Testemunho

Dezembro 16th, 2009 Posted Testemunhos, e-letter #13

O João é a luz das nossas vidas e o nosso orgulho!

Tratamentos falhados uns atrás dos outros, desilusão, angústia, tristeza e muitas lágrimas.
Os anos começavam a passar e os tratamentos para tentar engravidar não estavam a resultar!
O meu marido é que deu o primeiro passo e começou aos poucos a falar em adoptarmos uma criança. Os médicos com quem falava, também começaram a tentar preparar-me para me ir mentalizando: podia engravidar, mas também podia nunca conseguir e não devia ser por causa disso que a minha vida acabava, que havia alternativas!

Não foi fácil. Durante uma temporada eu não queria aceitar que não podia ter um filho biológico, sentia uma revolta enorme, sentia que era injusto: eu que não faço mal a ninguém, não merecia tal castigo! Foi como se me arrancassem um pedaço de mim; foi muito doloroso!

Mas os anos foram passando e os tratamentos continuavam a não dar certo. Aos poucos e com a ajuda do meu marido, lá me fui mentalizando para a dura realidade; havia outras alternativas para ser mãe. Já que não seria mãe biológica ia concerteza ser mãe do coração.

No inicio tive algum receio da reacção da minha família e de mim também, mas felizmente todos aceitaram bem, também eles já estavam cansados de me verem sofrer. Logo os receios e os medos passaram com a ajuda do meu amor e das técnicas da adopção.

Existiria com certeza um/a menino/a com muitas dificuldades, a aguardar uma mãe e um pai que lhe dessem todo o amor, carinho, afecto e atenção que nós tínhamos para dar e receber. O destino havia-me pregado uma partida, mas de certeza que iria ser compensada com uma alegria.

Então, em Maio de 2006, demos início ao processo de adopção, entregámos todos os documentos necessários e pedimos uma criança até um ano. Percebi que iria ser uma “gravidez” muito comprida, pois as listas de espera eram enormes.

Tivemos as entrevistas com a psicóloga e a assistente social e só passados dois anos é que recebemos o certificado. Ficámos muito felizes por sabermos que fomos considerados aptos para sermos pais, mas tínhamos que continuar a esperar. O ano passado resolvemos marcar uma reunião para saber como estava a lista de espera, e ficámos muito tristes, porque nos foi dito pelas técnicas que ainda tínhamos alguns anos pela frente, mas convenceram-nos a alargar a idade para os três anos; que assim não se esperava tanto, e assim o fizemos.

Este ano, no meu primeiro dia de férias, o meu telefone finalmente tocou: era uma das técnicas de adopção a dizer que tinha um menino de apenas 6 meses de idade para mim. Naquele momento tremia da cabeça aos pés, não queria acreditar, era bom demais para ser verdade.

O primeiro encontro com o nosso filho foi emocionante: olhou para nós com uns olhitos muito grandes e logo começou a sorrir e aos pulinhos. É um encanto. Apaixonámo-nos logo pelo nosso menino, tão frágil e tão inocente, a precisar de tanto amor e carinho. Passámos o dia com ele e ao final trouxemo-lo logo para casa. Desde esse dia a nossa vida mudou muito.

Acabaram-se as tristezas, as lágrimas e a revolta. O João veio colorir as nossas vidas, e quando acordo e olho para ele, é como se todo o sofrimento de 10 anos de infertilidade tivesse uma razão maior, como se nada na vida acontecesse por acaso.

Estamos nas nuvens, a viver um conto de fadas.

Amamos muito o nosso filho. Entrou nas nossas vidas e nos nossos corações para sempre!

Paula Santos

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