Artigo

Newsletter de Julho 2009
 

O Impacto Psicológico da Infertilidade e o Programa Mente Corpo

A infertilidade constitui, sem dúvida, um momento de crise e um acontecimento desencadeador de stresse psicológico (Wishmann, Stammer, Scherg, & Verres, 2001). As suas consequências manifestam-se a variados níveis, sendo de realçar o sofrimento pessoal que habitualmente acarreta e as repercussões sociais.

Alguns autores têm vindo a sugerir que uma das consequências emocionais mais difíceis da infertilidade se prende com a perda de controlo sobre a própria vida (Domar & Seibel, 1997 cit. in Cousineau & Domar, 2007), com a infertilidade a ocupar um lugar nuclear e a excluir outros aspectos importantes da vida, funcionando como uma experiência extremamente desorganizadora do sentido de ordem da vida conjugal.

O confronto com um diagnóstico de infertilidade pode apresentar-se como extremamente desorganizador da vida do casal, constituindo, para alguns deles, um verdadeiro desafio para o próprio casamento. Read (2004) refere que o stresse inerente à infertilidade e ao respectivo tratamento pode desencadear dificuldades sexuais, quer no homem, quer na mulher. Mas se as consequências de um diagnóstico de infertilidade são inequívocas em termos individuais e para o casal, há ainda a considerar o impacto social que estas assumem.

Os casais com infertilidade tendem, frequentemente, a isolar-se socialmente em resultado da experiência de uma não aceitação social, seja ela real ou imaginária. Para muitos deles, a infertilidade é mantida em segredo, pela vergonha que lhe associam, o que faz com que o sofrimento não seja partilhado, intensificando-se. Perante a perda ou a ameaça da possibilidade de procriar, nem sempre é fácil destrinçar o que desencadeia mais sofrimento: se a ausência do filho desejado ou os sentimentos de fracasso, perda e insegurança (Farinati, Rigoni, & Muller, 2006).

De facto, a infertilidade pode também acarretar consequências ao nível das relações familiares e de amizade, assim como ao nível do emprego e da carreira profissional dos casais.

Em função do exposto e atendendo ainda às implicações do tratamento médico, é recomendada a existência de acompanhamento psicológico ao longo de todo o processo de intervenção, o qual tem como principal finalidade assegurar que os doentes compreendem as implicações do tratamento escolhido, recebem suporte emocional e conseguem lidar, de forma saudável, com as consequências da experiência de infertilidade (Boivin et al., 2001).

Neste contexto, o Programa Mente-Corpo para a Infertilidade (PMCI), assume-se como um tipo de abordagem psicossocial estruturada, de natureza grupal, destinado a casais com infertilidade que se desenrola ao longo de dez sessões de periodicidade semanal. O seu desenvolvimento ficou a dever-se a Alice Domar que, desde 1987, tem vindo, conjuntamente com os seus colaboradores, a implementá-lo no Centro Domar do Boston IVF.

O PMCI pretende proporcionar a aprendizagem de várias técnicas de relaxamento, competências de gestão do stresse e obtenção de suporte social por parte de outras pessoas que partilhem a condição de infertilidade e, como tal, possam apresentar uma compreensibilidade do problema através da experiência. Para além deste tipo de aspectos, o PMCI aborda também estratégias para a identificação e alteração de hábitos que possam ter um impacto negativo na fertilidade. Uma outra vertente explorada pelo PMCI é a da reestruturação cognitiva, a qual se destina a identificar e a reformular padrões de pensamento disfuncionais. Por último, há ainda a referir a exploração de competências de auto-cuidado emocional, com vista a alterar aspectos da vida quotidiana e a incluir o mais possível momentos gratificantes.

Este programa de intervenção revelou-se eficaz no tratamento dos aspectos emocionais associados à infertilidade, mas obteve também resultados favoráveis no que toca ao aumento das taxas de concepção (Domar, Clapp, Slawsky, Dusek, Kessel, & Freizinger, 2000). Os casais que o têm realizado reportam uma diminuição significativa de sintomas físicos como a insónia, cefaleias e perturbação gastrointestinal, bem como um decréscimo de sintomas de ordem psicológica como ansiedade, depressão e irritabilidade. Sendo ainda de realçar que 45% das doentes que realizaram o programa conceberam num período de seis meses, comparativamente com 20% de mulheres do grupo de controlo (Domar, et. al 2002).

O PMCI está actualmente a ser implementado pela primeira vez em Portugal, tendo iniciado no passado mês de Maio com dois grupos em Lisboa e estando prevista para Setembro a sua realização no Porto.

