Newsletter Julho 2008

Notícias

APFertilidade na Imprensa

A APFertilidade tem marcado presença contínua em alguns programas televisivos e jornais nacionais que abordaram o tema da infertilidade e da procriação medicamente assistida em Portugal. Destacamos a participação nos programas televisivos “Portugal no Coração” da RTP1, “Bom dia Portugal” também da RTP1 e “O mundo das mulheres” da SIC Mulher nos dias 7 de Abril, 22 de Maio e 12 de Maio, respectivamente, e para as entrevistas concedidas ao Jornal 24 Horas nos dias 27 Abril e 6 de Maio e ao Diário de Notícias no dia 1 de Junho.

Acções de sensibilização em Escolas

A APFertilidade tem colaborado com diversas Escolas Secundárias em sessões de informação e sensibilização sobre a infertilidade, tendo sido representada por Anna Pires numa sessão de esclarecimento na Escola Secundária de Riba D’ Ave, no dia 28 de Maio, e por Ana Sofia Caniço numa acção de esclarecimento na Escola Secundária Matias Aires (Cacém), no dia 19 Maio e ainda numa palestra organizada pela da Escola Secundária Damião de Goes, em Alenquer no dia 30 de Maio.

Participação em Colóquio

A APFertilidade esteve presente no Colóquio “Procriação Medicamente Assistida”, promovido pela Escola Secundária Afonso Lopes Vieira e realizado em Leiria no dia 23 de Maio. A associação esteve representada por Sandra Monteiro e Sílvia Brites, num evento que procurou sensibilizar  e informar a comunidade presente para o diagnóstico e tratamento dos problemas de fertilidade.

3º Encontro Nacional

Realizou-se em Benavente, no dia 24 de Maio, o 3º Encontro Nacional da APFertilidade. Tratou-se de uma ocasião privilegiada para o convívio e troca de experiências entre os membros da nossa comunidade. O Encontro assinalou igualmente a comemoração do 2º aniversário da associação.

Caminhada pela Fertilidade

No dia 1 de Junho de 2008, integrando o evento “Mexa-se na Marginal” da Câmara Municipal de Oeiras, foi realizada a 1ª Caminhada pela Fertilidade, evento inédito entre nós, que contou com a participação de várias centenas de pessoas. Este foi o primeiro passo da Campanha Nacional pela Fertilidade, que se prolongará durante o mês de Junho, mês internacional da Fertilidade, com objectivo comum de informar os cidadãos e alertar o Estado para a importância dos problemas de fertilidade.

Protocolos

A APFertilidade aumentou a sua rede de protocolos com farmácias, tendo estabelecido protocolos com a Farmácia Magalhães (Alcobaça), com a Farmácia Portela (V.N. Gaia) e com a Farmácia Avenida (Leiria).
Na área do lazer foram estabelecidas parcerias com a rede de ginásios Solinca.
Para mais informações ou acesso a estes serviços deverão os Associados contactar a APF por email: apf@apfertilidade.org

Participação no 2º Salão da Promoção da Saúde, Prevenção da Doença, Estilos de Vida Saudáveis e do Bem-Estar

A APF, no âmbito da parceria estabelecida com a Plataforma Saúde em Diálogo, foi convidada a estar presente no 2º Salão da Promoção da Saúde, Prevenção da Doença, Estilos de Vida Saudáveis e do Bem-Estar, que se realizou na Cordoaria Nacional, em Lisboa, nos dias 10 a 13 de Abril.
A Associação esteve presente no stand disponibilizado pela Plataforma Saúde em Diálogo, no dia 13 Abril, facultando aos participantes material de divulgação e informação sobre a sua actividade, objectivos e planos de acção.

Mudança de Nome

No dia 7 de Abril foi realizada a Escritura de alteração de estatutos de acordo com o aprovado na Assembleia Geral de 01 de Março de 2008 e que aprovou a alteração da designação da associação para Associação Portuguesa de Fertilidade.



 

Infertilidade – Já é hora de falar de Prevenção…

Daniela Sobral

Médica Ginecologista/Obstectra

A Infertilidade é um problema complexo, que implica uma série de aspectos médicos, legais, éticos, morais e económicos muito graves não só para o casal, em particular, como para a sociedade, em geral. Felizmente médicos, políticos, doentes e população em geral estão cada vez mais alertados para este problema.

