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Petição: Dia Nacional da Fertilidade
A Associação Portuguesa de Fertilidade está a realizar uma petição para o reconhecimento legal do dia 21 de Junho como Dia Nacional da Fertilidade. Para o efeito, foi criada online a seguinte petição pública. Pedimos a todos o favor de assinarem e divulgarem entre amigos e conhecidos.
Protocolos
A APF continua a alargar o seu leque de parcerias, tendo recentemente estabelecido mais dois protocolos visando um conjunto adicional de vantagens para os nossos associados. Na área do Lazer e Bem-estar, a APF conta agora com a clínica Bodhi como parceira. A Bodhi é uma clínica especializada em Saúde, Beleza, Bem-estar e Prevenção do envelhecimento precoce que dispõe de consultas em várias especialidades, desde a Nutrição ao Stress, passando pela Medicina Estética, Consultas de Rosto, Corpo e afins.
No âmbito dos acordos com farmácias foi celebrado protocolo com a Farmácia S. José em Coimbra e com a Farmácia Monteiro em Canas de Senhorim.
Para mais informações ou acesso a estes serviços deverão contactar a APF através do endereço de correio electrónico apf@apfertilidade.org
Abertura do Grupo de Apoio do Porto
Com a abertura, no passado mês de Agosto, do Grupo de Apoio do Porto, fica assim cumprida a primeira fase da criação de uma Rede Nacional de Grupos de Apoio, que agora entra num breve período de consolidação, de modo a retomarmos a abertura de novos núcleos para adensar a rede no todo nacional. O mais recente Grupo de Apoio da APFertilidade é coordenado pelas nossas colegas Sara, Angélica e Marta Casal, e iniciará o seu funcionamento no mês de Outubro. O local e a data da primeira sessão serão devidamente enunciados no nosso site www.apfertilidade.org
A Infertilidade na Imprensa
O tema da infertilidade foi abordado em alguns programas televisivos e jornais nacionais nos últimos meses. Como associação representativa dos casais que vivem a infertilidade, apraz-nos que a comunicação social debata este tema e assim contribua para uma maior informação. Destacamos o programa “Fátima” (SIC, 12 de Junho), o programa “Contacto” (Sic, 17 de Junho de 2008), a edição de sábado da revista “Nova Gente” (14 de Junho) e a edição de Domingo do “Correio da Manhã” (10 de Agosto).
Campanha Nacional pela Fertilidade
A APF tem vindo a promover uma Campanha pela Fertilidade, de âmbito nacional, destinada a sensibilizar e informar a população em geral sobre os problemas de fertilidade, apostando numa vertente preventiva da doença e dando a conhecer em simultâneo a o seu projecto associativo. Foram distribuídos mais de 100.000 folhetos e 1.000 cartazes por vários Centros de Saúde, clínicas e laboratórios no território nacional.
Participação em seminários
No passado dia 15 de Julho a APFertilidade participou, na qualidade de prelector, no seminário “Infertilidade… (Re)criar um sonho” organizado pela Universidade Católica Portuguesa. A associação foi representada por Ana Sofia Caniço que falou do papel que a APF tem vindo a desempenhar junto das famílias que lidam com a problemática da infertilidade e ainda sobre o panorama da doença em Portugal.
Matilde Catalão

“A partir das semelhanças gera-se a esperança e o aumento da confiança
dos indivíduos nas suas próprias capacidades”
Zukerfeld
Quando o projecto de parentalidade de um casal é posto em causa por um diagnóstico de infertilidade, a sua condição enquanto sujeitos e enquanto casal é profundamente abalada, necessitando de reajustamentos.
Se, até àquele momento, a gravidez era um processo natural, parte integrante de uma história construída pelos seus autores, de repente abre-se um espaço de incerteza, de uma constelação inúmera de sentimentos, de dúvidas, de falta de controle na vida, em que a infertilidade ganha a autoria.
A relação do casal é afectada, bem como a relação com a família, com os amigos e com a própria realidade circundante que ganha novos significados (a gravidez dos amigos, as festas, os anúncios, as lojas…). Ao mesmo tempo as consultas, exames médicos e tratamentos invadem o quotidiano e a esfera da intimidade. Em alguma medida há, em parte, a exclusão de um território e a criação de um novo, com uma linguagem muito própria, difícil de ser partilhado e compreendido por aqueles que não tenham vivido essa experiência. E é nesse sentido que os Grupos de Apoio se constituem como um espaço diferenciado, onde a coesão se dá pela identificação mútua dos seus elementos que, aliada à riqueza da experiência única de cada um, potencia o crescimento de todos. Adentro de um mesmo território, as pessoas podem se nutrir na partilha, no reconhecimento e na aceitação, ao mesmo tempo que é facilitado o “confronto” natural das diferentes subjectividades e realidades. E é neste duplo movimento que emerge o potencial de transformação.