Ana Galhardo

Psicóloga Clínica – Terapeuta do Programa Mente Corpo para a Infertilidade

Testemunho

Newsletter de Julho 2009
 

Casámo-nos em 2003 e um dos nossos objectivos era sermos pais. Em Agosto de 2005 começámos a tentar e, após um ano de tentativas, marcámos uma consulta de fertilidade numa clínica privada. Após alguns exames soubemos que a causa da nossa infertilidade era o facto de os meus espermatozóides serem lentos, sendo que nos aconselharam a Inseminação Intra-Uterina (IIU). Fizemos três tentativas, sem êxito. Decidimos partir para a Fertilização In Vitro (FIV) ou Injecção Intracitoplasmática de Espermatozóide (ICSI), dependendo do resultado do meu espermograma. Dado o elevado custo destes tratamentos fomos para um serviço público mas os médicos decidiram que devíamos voltar a tentar mais IIU. Como não concordámos, escolhemos outra clínica e, em Fevereiro de 2008, fizemos uma ICSI. Mais uma vez não tivemos sucesso.

Decidimos parar por um tempo, até porque eu tinha 34 anos e a minha mulher 30, ou seja, ainda tínhamos tempo. Entretanto, ouvi falar da acupunctura e dos seus benefícios. Decidi experimentar e, quatro semanas depois, o acupunctor disse-me que o meu aparelho reprodutor já estava regularizado.

Em Julho de 2008 fizemos um teste de gravidez e o resultado foi positivo! Duas barras! Finalmente! A gravidez correu bem e foi tão lindo ver o coração a bater às sete semanas. Em Março de 2009 fomos pais e foi bonito ouvir os gritos do Guilherme no corredor do Hospital.

Ao longo de toda esta caminhada frequentei o fórum da APF, onde há tanta gente interessante, com força e que não vira a cara à luta. Sou dos poucos homens que frequenta o fórum mas penso que “tive os tomates de dizer que tinha um problema nos tomates”. Dei a cara perante as câmaras da RTP1 e da SIC Mulher porque nós conseguimos pagar os tratamentos que fizemos mas há tantos que não podem! Foi por esses que demos a cara.

Toda esta situação foi complicada e foi difícil ver que o túnel poderia não ter luz no seu fundo. Mas em Março deste ano teve. Já lá vão três meses de noites mal dormidas, de fraldas e de gritos ensurdecedores. É cansativo mas gratificante. Ele já palra e já se ri. Desejo que todos vocês, que ainda não concretizaram o sonho, possam escrever o mesmo que eu escrevi nestas últimas linhas!

António Gouveia

Actualidades PMA

Newsletter de Março 2009
 

Abertura de duas novas clínicas na área da infertilidade

Foram recentemente inaugurados dois novos espaços de sáude dedicados ao tratamento da infertilidade. A Clinimer - Centro de Medicina da Reprodução, unidade integrada no Centro Médico-Cirúrgico de Coimbra, oferece uma abordagem completa do casal com problemas de fertilidade, contando a presença das especialistas Dra. Ana Peixoto e Dra. Margarida Silvestre. Integrada no recente Hospital dos Lusíadas, em Lisboa, foi inaugurada a unidade de infertilidade, com uma equipa constituída pelos médicos Dr. António Neves, Dr. Luis Vicente, Dra. Ana Paula Maia e Dra. Daniela Sobral e que oferecerá todos os meios de diagnóstico e de tratamentos das situações de infertilidade. Pode consultar a lista completa dos centros privados de PMA no seguinte endereço:

http://forum.apfertilidade.org/clinicas.html?privadas

Lei da procriação assistida considerada constitucional pelo Tribunal Constitucional

Foi notícia do Jornal Público do passado dia 12 de Março a divulgação do acórdão do TC que dava conta da decisão pela constitucionalidade da Lei da procriação assistida em resposta a um requerimento da autoria de deputados do PSD e CDS.

Centro de Medicina de Reprodução do British Hospital

As unidades laboratoriais da clínica CMR- Cascais e CMR- British fundiram-se numa só unidade, localizada no British Hospital em Lisboa mantendo-se em Cascais a funcionalidade clínica. Segundo a Dra. Madalena Barata, Directora do CMR do British Hospital, para além dos benefícios obtidos com a junção das duas unidades laboratoriais, conseguem assim dotar um só laboratório com valências e capacidades acrescidas que lhes permitirá implementar novas técnicas.

