Actualidades PMA

Abertura de duas novas clínicas na área da infertilidade
Foram recentemente inaugurados dois novos espaços de sáude dedicados ao tratamento da infertilidade. A Clinimer - Centro de Medicina da Reprodução, unidade integrada no Centro Médico-Cirúrgico de Coimbra, oferece uma abordagem completa do casal com problemas de fertilidade, contando a presença das especialistas Dra. Ana Peixoto e Dra. Margarida Silvestre. Integrada no recente Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, foi inaugurada a unidade de infertilidade, com uma equipa constituída pelos médicos Dr. António Neves, Dr. Luis Vicente, Dra. Ana Paula Maia e Dra. Daniela Sobral e que oferecerá todos os meios de diagnóstico e de tratamentos das situações de infertilidade. Pode consultar a lista completa dos centros privados de PMA no seguinte endereço:
http://forum.apfertilidade.org/clinicas.html?privadas
Lei da procriação assistida considerada constitucional pelo Tribunal Constitucional
Foi notícia do Jornal Público do passado dia 12 de Março a divulgação do acórdão do TC que dava conta da decisão pela constitucionalidade da Lei da procriação assistida em resposta a um requerimento da autoria de deputados do PSD e CDS.
Centro de Medicina de Reprodução do British Hospital
As unidades laboratoriais da clínica CMR- Cascais e CMR- British fundiram-se numa só unidade, localizada no British Hospital em Lisboa mantendo-se em Cascais a funcionalidade clínica. Segundo a Dra. Madalena Barata, Directora do CMR do British Hospital, para além dos benefícios obtidos com a junção das duas unidades laboratoriais, conseguem assim dotar um só laboratório com valências e capacidades acrescidas que lhes permitirá implementar novas técnicas.
Ferticentro anuncia novas modalidades de pagamento
A Clínica Ferticentro (Coimbra) lançou recentemente um programa que apresenta novidades significativas nos custos da medicação para os casais sujeitos a técnicas de Procriação Medicamente Assistida. Assim, no caso dos tratamentos de FIV ou ICSI, os casais podem agora optar por um programa de tratamento que inclui um valor fixo de 450€ para as despesas com a medicação. No caso de ser efectuado mais que um ciclo de PMA, é também feito um desconto de 250€ sobre os valores dos programas de FIV ou ICSI. Além disso, a Ferticentro contratualizou com uma entidade bancária uma linha de crédito específica para tratamentos de PMA realizados na clínica, a qual permite o financiamento a 100% dos tratamentos.
Notícias APF

A APF na Imprensa
Os primeiros meses do ano 2009 contaram com a participação frequente da APF na imprensa televisiva. Destacamos a reportagem do Telejornal da RTP1 de 10 de Fevereiro, com o testemunho de Cláudia Vieira e Mafalda Câmara; o Programa “TVI Reporter” da estação televisiva TVI, emitido no dia 09 de Fevereiro, e que contou com os testemunhos de Filomena Gonçalves, Elsa Ferreira, Ana Mafalda, Teresa Maria e Severino João; o Programa “Mundo das Mulheres” da estação SIC Mulher, do dia 15 de Janeiro, com os testemunhos de Filomena Gonçalves e Elsa Ferreira.
Distribuição de Agendas
Para dar as boas vindas ao novo ano e pensando no planeamento de consultas e tratamentos, a APF concebeu e distribuiu agendas personalizadas por todos os seus Associados, com informação útil e relevante, permitindo ainda a calendarização das etapas fundamentais de um tratamento de fertilidade.
APF no YouTube
A APF já tem canal no Youtube, no endereço http://www.youtube.com/APFertilidade Aqui poderão ser visionados todos os vídeos relacionados com a infertilidade transmitidos na televisão portuguesa até ao momento.
Protocolos
A rede de protocolos entre a APF e as entidades que operam na área da saúde continua a ser reforçada. O Centro de Medicina de Reprodução Clinimer em Coimbra faz agora também parte da rede de clínicas protocoladas com a APF que oferece vantagens aos seus associados.
No âmbito das farmácias, foram estabelecidos novos protocolos com a Farmácia Sá da Bandeira e Farmácia Lago, no Porto, e com as farmácias dos Olivais e Oliveira Ramos em Coimbra. Foi ainda renegociado o protocolo já existente com a rede de farmácias Barral, passando os associados APF a usufruir de maiores descontos nas compras efectuadas nas farmácias desta rede: Farmácia Barral (Lisboa), Farmácia Oriental de Lisboa, Farmácia da Misericórdia de Sintra, Farmácia da Misericórdia de Canha, Farmácia Ribeiro Lopes (Lagos), Farmácia Guilherme F. Dias (Portimão) e Farmácia Hygia (Monchique).
Também o protocolo existente entre a APF e a AVA Clinic foi alvo de renegociação, com a introdução de condições mais vantajosas para os Associados.
Para mais informações sobre estes serviços deverão contactar a APF através do endereço de correio electrónico geral@apfertilidade.org