O sentido é o sujeito retomar a autoria da sua caminhada, sem negar a realidade, mas com esperança. É poder olhar a vida além da infertilidade. O movimento é de apoio à autonomia no fortalecimento da confiança em si próprio. Porque como autores não somos sujeitos passivos da nossa história, e podemos recriar-nos a partir dos obstáculos que nos surgem na vida, e isso só é possível quando sabemos e sentimos que não estamos sós.
Testemunho da Ana Sofia Caniço

Desde que nos conhecemos que sempre desejámos ter filhos e, em Maio de 2004, começámos a tentar engravidar. Após alguns meses, foi-me diagnosticado Ovários Poliquísticos e, ao fim de quinze meses de tentativas, tivemos um positivo. Mas, às dez semanas, tive perdas e soube que tinha um aborto retido. Foi muito difícil, o sonho desmoronou-se. A dor que se sente não se consegue explicar.
Dois meses depois voltámos às tentativas e surpreendentemente engravidei logo. Tínhamos muito medo que tudo se repetisse e os receios confirmaram-se quando, às sete semanas, não batia o coração. Tive uma gravidez não evolutiva.
Alguns meses depois, comecei com injecções para estimulação de ovulação e no quarto mês tive um positivo. Eu vivia apavorada com a ideia de ter de passar por tudo outra vez. Às seis semanas tive uma hemorragia e pensei no pior; mas, após uma semana de repouso, vimos um coração bater. Uns dias depois tivemos uma grande surpresa, pois afinal batiam três corações. Ficámos muito felizes mas mais receosos, pois os riscos eram ainda maiores. Com repouso, tudo correu bem e às dezassete semanas soube que eram três rapazes – os Pitucos. Mas eu não descansava, continuava com medo de perder aqueles bebés que eu amava e desejava tanto.
Infelizmente os meus receios não eram infundados e, após ter tido uma hemorragia, fui para o Hospital. Tinha entrado em trabalho de parto, devido a uma Incompetência Istmo-Cervical. Com 18 semanas e 4 dias nada se podia fazer se nascessem e por isso tentaram coser o colo do útero. Mas as coisas complicaram-se e tiveram de tirar um dos bebés por cesariana. Seis dias depois, fui para os cuidados intensivos devido a um encharcamento pulmonar. As contracções voltaram e devido à cesariana havia risco de ruptura do útero. Os médicos acharam que eu já tinha corrido demasiados riscos e fizeram uma Interrupção Médica da Gravidez, às 19 semanas e 3 dias, pois embora os bebés estivessem bem, eu corria risco de vida.
Foi a experiência mais dura, mais difícil e triste da minha vida e da do meu marido. Os primeiros tempos foram terríveis, ainda hoje há dias muito difíceis mas, sem dúvida, ficámos mais unidos do que nunca. Se o nosso casamento ultrapassou com distinção uma das piores coisas que um casal pode viver – não só a perda de um, mas de cinco filhos – não é qualquer coisa que nos derruba
Os dezoito meses de espera devido às cesarianas estão prestes a terminar e provavelmente em breve farei uma FIV. Se engravidar, terei de ficar em casa e farei uma cerclagem pelas treze semanas, e viverei na ansiedade e expectativa de chegar a um tempo em que o bebé possa crescer sem problemas cá fora. Desistir não me passa pela cabeça. Os meus cinco bebés ficarão para sempre no meu coração, mas preciso de acreditar que um dia vou ter filhos comigo.
Um abraço apertado para a minha família APF que tem um papel essencial na minha vida e que sem dúvida é algo positivo que a Infertilidade me trouxe.
Fecundação In Vitro (FIV)

Em que consiste a Fertilização In Vitro?
A Fertilização In Vitro também designada por FIV é uma técnica de reprodução medicamente assistida que consiste na colocação, em ambiente laboratorial (in-vitro), de um número significativo de espermatozóides e de um ovócito com o objectivo de obter embriões de qualidade para posteriormente serem transferidos para a cavidade uterina. Desta forma, ao contrário do que acontece na inseminação artificial, na FIV a fecundação ocorre fora do organismo da mulher.
Em 1978, em Inglaterra nasceu a primeira criança por esta técnica de Procriação Medicamente Assistida.
Como se processa a Fertilização In Vitro?
A realização de um ciclo de FIV é um processo complexo que envolve várias etapas:
Estimulação dos ovários
Inicialmente, a mulher é sujeita a uma estimulação dos ovários recorrendo a medicamentos indutores da ovulação normalmente administrados por via injectável. Existem vários tipos de protocolos de estimulação ovárica, pelo que o seu médico deverá escolher o que for mais adequado ao seu caso. A dose administrada pode variar entre os 150 e 450 mg diários e deverá ser ajustada ao longo do processo de estimulação para obter a resposta dos ovários desejada. Com esta medicação pretende-se que o ovário, que num ciclo natural produz normalmente um único ovócito, produza, neste caso, vários.