Ferticentro anuncia novas modalidades de pagamento

A Clínica Ferticentro (Coimbra) lançou recentemente um programa que apresenta novidades significativas nos custos da medicação para os casais sujeitos a técnicas de Procriação Medicamente Assistida. Assim, no caso dos tratamentos de FIV ou ICSI, os casais podem agora optar por um programa de tratamento que inclui um valor fixo de 450€ para as despesas com a medicação. No caso de ser efectuado mais que um ciclo de PMA, é também feito um desconto de 250€ sobre os valores dos programas de FIV ou ICSI. Além disso, a Ferticentro contratualizou com uma entidade bancária uma linha de crédito específica para tratamentos de PMA realizados na clínica, a qual permite o financiamento a 100% dos tratamentos.

Notícias APF

Newsletter de Março 2009
 

A APF na Imprensa

Os primeiros meses do ano 2009 contaram com a participação frequente da APF na imprensa televisiva. Destacamos a reportagem do Telejornal da RTP1 de 10 de Fevereiro, com o testemunho de Cláudia Vieira e Mafalda Câmara; o Programa “TVI Reporter” da estação televisiva TVI, emitido no dia 09 de Fevereiro, e que contou com os testemunhos de Filomena Gonçalves, Elsa Ferreira, Ana Mafalda, Teresa Maria e Severino João; o Programa “Mundo das Mulheres” da estação SIC Mulher, do dia 15 de Janeiro, com os testemunhos de Filomena Gonçalves e Elsa Ferreira.

Distribuição de Agendas

Para dar as boas vindas ao novo ano e pensando no planeamento de consultas e tratamentos, a APF concebeu e distribuiu agendas personalizadas por todos os seus Associados, com informação útil e relevante, permitindo ainda a calendarização das etapas fundamentais de um tratamento de fertilidade.

APF no YouTube

A APF já tem canal no Youtube, no endereço http://www.youtube.com/APFertilidade Aqui poderão ser visionados todos os vídeos relacionados com a infertilidade transmitidos na televisão portuguesa até ao momento.

Protocolos

A rede de protocolos entre a APF e as entidades que operam na área da saúde continua a ser reforçada. O Centro de Medicina de Reprodução Clinimer em Coimbra faz agora também parte da rede de clínicas protocoladas com a APF que oferece vantagens aos seus associados.

No âmbito das farmácias, foram estabelecidos novos protocolos com a Farmácia Sá da Bandeira e Farmácia Lago, no Porto, e com as farmácias dos Olivais e Oliveira Ramos em Coimbra. Foi ainda renegociado o protocolo já existente com a rede de farmácias Barral, passando os associados APF a usufruir de maiores descontos nas compras efectuadas nas farmácias desta rede: Farmácia Barral (Lisboa), Farmácia Oriental de Lisboa, Farmácia da Misericórdia de Sintra, Farmácia da Misericórdia de Canha, Farmácia Ribeiro Lopes (Lagos), Farmácia Guilherme F. Dias (Portimão) e Farmácia Hygia (Monchique).

Também o protocolo existente entre a APF e a AVA Clinic foi alvo de renegociação, com a introdução de condições mais vantajosas para os Associados.

Para mais informações sobre estes serviços deverão contactar a APF através do endereço de correio electrónico geral@apfertilidade.org

Inauguração de local de atendimento ao público

A Associação Portuguesa de Fertilidade inaugurou no passado mês de Janeiro o seu primeiro local de atendimento ao público. Quem estiver interessado em contactar a Associação poderá agora dirigir-se à Rua Conde Alto Mearim, 1133 - 7º, sala 75, 4450 - 036 Matosinhos.

Reunião da Assembleia Geral

Foi realizada a Assembleia-Geral Ordinária da Associação Portuguesa de Fertilidade no dia 14 de Março de 2009, pelas 13h30m na Rua Conde Alto Mearim, nº1133, 7º andar - Sala 75, em Matosinhos, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1. Discussão e votação do relatório e contas da gerência do ano de 2008;
2. Discussão e votação do parecer do Conselho Fiscal;
3. Discussão de outros assuntos de interesse geral.

Os primeiros e segundos pontos da OT foram aprovados por unanimidade e no terceiro ponto foi aprovada a realização da 4ª edição do encontro nacional, no mesmo dia em que decorrerá a 2ª caminhada pela fertilidade, o dia 21 de Junho, dia nacional da fertilidade. Desta vez ambos os eventos deverão ter como palco a cidade do Porto.

Participação da APF na XVII Semana da Psicologia e Ciências da Educação

A APF irá participar, a convite da Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto, na XVII Semana da Psicologia e Ciências da Educação que irá decorrer de 23 a 27 de Março. A associação será representada pela Dra. Matilde Catalão.

