Notícias

A infertilidade na imprensa
No decurso do último trimestre foram várias as notícias e programas televisivos dedicados ao tema da infertilidade. Destacamos a entrevista dada pela Joana Rebelo ao Jornal Público do dia 08 de Abril; a reportagem de Filomena Gonçalves para a TSF no dia 16 de Abril; os artigos publicados no jornal Correio da Manhã e TSF do dia 24 de Abril; o artigo da revista Luxwoman de Maio que contou com a participação da presidente da APFertilidade, Cláudia Vieira; o Programa “Aqui e Agora” da SIC do dia 07 de Maio que contou com a participação de Cláudia Vieira; o Programa “Contacto” da SIC de dia 05 de Junho que contou com a participação de Gisela Ramos e Gonçalo Coelho; o Programa “Sociedade Civil” da RTP de dia 17 de Junho que contou com a presença em estúdio da psicóloga da APFertilidade Matilde Catalão e com os testemunhos de Elsa Ferreira e Ana Sofia Caniço; e as reportagens da RTP, SIC e Antena 1 de dia 21 de Junho que fizeram a cobertura da Caminhada pela Fertilidade, evento este que foi divulgado na estação de rádio RFM.
Protocolos
A lista de protocolos entre a APFertilidade e a rede nacional de farmácias continua a ser reforçada quer em número quer em amplitude geográfica. Foram recentemente estabelecidos protocolos com as seguintes farmácias nacionais: Farmácia Pombeiro, Farmácia Nacional, Farmácia Santa Catarina, Farmácia Sá da Bandeira II e Farmácia Barreiros no Porto, Farmácia Avenida no Barreiro, Farmácia Magalhães em Vila Nova de Gaia, Farmácia S. Miguel em Lisboa, Farmácia Santos Monteiro em Vendas Novas e Farmácia Mendonça em Almeirim.
Para mais informações sobre estes serviços deverão contactar a APFertilidade através do endereço de correio electrónico geral@apfertilidade.org ou por telefone .
Campanha “Quero Ser Mãe”
Para assinalar o dia da mãe, a APFertilidade lançou a campanha “Quero ser mãe”, uma sondagem online dirigida a futuras mães que de entre várias questões tiveram a oportunidade de responder à pergunta “O que dirá ao seu filho quando o vir pela primeira vez?”. As questões estão disponíveis no endereço http://www.querosermae.com.
Participação nas Jornadas da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução
Decorreu em Cascais nos dias 8 e 9 de Maio a mais recente edição das Jornadas da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução. Com recurso a stand próprio, associação marcou presença no evento, tendo Fernando Oliveira da APFertilidade apresentado uma comunicação no seu encerramento, intitulada “Aconselhamento em PMA: o Doente entre a Lei e o Mercado”. Aproveitamos esta oportunidade para agradecer a colaboração e o convite do Presidente cessante, o Prof. J. L. Silva Carvalho, e saudar o Prof. C. Calhaz Jorge, responsável pelos destinos da SPMR para o próximo triénio
Palestras em escolas
A APFertilidade participou numa palestra na Escola Secundária José Régio de Vila do Conde no dia 15 de Maio. A participação foi assegurada por Marta Carvalho. Esta foi mais uma iniciativa que se enquadra na sensibilização para a temática da infertilidade.
Participação na XVII Semana de Psicologia e Ciências da Educação
A APFertilidade dinamizou um workshop integrado na XVII Semana de Psicologia e Ciências da Educação organizado pela Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação do Porto e que se realizou no dia 24 de Março. A APFertilidade foi representada pela psicóloga da associação, a Dra. Matilde Catalão, que falou da actuação da associação no apoio, informação e defesa das pessoas inférteis.
Participação no evento “Maia Saúde 2009”
A APFertilidade foi uma das entidades participantes do evento “Maia Saúde 2009” promovido pela Câmara Municipal da Maia e que decorreu de 4 a 7 de Junho. O evento teve como objectivo promover a saúde dando a conhecer estilos de vida saudáveis.