Para avaliar o desenvolvimento dos folículos (que contêm os ovócitos), a mulher é acompanhada ao longo desta estimulação através da realização regular de ecografias e análises hormonais. As ecografias permitem ao médico efectuar a contagem e determinação do tamanho dos folículos e assim acompanhar o seu desenvolvimento ao longo do processo de estimulação. Por outro lado, através das análises hormonais o médico pode avaliar indirectamente o desenvolvimento dos ovócitos.
Quando a avaliação ecográfica revela já um determinado número de folículos com o tamanho adequado (maior que 17 mm), indicativo da existência de um ovócito maduro no seu interior, é administrada uma injecção de uma hormona designada por gonadotropina coriónica humana (hCG). A função desta hormona é levar à maturação final do ovócito e à sua libertação.
Esta injecção é administrada cerca de 36 horas antes da colheita dos ovócitos, também designada por punção.
A Punção
A punção consiste na aspiração dos ovócitos produzidos por cada ovário, através da introdução na vagina de uma sonda com uma agulha muito fina. Esta operação tem a duração de cerca de 15 minutos encontrando-se a mulher anestesiada.
Simultaneamente, será pedido ao homem que efectue uma recolha de esperma. Os espermatozóides obtidos são sujeitos a uma série de processos de tratamento, de forma a serem escolhidos cerca de 50000, aqueles que aparentemente sejam melhores em termos de mobilidade e morfologia, para serem colocados junto a cada ovócito.
Os ovócitos, resultantes da punção, são transferidos para meios de cultura no laboratório, onde irão ser postos em contacto com os espermatozóides para que ocorra a fecundação. Passado cerca de 16 a 18 horas o biólogo observa os ovócitos para verificar se ocorreu a fecundação e avaliar a evolução dos embriões.
A Transferência
Após 2 a 5 dias da colheita dos ovócitos, dependendo do número e da qualidade dos embriões obtidos, os melhores embriões são transferidos para o útero da mulher. Esta transferência é efectuada com a ajuda de um cateter muito fino não sendo necessária a sedação da mulher uma vez que é um procedimento rápido e indolor. São transferidos normalmente dois embriões, contudo o número depende de vários factores, como a idade da mulher e o número de tentativas anteriores.
Caso existam embriões excedentários de boa qualidade, estes podem ser congelados e utilizados pelo casal num futuro ciclo.
Desde o dia que realiza a punção, a mulher começa a aplicar progesterona (usualmente em forma de comprimidos vaginais) com o objectivo de tornar o endométrio mais espesso, preparando-o assim para a implantação dos embriões.
É aconselhável o repouso após a transferência, principalmente nos primeiros 3 dias.
Após cerca de 14 dias a mulher deverá fazer uma análise ao sangue – BHCG (gonadotrofina coriónica humana) – para saber se está grávida.
Quem deverá recorrer à Fertilização in Vitro?
A técnica de Fertilização In Vitro está indicada para casais com casos de infertilidade inexplicada e que não tiveram sucesso com a Inseminação intra-uterina, em mulheres com obstrução ou ausência de trompas e em casos de infertilidade masculina moderada.
Quais as taxas de sucesso da Fertilização In Vitro?
Na generalidade a taxa de gravidez por ciclo de tratamento é de cerca de 30 %. Contudo, as taxas de sucesso da FIV são bastante variáveis e dependem de vários factores, dos quais se destacam a causa de infertilidade e a idade da mulher.
Quais as complicações que podem surgir?
Poderão ocorrer algumas reacções moderadas como sensação de calor, irritabilidade, cansaço e dores de cabeça.
Uma das complicações mais graves que pode surgir durante um processo de FIV é o Síndroma de Hiperestimulação Ovárica. Consiste numa reacção mais forte do que seria desejado dos ovários à medicação utilizada na sua estimulação. Os ovários respondem exageradamente à medicação e começam a produzir um número muito elevado de folículos e quistos. Em casos mais graves pode mesmo ocorrer acumulação de líquido no abdómen e no tórax. Os sintomas são normalmente: dor pélvica e /ou abdominal, enjoos, vómitos e dificuldades respiratórias. Se sentir algum destes sintomas deverá entrar em contacto com o seu médico, pois esta é uma reacção grave que em casos extremos poderá provocar uma trombose, um ataque cardíaco ou um acidente Vascular Cerebral (AVC).
Fontes:
West, Zita, 2004. Fertilidade e concepção. 192p.
Manual da Associação Portuguesa de Infertilidade
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