Campanha “Também Quero Ser Pai”

No Dia do Pai, a 19 de Março, a Associação Portuguesa de Fertilidade lançará um site inédito e pioneiro em Portugal a ser disponibilizado no endereço http://www.queroserpai.com.

Este site é dirigido a todos os homens que gostariam de ser pais e que até ao momento se viram impossibilitados de concretizar este desejo. Ao acedê-lo, o futuro pai terá apenas de responder a um questionário cujo objectivo será o de avaliar a realidade portuguesa e as circunstâncias deste desígnio. A APF pretende assim levar a cabo a maior sondagem de sempre realizada a nível nacional dedicada a esta temática e cujos resultados alcançados serão devidamente divulgados em data a definir.

Testemunho

Newsletter de Março 2009
 

Como qualquer casal que se ama e que idealiza uma casa cheia, decidimos que tinha chegado o momento para começarmos a constituir a família que desejávamos. Foi em 2003, numa viagem à Madeira, que a decisão foi tomada e a partir daí as precauções foram abandonadas.

A cada momento falávamos de como seriam os nossos filhos, os seus sorrisos, as suas birras, os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro dia de escola. Mas os meses foram passando e a gravidez tão desejada não chegava.

Em Janeiro de 2004 fizemos alguns exames a pedido da minha ginecologista. O diagnóstico ceifou-nos friamente o sonho e confrontou-nos com algo de que não estávamos à espera - a infertilidade! Procurámos ajuda especializada e marcámos consulta na Unidade de Medicina de Reprodução de um hospital público. Alguns meses, desenhados de ansiedade, passaram até à primeira de muitas consultas.

Numerosos exames começaram a fazer parte da nossa rotina, muitas análises… E o diagnóstico resistia: sem a ajuda da ciência, dificilmente conseguiríamos engravidar. O próximo passo seria a micro-injecção intracitoplasmática (ICSI), o que só veio a acontecer em Julho de 2005.

Tudo era novidade, mas a vontade de gerar um filho superava o receio de injecções diárias, das ecografias, das análises constantes e punções com anestesia geral. Quando tudo parecia estar bem encaminhado, o tratamento foi interrompido devido a hiper-estimulação dos ovários.

Apesar deste revés, o sentimento de luta reforçava-se a cada dia e em Novembro de 2005 iniciámos um novo tratamento. Desta vez fomos até ao fim e conseguimos cinco embriões. Transferimos dois e os restantes foram criopreservados com o objectivo de serem transferidos mais tarde. Foram doze dias de inquietação de espírito até à data da bhcg, mesmo na véspera do meu aniversário. Tínhamos muita esperança de que tudo tivesse corrido bem, mas infelizmente o resultado foi negativo. Uma sensação de vazio enorme!

Em Fevereiro de 2006 avançámos para a transferência dos embriões criopreservados (TEC), mas estes desfragmentaram-se e foi cancelada. Mais uma dificuldade no nosso caminho, mas que não nos demoveu.

Nova consulta, nova ICSI, desta vez para Maio do mesmo ano. Finalmente, o milagre da vida aconteceu. A mais bela viagem da nossa vida tinha começado. Íamos ser pais! Poucos dias depois esta felicidade duplicou, a vida presenteava-nos com gémeos. Dia após dia, o meu corpo transformava-se para acolher aqueles duas vidas e adaptava-se às suas formas. Orgulhosamente, mostrava ao mundo o quanto era feliz.

A 15 de Outubro de 2006 cumpriu-se o destino e a felicidade plena transformou-se na nossa maior dor. Perdemos os dois filhos que carregava, com 21 semanas de gestação!

Inexplicavelmente, as contracções começaram e, nem com toda a ajuda médica, conseguimos travar-lhes a força e evitar que os nossos bebés partissem cedo demais. Uma nuvem escura invadiu a nossa vida, o nosso coração, a nossa casa…

Alguns meses depois soubemos que sofria de um problema de trombofilias e que este seria a possível causa deste duro desfecho. Mas como a vida é feita de esperança, projectos e sonhos, em Fevereiro de 2007 avançámos para uma nova TEC. Voltámos a sorrir quando o resultado positivo se confirmou. Infelizmente, a gravidez não evoluiu e, uma vez mais, o sonho ruiu. Pouco depois, outra TEC, desta vez negativa. Voltámos ao ponto inicial e nova ICSI ficou marcada para Agosto de 2007. O resultado negativo repetiu-se.

