “O poder da mulher-sucesso no feminino”, que contou com a participação da APFertilidade através da presença, como oradora, de Cláudia Vieira que ofereceu ao evento o seu testemunho como Presidente da APFertilidade.

Caminhada pela fertilidade e 4º Encontro Nacional

No dia 21 de Junho, a APFertilidade, promoveu duas iniciativas: a 2ª Caminhada pela Fertilidade, no Parque da Cidade, no Porto, e o 4º Encontro Nacional, também na cidade invicta. Assinalou-se assim uma ocasião especial, coincidindo duplamente com a comemoração do Dia Nacional da Fertilidade e do Mês Internacional da Fertilidade. Ambas as iniciativas tiveram por objectivo sensibilizar os cidadãos para os actuais problemas de fertilidade e promover a saúde reprodutiva em geral.

APFertilidade no Twitter

A APFertilidade já tem o seu espaço no Twitter que poderá ser acedido pelo endereço http://twitter.com/APFertilidade.  Neste espaço serão divulgadas informações relacionadas com a actividade da própria associação, com a sua comunidade e com a infertilidade em geral.

ACTUALIDADES PMA

Comparticipação dos medicamentos para a fertilidade

A partir do dia 01 de Junho os medicamentos para a fertilidade passaram a ser comparticipados pelo Estado em 69%, custando esta medida um milhão de euros ao Estado.

Inauguração do Centro de PMA da Maternidade Alfredo da Costa

No dia 20 de Abril foi inaugurado o novo Centro de Procriação Medicamente Assistida da Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa. Após um relevante investimento em obras e equipamento por esta unidade hospitalar, o Centro recentemente aberto prevê a duplicação da capacidade de resposta aos casais que sofrem de infertilidade.

Casais com problemas de infertilidade encaminhados para privados em Julho

Foi recentemente avançado pelo presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) que os primeiros casais em lista de espera para tratamento de infertilidade começam a ser encaminhados pela Maternidade Alfredo da Costa e pelo Centro Hospitalar Lisboa Norte- Hospital de Santa Maria para centros privados em Julho. Os primeiros protocolos foram já assinados entre a ARSLVT e o British Hospital e o Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI), as duas únicas instituições privadas na região autorizadas a prestar cuidados de Procriação Medicamente Assistida.

Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida no Twitter

O CNPMA já está no twitter no endereço http://twitter.com/CNPMA. Neste espaço poderão aceder a informação útil acerca deste organismo e das suas actividades.

OUTRAS INFORMAÇÕES

Horário da Farmácia Barreiros

Informamos que a farmácia Barreiros localizada no Porto, entidade protocolada com a APFertilidade, tem um horário bastante alargado funcionando 24 horas de todos os dias do ano.