Participação no evento “O Poder da mulher- sucesso no feminino”
Decorreu no dia 17 de Maio, em Santa Maria da Feira, o evento “O poder da mulher-sucesso no feminino”, que contou com a participação da APFertilidade através da presença, como oradora, de Cláudia Vieira que ofereceu ao evento o seu testemunho como Presidente da APFertilidade.
Caminhada pela fertilidade e 4º Encontro Nacional
No dia 21 de Junho, a APFertilidade, promoveu duas iniciativas: a 2ª Caminhada pela Fertilidade, no Parque da Cidade, no Porto, e o 4º Encontro Nacional, também na cidade invicta. Assinalou-se assim uma ocasião especial, coincidindo duplamente com a comemoração do Dia Nacional da Fertilidade e do Mês Internacional da Fertilidade. Ambas as iniciativas tiveram por objectivo sensibilizar os cidadãos para os actuais problemas de fertilidade e promover a saúde reprodutiva em geral.
APFertilidade no Twitter
A APFertilidade já tem o seu espaço no Twitter que poderá ser acedido pelo endereço http://twitter.com/APFertilidade. Neste espaço serão divulgadas informações relacionadas com a actividade da própria associação, com a sua comunidade e com a infertilidade em geral.
ACTUALIDADES PMA
Comparticipação dos medicamentos para a fertilidade
A partir do dia 01 de Junho os medicamentos para a fertilidade passaram a ser comparticipados pelo Estado em 69%, custando esta medida um milhão de euros ao Estado.
Inauguração do Centro de PMA da Maternidade Alfredo da Costa
No dia 20 de Abril foi inaugurado o novo Centro de Procriação Medicamente Assistida da Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa. Após um relevante investimento em obras e equipamento por esta unidade hospitalar, o Centro recentemente aberto prevê a duplicação da capacidade de resposta aos casais que sofrem de infertilidade.
Casais com problemas de infertilidade encaminhados para privados em Julho
Foi recentemente avançado pelo presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) que os primeiros casais em lista de espera para tratamento de infertilidade começam a ser encaminhados pela Maternidade Alfredo da Costa e pelo Centro Hospitalar Lisboa Norte- Hospital de Santa Maria para centros privados em Julho. Os primeiros protocolos foram já assinados entre a ARSLVT e o British Hospital e o Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI), as duas únicas instituições privadas na região autorizadas a prestar cuidados de Procriação Medicamente Assistida.
Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida no Twitter
O CNPMA já está no twitter no endereço http://twitter.com/CNPMA. Neste espaço poderão aceder a informação útil acerca deste organismo e das suas actividades.
OUTRAS INFORMAÇÕES
Horário da Farmácia Barreiros
Informamos que a farmácia Barreiros localizada no Porto, entidade protocolada com a APFertilidade, tem um horário bastante alargado funcionando 24 horas de todos os dias do ano.
Saiba mais sobre

Estudo do Cariótipo
O que é o cariótipo?
O cariótipo é conjunto de cromossomas presente em cada célula que define cada espécie. No caso do Homem, o cariótipo é constituído por 23 pares de cromossomas: 22 pares que são iguais na mulher e no homem e designados por autossomas e um par de cromossomas que difere entre ambos os sexos – os cromossomas sexuais. No caso do homem os cromossomas sexuais são diferentes e designados por X e Y( XY); na mulher os cromossomas sexuais são iguais e designados por X (XX). Desta forma o cariótipo de uma mulher e de um homem com uma cariótipo normal são respectivamente 46, XX e 46, XY.
Em que consiste o estudo do cariótipo e qual é a sua finalidade?
O estudo do cariótipo consiste na análise dos 46 cromossomas que existem nas células do nosso corpo com o objectivo de verificar se existe alguma alteração no número ou na estrutura dos cromossomas. Para efectuar esta análise apenas é necessário recolher uma amostra de sangue, para que sejam retirados os glóbulos brancos ou leucócitos, células onde vão ser analisados os cromossomas. Algumas alterações do cariótipo estão na origem de problemas de infertilidade quer feminina quer masculina que, dependendo da gravidade, podem pôr em risco a concepção de um bebé saudável dado que estas alterações genéticas podem ser transmitidas para a descendência.
Algumas consequências da alteração do cariótipo.
