ARTIGO
SÍNDROME DE HIPERESTIMULAÇÃO OVÁRICA (SHO)
Dr. Sérgio Soares (Director Clínico e Ginecologista- IVI Lisboa)
A realização de um tratamento de fecundação in vitro gera no casal, com muita frequência, um alto grau de ansiedade. Esta decorre tanto da incerteza do resultado de um processo que tanto se deseja que seja positivo, como do receio de que o tratamento ponha em risco a saúde da mulher. Neste último âmbito, um dos problemas que podem advir do uso dos medicamentos que induzem o amadurecimento dos óvulos (passo necessário para a fecundação in vitro) é a Síndrome de Hiperestimulação Ovárica (SHO).
A SHO típica caracteriza-se pelo aumento do volume dos ovários devido à estimulação medicamentosa e pelo aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos ováricos. O quadro pode ocorrer quando os ovários respondem de modo excessivo às injecções, seja por uma alta sensibilidade da mulher aos medicamentos (como por exemplo nos casos daquelas com ovários poliquísticos), seja pelo uso de doses dos indutores do amadurecimento ovular superiores ao indicado para uma paciente em concreto.
As manifestações da SHO severa resultam, então, da distensão abdominal (provocada pelos ovários volumosos e pelo líquido livre no abdómen) e da diminuição do volume de líquido dentro dos vasos sanguíneos (já que os vasos ováricos estão a deixar sair o soro sanguíneo). Tipicamente, observa-se um desconforto abdominal, dificuldade respiratória, sensação de debilidade e diminuição do volume urinário. Nos casos extremos, o aumento da concentração do sangue (já que parte do conteúdo líquido do sangue ’sai’ dos vasos, mas o conteúdo celular ’sólido’- continua retido) pode levar ao risco de trombo-embolismo.
O quadro descrito anteriormente é aquele visto numa situação extrema. Esta é, inclusive nas mulheres que desenvolvem a SHO, pouco frequente. No entanto, é importante estar atento a este risco durante o tratamento e deve-se cercar de todos os cuidados para a prevenção da SHO. Neste sentido, o médico especialista em Medicina Reprodutiva tem em conta, no momento de definir a dose dos indutores do amadurecimento dos óvulos que a paciente utilizará, os dados que ajudam a inferir que tipo de resposta ovárica se espera: a idade e o peso, como funcionam os seus ovários e a resposta a tratamentos prévios, se os houver. Ao longo dos dias de administração das injecções, consultas seriadas são agendadas para o seguimento da resposta ovárica aos medicamentos. Assim, pode-se observar o aparecimento de indícios de uma resposta excessiva e as medidas pertinentes são adoptadas: a diminuição da dose das injecções, a suspensão da sua administração ou a utilização de fármacos que actuam directamente na prevenção da alteração da permeabilidade dos vasos sanguíneos dos ovários. Por parte da paciente, é importante seguir de modo responsável as instruções referentes à administração da medicação e vir aos controlos agendados.
A SHO é uma situação clínica potencialmente delicada, mas que não deve, por isso, ser fonte de medo excessivo ou infundado para os casais que farão um tratamento de Procriação Medicamente Assistida. A sua incidência é baixa e o bom seguimento médico do processo permite a identificação das pacientes de risco e a adopção das medidas que visar a prevenir o seu aparecimento. Ainda que ocorra, raramente é grave e, inclusive nestes casos, a sua adequada orientação leva à resolução do quadro, sem prejuízo da possibilidade de gestação com o tratamento. Por isso, é muito positivo que os casais conheçam a sua natureza, as suas causas e as suas implicações, para que participem do tratamento com o conhecimento que leva a uma atitude responsável e psicologicamente equilibrada.
Notícias
REUNIÃO COM O CONSELHO NACIONAL DE PROCRIAÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA
No dia 04 de Janeiro, a API reuniu-se na Assembleia da República com o Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida numa audiência em que nos foi possível transmitir as nossas preocupações, dificuldades e anseios no que diz respeito à infertilidade no nosso país. Assinalámos igualmente a ausência continuada de um banco de gâmetas público, um elemento essencial para completar a estruturação da PMA em Portugal.