Está na hora de falarmos de prevenção.

Não se podem prevenir todos os tipos de Infertilidade, mas nalguns casos, há factores que podem ser alterados e é importante que a prevenção comece desde muito cedo.

1 - Alimentação: uma alimentação cuidada vai contribuir para uma pessoa mais saudável. Ter um peso adequado aumenta a fertilidade (na mulher, peso em excesso ou diminuído pode afectar a ovulação, no homem, peso excessivo pode alterar a qualidade do esperma). Algumas vitaminas e sais minerais parecem ter um efeito benéfico.

2 - Factores Ambientais: o tabaco tem sido associado a alterações ao nível do esperma, a um envelhecimento ovocitário e a um aumento da taxa de abortos; o álcool em excesso altera a fertilidade tanto no homem como na mulher; a cafeína quando em grande quantidade também pode ser prejudicial para ambos; as drogas (como marijuana e cocaína) provocam infertilidade tanto no homem como na mulher; os tóxicos ambientais (como pesticidas, metais, chumbo, mercúrio, químicos tóxicos, radiação ionizante) podem afectar sobretudo os homens uma vez que a formação dos espermatozóides é um processo dinâmico. A exposição dos genitais masculinos a elevadas temperaturas como sauna, banhos quentes, roupa interior muito apertada, febre, contacto directo com computador portátil, muitas horas ao volante, etc. pode alterar os parâmetros do esperma.

3 - Exercício: praticar exercício físico com moderação é benéfico mas quando em demasia pode provocar alterações nos ciclos menstruais na mulher e afectar a produção de esperma no homem.

4 - Idade: nunca é demais lembrar que a fertilidade da mulher vai diminuindo à medida que a idade aumenta e que essa diminuição começa por volta dos 25 anos sendo mais marcada a meio dos 30 e vertiginosa a partir dos 40 anos. No homem esta diminuição é muito subtil podendo mesmo ser insignificante.

5 - Contracepção: é muitíssimo importante evitar as gravidezes não desejadas que podem levar a interrupções de gravidez, e eventualmente, a um maior risco posterior de gravidez ectópica e infertilidade. É também muito importante evitar as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), que muitas vezes não causam qualquer sintoma mas que podem provocar uma doença inflamatória pélvica que, se não for tratada, pode levar a alterações a nível das trompas que comprometem a fertilidade. Podem levar, também, a gravidez ectópica e infertilidade. No homem, as IST podem causar infecções genitais com posteriores alterações a nível do espermograma. É importante que estas infecções sejam tratadas precocemente e que ambos os parceiros façam o tratamento. A utilização do preservativo (sempre) é fundamental na prevenção deste tipo de infecções.

Os contraceptivos hormonais podem diminuir as dores menstruais que por vezes são o primeiro sintoma de Endometriose (muitas vezes não diagnosticada). Nalguns casos (infelizmente, não em todos) este tratamento pára ou atrasa a progressão da doença.

Há que ter cuidado com os métodos de contracepção irreversíveis – vasectomia no homem e laqueação de trompas na mulher. São cada vez em maior número os casos de pedido de reversão do processo, o que não é possível numa percentagem grande destas situações.

6 - Preservação da fertilidade na doença oncológica: no homem é relativamente simples devendo fazer uma colheita de esperma antes de ser submetido aos tratamentos que eventualmente possam lesar a fertilidade. Na mulher é um processo mais complexo, algumas opções ainda estão em investigação enquanto outras já são utilizadas na prática clínica (congelamento do tecido ovário, de ovócitos ou de embriões; utilização de alguns medicamentos como os análogos da GnRH).

7 - Stress: O papel do stress na Infertilidade tem sido muito debatido mas ainda não está bem definido. No entanto todas as armas que ajudam a combater o stress e a fazer-nos sentir felizes e relaxados só podem ser benéficas.

8 - Sexo: O impacto da Infertilidade na vida sexual do casal pode ser enorme, o “sexo com hora certa” pode arruinar toda a magia. As disfunções sexuais podem agravar ou mesmo provocar alguns casos de infertilidade. É importante investir na vida sexual, dá trabalho mas vale a pena. Esquecer o sexo programado, tentar esquecer (por momentos) a vontade de engravidar e pensar em sexo só porque dá prazer, é divertido, aproxima o casal, diminui o stress, faz com que o casal se sinta mais feliz.