Inauguração de local de atendimento ao público
A Associação Portuguesa de Fertilidade inaugurou no passado mês de Janeiro o seu primeiro local de atendimento ao público. Quem estiver interessado em contactar a Associação poderá agora dirigir-se à Rua Conde Alto Mearim, 1133 - 7º, sala 75, 4450 - 036 Matosinhos.
Reunião da Assembleia Geral
Foi realizada a Assembleia-Geral Ordinária da Associação Portuguesa de Fertilidade no dia 14 de Março de 2009, pelas 13h30m na Rua Conde Alto Mearim, nº1133, 7º andar - Sala 75, em Matosinhos, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
Os primeiros e segundos pontos da OT foram aprovados por unanimidade e no terceiro ponto foi aprovada a realização da 4ª edição do encontro nacional, no mesmo dia em que decorrerá a 2ª caminhada pela fertilidade, o dia 21 de Junho, dia nacional da fertilidade. Desta vez ambos os eventos deverão ter como palco a cidade do Porto.
Participação da APF na XVII Semana da Psicologia e Ciências da Educação
A APF irá participar, a convite da Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, na XVII Semana da Psicologia e Ciências da Educação que irá decorrer de 23 a 27 de Março. A associação será representada pela Dra. Matilde Catalão.

Campanha “Também Quero Ser Pai”
No Dia do Pai, a 19 de Março, a Associação Portuguesa de Fertilidade lançará um site inédito e pioneiro em Portugal a ser disponibilizado no endereço http://www.queroserpai.com.
Este site é dirigido a todos os homens que gostariam de ser pais e que até ao momento se viram impossibilitados de concretizar este desejo. Ao acedê-lo, o futuro pai terá apenas de responder a um questionário cujo objectivo será o de avaliar a realidade portuguesa e as circunstâncias deste desígnio. A APF pretende assim levar a cabo a maior sondagem de sempre realizada a nível nacional dedicada a esta temática e cujos resultados alcançados serão devidamente divulgados em data a definir.
Testemunho