A alteração do cariótipo no homem pode ser responsável por anomalias nos espermatozóides que inviabilizam a gravidez desde a fecundação, à formação do feto, podendo levar a abortos espontâneos. Por outro lado, podem causar a ausência de espermatozóides, designada por Azoospermia secretora ou diminuição da concentração destes denominada por Oligozoospermia..
No caso da mulher a alteração do número e estrutura dos cromossomas pode estar associada com insuficiência prematura do ovário, disfunção ovulatória, produção de ovócitos imaturos, produção de ovócitos morfológica e/ou geneticamente anormais, anomalias do desenvolvimento embrionário, falhas da implantação, abortamentos de repetição e anomalias fetais.
Nos casos em que existe um elevado risco de transmissão de anomalias genéticas ao feto, deve-se efectuar diagnóstico genético pré-implantação (DGPI) para selecção dos embriões saudáveis a transferir.
Fontes:
West, Zita, 2004. Fertilidade e concepção. 192p.
Manual da Associação Portuguesa de Infertilidade
MANUAL DO CASAL INFÉRTIL
Rosália Sá1, Mário Sousa2, Alberto Barros3
Sites consultados:
http://www.tudosobreinfertilidade.com.br
http://pt.wikipedia.org
http://www.fertilidadeonline.com.br
Artigo

O Impacto Psicológico da Infertilidade e o Programa Mente Corpo
A infertilidade constitui, sem dúvida, um momento de crise e um acontecimento desencadeador de stresse psicológico (Wishmann, Stammer, Scherg, & Verres, 2001). As suas consequências manifestam-se a variados níveis, sendo de realçar o sofrimento pessoal que habitualmente acarreta e as repercussões sociais.
Alguns autores têm vindo a sugerir que uma das consequências emocionais mais difíceis da infertilidade se prende com a perda de controlo sobre a própria vida (Domar & Seibel, 1997 cit. in Cousineau & Domar, 2007), com a infertilidade a ocupar um lugar nuclear e a excluir outros aspectos importantes da vida, funcionando como uma experiência extremamente desorganizadora do sentido de ordem da vida conjugal.
O confronto com um diagnóstico de infertilidade pode apresentar-se como extremamente desorganizador da vida do casal, constituindo, para alguns deles, um verdadeiro desafio para o próprio casamento. Read (2004) refere que o stresse inerente à infertilidade e ao respectivo tratamento pode desencadear dificuldades sexuais, quer no homem, quer na mulher. Mas se as consequências de um diagnóstico de infertilidade são inequívocas em termos individuais e para o casal, há ainda a considerar o impacto social que estas assumem.
Os casais com infertilidade tendem, frequentemente, a isolar-se socialmente em resultado da experiência de uma não aceitação social, seja ela real ou imaginária. Para muitos deles, a infertilidade é mantida em segredo, pela vergonha que lhe associam, o que faz com que o sofrimento não seja partilhado, intensificando-se. Perante a perda ou a ameaça da possibilidade de procriar, nem sempre é fácil destrinçar o que desencadeia mais sofrimento: se a ausência do filho desejado ou os sentimentos de fracasso, perda e insegurança (Farinati, Rigoni, & Muller, 2006).
De facto, a infertilidade pode também acarretar consequências ao nível das relações familiares e de amizade, assim como ao nível do emprego e da carreira profissional dos casais.
Em função do exposto e atendendo ainda às implicações do tratamento médico, é recomendada a existência de acompanhamento psicológico ao longo de todo o processo de intervenção, o qual tem como principal finalidade assegurar que os doentes compreendem as implicações do tratamento escolhido, recebem suporte emocional e conseguem lidar, de forma saudável, com as consequências da experiência de infertilidade (Boivin et al., 2001).
Neste contexto, o Programa Mente-Corpo para a Infertilidade (PMCI), assume-se como um tipo de abordagem psicossocial estruturada, de natureza grupal, destinado a casais com infertilidade que se desenrola ao longo de dez sessões de periodicidade semanal. O seu desenvolvimento ficou a dever-se a Alice Domar que, desde 1987, tem vindo, conjuntamente com os seus colaboradores, a implementá-lo no Centro Domar do Boston IVF.