É fundamental uma consulta pré-concepcional onde podem ser prevenidas ou detectadas precocemente algumas causas de Infertilidade. Por exemplo, certas doenças crónicas como diabetes, lúpus e problemas da tiróide podem interferir com a função ovárica normal, o seu controle adequado aumenta a fertilidade. Alguns medicamentos podem também interferir com a fertilidade tanto do homem (ex: medicamentos anti-hipertensivos como os bloqueadores dos canais de cálcio) como da mulher.



 

Exame - Teste pós-coital

O colo do útero é revestido por uma membrana com glândulas que segrega uma secreção ou muco e que, ao longo do ciclo, muda de textura, cor e quantidade. Esta secreção é a responsável pela lubrificação do canal cervical e da vagina e contém nutrientes muito importantes para os espermatozóides.

Durante o ciclo menstrual, esta secreção ou muco cervical, sofre alterações físicas e químicas sob a acção das hormonas sexuais femininas produzidas pelos ovários – os estrogénios e a progesterona.

 

Na fase ovulatória (período fértil), sob a acção dos estrogénios o muco é claro, aquoso, abundante e alcalino, favorecendo a penetração dos espermatozóides; pelo contrário, na fase pós-ovulatória, sob a influência da progesterona, todas essas propriedades desaparecem, tornando-se o muco mais espesso, viscoso e consistente, dificultando a progressão dos espermatozóides.

Para que serve?

O teste pós-coital, também designado de Sims-Huhner é um dos testes mais antigos para avaliação de fertilidade, apesar de actualmente não ser considerado de grande valor clínico Este teste fornece uma informação importante sobre a receptividade do muco cervical aos espermatozóides, assim como a capacidade de sobrevivência e deslocação destes no muco.

Como se realiza?

Este teste deve ser realizado durante o período de ovulação (em mulheres com ciclos regulares de cerca de 28 dias, entre o 12º e o 15º dia) e 12 horas após a relação sexual.

O ginecologista coloca o espéculo e com uma seringa apropriada, recolhe uma amostra de muco cervical da entrada do colo do útero, sendo este procedimento indolor. O muco recolhido é colocado numa lâmina e observado ao microscópio para avaliar a sua textura, efectuar a contagem dos espermatozóides activos e observar a sua mobilidade e progressão no muco.

Preparação para o teste.

Recomenda-se uma abstinência sexual prévia de 2 a 3 dias. Após a relação sexual, na noite anterior ao dia do exame, é aconselhável que a mulher não utilize lubrificantes nem faça a sua higiene íntima diária.

Como interpretar os resultados

O teste é positivo se for observado pelo menos um espermatozóide móvel progressivo (ideal: cinco espermatozóides progressivos rápidos na objectiva de 40X). O teste é negativo ou insatisfatório na ausência de espermatozóides ou na presença de espermatozóides imóveis ou com movimento não progressivo; tal poderá indicar que o muco que reveste o colo uterino é adverso e imobiliza ou destrói os espermatozóides. O muco cervical pode ser hostil aos espermatozóides, podendo mesmo possuir anticorpos que os destroem. A mobilidade dos espermatozóides pode também ser afectada por factores imunológicos, nomeadamente nas situações em que se encontram espermatozóides em movimento mas sem progressão.

Os resultados deste teste não são absolutos e podem variar de observador para observador, não podendo este teste substituir o espermograma. Contudo a ausência de espermatozóides, ou a existência de um número reduzido ou a sua incapacidade de mobilização, pode ser demonstrada.

BIBLIOGRAFIA E SITES CONSULTADOS

Joaquim Gonçalves (2005). Rev Port Clin Geral;21:493-503

Rosália Sá, Mário Sousa, Alberto Barros (2005). Manual do casal Infértil

West, Zita (2004). Fertilidade e concepção. 192p.

http://www.saudevidaonline.com.br

http://www.isaia.com.br



 

Testemunho da Ana Matos

A vida brindou-nos com o mais belo sorriso – a nossa linda Catarina!

Não foi fácil, mas valeu todo o nosso esforço e hoje podemos dizer que somos uma família muito feliz.