Como qualquer casal que se ama e que idealiza uma casa cheia, decidimos que tinha chegado o momento para começarmos a constituir a família que desejávamos. Foi em 2003, numa viagem à Madeira, que a decisão foi tomada e a partir daí as precauções foram abandonadas.
A cada momento falávamos de como seriam os nossos filhos, os seus sorrisos, as suas birras, os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro dia de escola. Mas os meses foram passando e a gravidez tão desejada não chegava.
Em Janeiro de 2004 fizemos alguns exames a pedido da minha ginecologista. O diagnóstico ceifou-nos friamente o sonho e confrontou-nos com algo de que não estávamos à espera - a infertilidade! Procurámos ajuda especializada e marcámos consulta na Unidade de Medicina de Reprodução de um hospital público. Alguns meses, desenhados de ansiedade, passaram até à primeira de muitas consultas.
Numerosos exames começaram a fazer parte da nossa rotina, muitas análises… E o diagnóstico resistia: sem a ajuda da ciência, dificilmente conseguiríamos engravidar. O próximo passo seria a micro-injecção intracitoplasmática (ICSI), o que só veio a acontecer em Julho de 2005.
Tudo era novidade, mas a vontade de gerar um filho superava o receio de injecções diárias, das ecografias, das análises constantes e punções com anestesia geral. Quando tudo parecia estar bem encaminhado, o tratamento foi interrompido devido a hiper-estimulação dos ovários.
Apesar deste revés, o sentimento de luta reforçava-se a cada dia e em Novembro de 2005 iniciámos um novo tratamento. Desta vez fomos até ao fim e conseguimos cinco embriões. Transferimos dois e os restantes foram criopreservados com o objectivo de serem transferidos mais tarde. Foram doze dias de inquietação de espírito até à data da bhcg, mesmo na véspera do meu aniversário. Tínhamos muita esperança de que tudo tivesse corrido bem, mas infelizmente o resultado foi negativo. Uma sensação de vazio enorme!
Em Fevereiro de 2006 avançámos para a transferência dos embriões criopreservados (TEC), mas estes desfragmentaram-se e foi cancelada. Mais uma dificuldade no nosso caminho, mas que não nos demoveu.
Nova consulta, nova ICSI, desta vez para Maio do mesmo ano. Finalmente, o milagre da vida aconteceu. A mais bela viagem da nossa vida tinha começado. Íamos ser pais! Poucos dias depois esta felicidade duplicou, a vida presenteava-nos com gémeos. Dia após dia, o meu corpo transformava-se para acolher aqueles duas vidas e adaptava-se às suas formas. Orgulhosamente, mostrava ao mundo o quanto era feliz.
A 15 de Outubro de 2006 cumpriu-se o destino e a felicidade plena transformou-se na nossa maior dor. Perdemos os dois filhos que carregava, com 21 semanas de gestação!
Inexplicavelmente, as contracções começaram e, nem com toda a ajuda médica, conseguimos travar-lhes a força e evitar que os nossos bebés partissem cedo demais. Uma nuvem escura invadiu a nossa vida, o nosso coração, a nossa casa…
Alguns meses depois soubemos que sofria de um problema de trombofilias e que este seria a possível causa deste duro desfecho. Mas como a vida é feita de esperança, projectos e sonhos, em Fevereiro de 2007 avançámos para uma nova TEC. Voltámos a sorrir quando o resultado positivo se confirmou. Infelizmente, a gravidez não evoluiu e, uma vez mais, o sonho ruiu. Pouco depois, outra TEC, desta vez negativa. Voltámos ao ponto inicial e nova ICSI ficou marcada para Agosto de 2007. O resultado negativo repetiu-se.
Foi então que decidimos procurar uma segunda opinião e mudámos para uma clínica privada. Estávamos conscientes de que os custos representariam um esforço financeiro acrescido, mas o tempo estava contra nós. Já tinham passado mais de quatro anos desde que tínhamos planeado sermos pais.
Em Novembro de 2007 iniciámos a nossa quinta ICSI, que resultou no tão desejado positivo. Apesar da boa notícia, o sentimento de felicidade foi muito controlado e vivemos esta nova gravidez, também ela gemelar, com muitos receios. A recomendação de repouso absoluto foi escrupulosamente cumprida, mas nem assim se conseguiu evitar que as nossas M&Ms chegassem com apenas 33 semanas e 2 dias.
Foi a 27 de Junho de 2008 que a Marta e a Margarida, com apenas 1600gr e 1380gr, chegaram ao mundo. Muito pequeninas, mas com a grande capacidade de nos devolver a felicidade perdida.
A todos os que passam pela dor da infertilidade quero deixar uma mensagem de esperança. Não deixem de acreditar nos vossos sonhos. Hoje quando olho para para as minhas filhas só consigo pensar que fui recompensada pela minha persistência!
Claudia Vieira
Saiba mais sobre