O PMCI pretende proporcionar a aprendizagem de várias técnicas de relaxamento, competências de gestão do stresse e obtenção de suporte social por parte de outras pessoas que partilhem a condição de infertilidade e, como tal, possam apresentar uma compreensibilidade do problema através da experiência. Para além deste tipo de aspectos, o PMCI aborda também estratégias para a identificação e alteração de hábitos que possam ter um impacto negativo na fertilidade. Uma outra vertente explorada pelo PMCI é a da reestruturação cognitiva, a qual se destina a identificar e a reformular padrões de pensamento disfuncionais. Por último, há ainda a referir a exploração de competências de auto-cuidado emocional, com vista a alterar aspectos da vida quotidiana e a incluir o mais possível momentos gratificantes.
Este programa de intervenção revelou-se eficaz no tratamento dos aspectos emocionais associados à infertilidade, mas obteve também resultados favoráveis no que toca ao aumento das taxas de concepção (Domar, Clapp, Slawsky, Dusek, Kessel, & Freizinger, 2000). Os casais que o têm realizado reportam uma diminuição significativa de sintomas físicos como a insónia, cefaleias e perturbação gastrointestinal, bem como um decréscimo de sintomas de ordem psicológica como ansiedade, depressão e irritabilidade. Sendo ainda de realçar que 45% das doentes que realizaram o programa conceberam num período de seis meses, comparativamente com 20% de mulheres do grupo de controlo (Domar, et. al 2002).
O PMCI está actualmente a ser implementado pela primeira vez em Portugal, tendo iniciado no passado mês de Maio com dois grupos em Lisboa e estando prevista para Setembro a sua realização no Porto.
Ana Galhardo
Psicóloga Clínica – Terapeuta do Programa Mente Corpo para a Infertilidade
Testemunho

Casámo-nos em 2003 e um dos nossos objectivos era sermos pais. Em Agosto de 2005 começámos a tentar e, após um ano de tentativas, marcámos uma consulta de fertilidade numa clínica privada. Após alguns exames soubemos que a causa da nossa infertilidade era o facto de os meus espermatozóides serem lentos, sendo que nos aconselharam a Inseminação Intra-Uterina (IIU). Fizemos três tentativas, sem êxito. Decidimos partir para a Fertilização In Vitro (FIV) ou Injecção Intracitoplasmática de Espermatozóide (ICSI), dependendo do resultado do meu espermograma. Dado o elevado custo destes tratamentos fomos para um serviço público mas os médicos decidiram que devíamos voltar a tentar mais IIU. Como não concordámos, escolhemos outra clínica e, em Fevereiro de 2008, fizemos uma ICSI. Mais uma vez não tivemos sucesso.
Decidimos parar por um tempo, até porque eu tinha 34 anos e a minha mulher 30, ou seja, ainda tínhamos tempo. Entretanto, ouvi falar da acupunctura e dos seus benefícios. Decidi experimentar e, quatro semanas depois, o acupunctor disse-me que o meu aparelho reprodutor já estava regularizado.
Em Julho de 2008 fizemos um teste de gravidez e o resultado foi positivo! Duas barras! Finalmente! A gravidez correu bem e foi tão lindo ver o coração a bater às sete semanas. Em Março de 2009 fomos pais e foi bonito ouvir os gritos do Guilherme no corredor do Hospital.
Ao longo de toda esta caminhada frequentei o fórum da APF, onde há tanta gente interessante, com força e que não vira a cara à luta. Sou dos poucos homens que frequenta o fórum mas penso que “tive os tomates de dizer que tinha um problema nos tomates”. Dei a cara perante as câmaras da RTP1 e da SIC Mulher porque nós conseguimos pagar os tratamentos que fizemos mas há tantos que não podem! Foi por esses que demos a cara.
Toda esta situação foi complicada e foi difícil ver que o túnel poderia não ter luz no seu fundo. Mas em Março deste ano teve. Já lá vão três meses de noites mal dormidas, de fraldas e de gritos ensurdecedores. É cansativo mas gratificante. Ele já palra e já se ri. Desejo que todos vocês, que ainda não concretizaram o sonho, possam escrever o mesmo que eu escrevi nestas últimas linhas!
António Gouveia