Pouco depois do nosso casamento, em 2001, decidimos que estava na altura de termos filhos. Ambos adoramos crianças, mas não sabíamos que teríamos de lutar tanto para conseguirmos concretizar o nosso maior desejo.

No final desse ano recebíamos a feliz noticia que estava grávida, mas essa felicidade durou pouco tempo pois aos 2 meses de gestação sofríamos um aborto espontâneo. Depois desta perda, seguiram-se mais 2 gravidezes não evolutivas.

Foi em 2002 que decidimos procurar ajuda especializada e, depois de muitos exames e análises, descobrimos que eu sofria de hipotiroidismo. Apesar de medicada, a gravidez tardava e seguimos para mais exames que me detectaram um problema na trompa esquerda que acabou por ser laqueada.

Após a recuperação da laparoscopia, ainda tentamos uma gravidez natural durante alguns meses, mas sem resultados. Foi aí que partimos para a nossa 1ª FIV.

Não sabíamos o que nos esperava e por isso recorremos à internet onde encontramos muitos outros casais que passavam pelo mesmo. Encontramos pessoas fantásticas com as quais mantemos ainda hoje uma amizade verdadeira.

Com a troca de experiências percebemos que o tratamento implicaria a toma de injecções diárias. Entrei em pânico! Mesmo assim, o nosso desejo prevaleceu e ultrapassei esse medo com a ajuda do meu marido e dos enfermeiros.

Nesta 1ª tentativa, conseguimos 16 embriões, mas os efeitos secundários da medicação foram devastadores, obrigando-me a um internamento devido à hiperestimulação. Por este motivo não avançamos com a transferência e os embriões foram criopreservados.

Após a minha recuperação, avançamos com 3 transferências de embriões que, infelizmente, não resultaram. E 3 anos se passaram.

Depois destes revés, detectaram-me um enorme quisto anexial na trompa laqueada, que me provocava dores atrozes. A solução para o problema passava por mais uma cirurgia para me retirarem a trompa, os focos de endometriose (grau IV) e os quistos “chocolate”. A recuperação foi dolorosa, mas após 6 meses estava pronta para recomeçar os tratamentos.

Apesar da médica que me operou achar que deveríamos tentar uma gravidez natural durante os meses seguintes, decidimos não perder mais tempo e mudamos de clínica.

Foi nesta clínica que nos sugeriram a realização de ICSI com DGPI (diagnóstico genético pré-implantatório).

Decidimos confiar no diagnóstico e 15 dias depois iniciamos um novo tratamento. Conseguimos 10 embriões, mas apenas 8 foram biopsiados. Infelizmente, apenas um deles não apresentava graves deficiências. Fizemos a transferência deste campeão, mas o resultado foi negativo.

Com este desfecho, decidimos avançar para uma nova tentativa com DGPI e, se o resultado fosse semelhante ao anterior, avaliaríamos o recurso a doação de gâmetas.

Três meses depois do negativo, iniciamos nova estimulação e desta vez conseguimos transferir 2 embriões sem qualquer anomalia.

Contrariamente às transferência anteriores, não fiz repouso em casa e decidimos fazer umas férias até ao dia da BHCG. Foi no dia 25 de Junho de 2007 que chegou a notícia que mais desejavamos: Positivo! Estavamos sem palavras.

Com o passar do tempo seguiram-se as ecografias de confirmação da gravidez, da evolução da bebé, até que chegou o dia do tão desejado nascimento da nossa princesa. Graças a Deus tivemos uma gestação sem um único problema e hoje somos uma família muito feliz. Temos a luz dos nossos olhos, o sorriso da felicidade chama-se Catarina!

A todos os profissionais, amigos e familiares que nos acompanharam e fizeram da nossa luta a deles, o nosso muito obrigada.

Ao meu marido, o meu grande amor, um bem haja por ser quem é.

A ti minha Filha, desejo a maior felicidade. Um dia saberás o quanto foste desejada pelos papás e amigos. És a nossa princesa

Nunca deixem de lutar, enfrentem cada ttt com um sorriso nos lábios e acreditem que o vosso dia chegara. O nosso demorou 6 anos mas valeu a pena!

Bjs muito grandes e muito férteis