Injecção Intra-citoplasmática de Espermatozóide (ICSI)
Em que consiste a Injecção Intra-citoplasmática de Espermatozóide?
A Injecção Intra-citoplasmática de Espermatozóide também designada por ICSI (intracytoplasmatic sperm injection) é uma técnica de reprodução medicamente assistida que consiste na colocação, em ambiente laboratorial (in-vitro), de um único espermatozóide num ovócito.
Esta técnica veio revolucionar o tratamento da infertilidade masculina e os primeiros nascimentos através desta surgiram em 1992. O investigador português, e especialista em medicina de reprodução, Professor Mário Sousa foi o responsável pelo desenvolvimento clínico da ICSI e pela optimização desta técnica, tendo descoberto o mecanismo que levou à sua aplicação generalizada para o tratamento da infertilidade masculina em todo o mundo.
Como se processa a ICSI?
O procedimento necessário para a realização de uma ICSI envolve as mesmas etapas necessárias para a Fertilização in vitro (FIV): estimulação dos ovários, punção ovárica, fertilização e transferência de embriões (ver newsletter n.º 8- Setembro 08) residindo a principal diferença entre ambas as técnicas na fase de fertilização.
A estimulação dos ovários é efectuada recorrendo a medicamentos indutores da ovulação normalmente administrados por via injectável para a produção de vários ovócitos. Quando o desenvolvimento folicular atinge o patamar desejado (número e tamanho dos folículos) é administrada uma injecção de gonadotropina coriónica humana (hCG) para a libertação dos óvulos dos folículos. Esta injecção é administrada cerca de 36 horas antes da colheita dos ovócitos, também designada por punção.
Simultaneamente, será pedido ao homem que efectue uma recolha de esperma que será tratada e seleccionada. Os espermatozóides podem também ser recolhidos por aspiração do epidídimo ou extraídos do testículo.
Os ovócitos, resultantes da punção, são transferidos para meios de cultura no laboratório, onde o biólogo, com a ajuda de micromanipuladores acoplados a um microscópio, injectará um único espermatozóide num óvulo para promover a fecundação. Para a realização desta técnica são utilizadas microagulhas (mais finas que um fio de cabelo); enquanto uma das agulhas segura o ovócito a outra vai aspirar o espermatozóide seleccionado, imobilizá-lo e injectá-lo dentro do ovócito. Após cerca de 16 a 18 horas o biólogo observa os ovócitos para verificar se ocorreu a fecundação e para avaliar a evolução dos embriões. Após 2 a 5 dias da colheita dos ovócitos, dependendo do número e da qualidade dos embriões obtidos, os melhores embriões são transferidos para o útero da mulher.
Os cuidados a ter após a transferência são os já referidos para a FIV. Após cerca de 14 dias a mulher deverá fazer uma análise ao sangue – BHCG (gonadotrofina coriónica humana) – para saber se está grávida.
Quem deverá recorrer à ICSI?
Esta técnica é geralmente utilizada nas seguintes situações: quando os espermatozóides apresentam fraca mobilidade e não conseguem penetrar o óvulo; quando o número de espermatozóides é demasiado baixo para uma FIV (oligospermia severa); quando o número de espermatozóides com anomalias é muito elevado; quando existem níveis elevados de anticorpos anti-espermatozóides e em casos de tentativas de FIV em que não ocorreu fecundação.
Quais são as taxas de sucesso da ICSI?
Na generalidade a taxas de sucesso da ICSI são semelhantes às da FIV. A taxa de gravidez por ciclo de tratamento é de cerca de 30 %, contudo, estas taxas são bastante variáveis e dependem de vários factores, dos quais se destacam a causa de infertilidade e a idade da mulher.
Quais são as complicações que podem surgir?
As complicações que podem ocorrer são as mesmas que as descritas para a FIV, relacionadas com a estimulação dos ovários: reacções moderadas como sensação de calor, irritabilidade, cansaço e dores de cabeça e em casos mais graves o Síndrome de Hiperestimulação Ovárica.
Fontes:
Manual da Associação Portuguesa de Infertilidade
Sites consultados:
http://www.ivi.es,
http://www.tudosobreinfertilidade.com.br
Comunicado de Imprensa- Março 2009

Infertilidade: casais portugueses esmagados entre o adiamento público e a euforia privada
Após o anúncio pelo Governo, já em 2007, de um plano especial para a reprodução medicamente assistida, o objectivo de juntar o sector público e privado, num esforço conjugado e necessário com vista à resolução das enormes listas de espera, encontra-se seriamente ameaçado. As movimentações recentes na área da medicina reprodutiva ilustram as distorções e bloqueios estruturais que afectam a saúde no nosso país.
Cumpridos dois anos de uma espera agónica, feita de anúncios precipitados e adiamentos sucessivos, prevê-se agora apenas para Julho de 2009 a possibilidade efectiva de transferir doentes para o sector privado, com o arranque do programa informático Fertis. Para muitos casais será infelizmente demasiado tarde para terem um filho. Enquanto as clínicas públicas promovem obras de beneficiação, multiplicam-se os centros privados, sem qualquer racionalidade geográfica, e alguns recusam agora acolher os casos encaminhados pelo SNS. Vítima da imagem de “mau pagador”, o Estado assiste incapaz à drenagem dos seus recursos humanos.
A Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) denuncia publicamente a situação de sobressalto, de oportunismo e de regulação minimalista que afecta a procriação medicamente assistida em Portugal. A APF apela ao Governo para o cumprimento efectivo das promessas feitas há dois anos e exorta o Estado a assumir as suas responsabilidades perante os doentes, dotando o sector de instrumentos de regulação mais exigentes e responsáveis, como vem sendo assinalado por diversos especialistas. A fragmentação contínua dos centros de tratamento, dotados de equipas mínimas, em nada melhora a qualidade ou o preço do serviço que prestam.
Em representação dos casais que hoje vivem esmagados entre os adiamentos públicos e o sector privado, ele próprio dividido entre o ressentimento das clínicas instaladas e a euforia das emergentes, a APF lança um apelo público com vista a uma clarificação definitiva das condições dos protocolos a celebrar entre sector público e privado, bem como à clarificação definitiva dos prazos para a sua implementação. Nunca como hoje estiveram tantos doentes em lista de espera. Nunca como hoje tantas pessoas se viram impedidas de incluir um filho nos seus projectos de vida.
APFertilidade