REGULAMENTAÇÃO DA PMA
Foi publicado em Diário da República, no passado dia 11 de Fevereiro, o Decreto Regulamentar n.º 5/2008 que regulamenta o artigo 5.º e o n.º 2 do artigo 16.º da Lei n.º 32/2006, de 26 de Julho, que regula a utilização de técnicas de procriação medicamente assistida.
Este diploma é publicado cerca de dezassete meses depois da aprovação da Lei da PMA, que previa como prazo máximo 180 dias para a publicação da respectiva regulamentação. No entanto, continuam por definir as condições de acesso e calendarização dos apoios financeiros anunciados pelo Governo no âmbito do Orçamento de Estado 2008.
GRUPOS DE APOIO
A nossa rede de Grupos de Apoio não pára de crescer, espalhando pelo território nacional um conjunto de “vozes amigas” cada vez mais consolidado. A juntar aos grupos de Braga, Faro e Lisboa, Portugal tem mais dois pontos de inter-ajuda, após terem sido inaugurados oficialmente os grupos de apoio de Benavente e de Coimbra.
COLABORAÇÃO COM A ESCOLA SECUNDÁRIA DA AMORA
No âmbito do projecto do 12º ano, alunos da Escola Secundária de Amora (concelho do Seixal) desenvolveram um trabalho sobre infertilidade. A API, na pessoa da Drª Sílvia Lobo, participou numa acção de sensibilização no passado dia 20 de Fevereiro. Esta iniciativa teve como principais objectivos dar a conhecer a vivência da infertilidade e a importância da protecção da saúde reprodutiva.
SELO DOS CTT ALUSIVO À INFERTILIDADE
Publicação da Portaria n.º 238/2008 DR 53, Série I de 2008-03-14, aprovando emissão de selos alusiva à Infertilidade, num total de 380.000 exemplares. Esta publicação beneficiou fortemente da mobilização informal dos nossos foristas, tendo na altura vencido o concurso “Aqui há Selo” a proposta de Sandra Manuel, de Beja.
http://www.aquihaselo.com
http://www2.ctt.pt/fewcm/wcmservlet/ctt/grupo_ctt/imprensa/imprensa/imprensa82.html
ASSEMBLEIA-GERAL
Foi realizada no dia 1 de Março uma reunião ordinária da Assembleia-Geral da API, tendo sido aprovados por unanimidade o relatório e contas da gerência do ano de 2007.
PARTICIPAÇÃO NA XVI SEMANA DE PSICOLOGIA E CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO
A API foi convidada a estar presente na XVI Semana de Psicologia e Ciências da Educação, promovida pela Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, que decorreu de 03 a 07 Março. A API fez-se representar pela Drª Ana Pereira (psicóloga), no dia 03 de Março, desenvolvendo o tema “Como lidar com problemas de infertilidade?”
PROTOCOLOS
A API estabeleceu protocolo com Home Instead Senior Care, empresa de apoio domiciliário não clínico a pessoas idosas e dependentes, que oferece os seus serviços em quinze pontos do país (Oeiras, Cascais, Santarém, Funchal, Setúbal, Ponta Delgada, Almada, Torres Novas, Leiria, Lisboa, Vila Franca de Xira, Tomar, Coimbra, Maia e Caldas da Rainha).
Tendo em vista o reforço do apoio financeiro na área da infertilidade, a API estabeleceu um protocolo de parceria com o seguinte grupo de farmácias: Farmácia Barral (Lisboa), Farmácia Oriental de Lisboa, Farmácia da Misericórdia de Sintra, Farmácia Ribeiro Lopes (Lagos), Farmácia Guilherme F. Dias (Portimão), Farmácia Hygia (Monchique), Farmácia Henriques (Porto).
Para mais informações ou acesso a estes serviços deverão os associados contactar a API por email: api@apinfertilidade.org
3ª ENCONTRO NACIONAL API
A propósito da celebração do 2º aniversário, a API irá organizar o 3º Encontro Nacional na cidade de Benavente, no próximo dia 24 de Maio de 2008. À semelhança das duas edições anteriores, contamos com uma participação massiva, ajudando a reforçar os laços dos que sofrem desta doença. A participação no 3º Encontro Nacional requer inscrição prévia, que deverá ser formalizada até ao dia 30 Abril 2008 para o seguinte endereço de email: inscricoes@apinfertilidade.org. Mais informações poderão ser obtidas consultando o site da API no endereço www.apinfertilidade.org.