Foi então que decidimos procurar uma segunda opinião e mudámos para uma clínica privada. Estávamos conscientes de que os custos representariam um esforço financeiro acrescido, mas o tempo estava contra nós. Já tinham passado mais de quatro anos desde que tínhamos planeado sermos pais.

Em Novembro de 2007 iniciámos a nossa quinta ICSI, que resultou no tão desejado positivo. Apesar da boa notícia, o sentimento de felicidade foi muito controlado e vivemos esta nova gravidez, também ela gemelar, com muitos receios. A recomendação de repouso absoluto foi escrupulosamente cumprida, mas nem assim se conseguiu evitar que as nossas M&Ms chegassem com apenas 33 semanas e 2 dias.

Foi a 27 de Junho de 2008 que a Marta e a Margarida, com apenas 1600gr e 1380gr, chegaram ao mundo. Muito pequeninas, mas com a grande capacidade de nos devolver a felicidade perdida.

A todos os que passam pela dor da infertilidade quero deixar uma mensagem de esperança. Não deixem de acreditar nos vossos sonhos. Hoje quando olho para para as minhas filhas só consigo pensar que fui recompensada pela minha persistência!

Claudia Vieira

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Newsletter de Março 2009
 

Injecção Intra-citoplasmática de Espermatozóide (ICSI)

Em que consiste a Injecção Intra-citoplasmática de Espermatozóide?

A Injecção Intra-citoplasmática de Espermatozóide também designada por ICSI (intracytoplasmatic sperm injection) é uma técnica de reprodução medicamente assistida que consiste na colocação, em ambiente laboratorial (in-vitro), de um único espermatozóide num ovócito.

Esta técnica veio revolucionar o tratamento da infertilidade masculina e os primeiros nascimentos através desta surgiram em 1992. O investigador português, e especialista em medicina de reprodução, Professor Mário Sousa foi o responsável pelo desenvolvimento clínico da ICSI e pela optimização desta técnica, tendo descoberto o mecanismo que levou à sua aplicação generalizada para o tratamento da infertilidade masculina em todo o mundo.

Como se processa a ICSI?

O procedimento necessário para a realização de uma ICSI envolve as mesmas etapas necessárias para a Fertilização in vitro (FIV): estimulação dos ovários, punção ovárica, fertilização e transferência de embriões (ver newsletter n.º 8- Setembro 08) residindo a principal diferença entre ambas as técnicas na fase de fertilização.

A estimulação dos ovários é efectuada recorrendo a medicamentos indutores da ovulação normalmente administrados por via injectável para a produção de vários ovócitos. Quando o desenvolvimento folicular atinge o patamar desejado (número e tamanho dos folículos) é administrada uma injecção de gonadotropina coriónica humana (hCG) para a libertação dos óvulos dos folículos. Esta injecção é administrada cerca de 36 horas antes da colheita dos ovócitos, também designada por punção.

Simultaneamente, será pedido ao homem que efectue uma recolha de esperma que será tratada e seleccionada. Os espermatozóides podem também ser recolhidos por aspiração do epidídimo ou extraídos do testículo.

Os ovócitos, resultantes da punção, são transferidos para meios de cultura no laboratório, onde o biólogo, com a ajuda de micromanipuladores acoplados a um microscópio, injectará um único espermatozóide num óvulo para promover a fecundação. Para a realização desta técnica são utilizadas microagulhas (mais finas que um fio de cabelo); enquanto uma das agulhas segura o ovócito a outra vai aspirar o espermatozóide seleccionado, imobilizá-lo e injectá-lo dentro do ovócito. Após cerca de 16 a 18 horas o biólogo observa os ovócitos para verificar se ocorreu a fecundação e para avaliar a evolução dos embriões. Após 2 a 5 dias da colheita dos ovócitos, dependendo do número e da qualidade dos embriões obtidos, os melhores embriões são transferidos para o útero da mulher.

Os cuidados a ter após a transferência são os já referidos para a FIV. Após cerca de 14 dias a mulher deverá fazer uma análise ao sangue – BHCG (gonadotrofina coriónica humana) – para saber se está grávida.

Quem deverá recorrer à ICSI?

Esta técnica é geralmente utilizada nas seguintes situações: quando os espermatozóides apresentam fraca mobilidade e não conseguem penetrar o óvulo; quando o número de espermatozóides é demasiado baixo para uma FIV (oligospermia severa); quando o número de espermatozóides com anomalias é muito elevado; quando existem níveis elevados de anticorpos anti-espermatozóides e em casos de tentativas de FIV em que não ocorreu fecundação.

Quais são as taxas de sucesso da ICSI?

Na generalidade a taxas de sucesso da ICSI são semelhantes às da FIV. A taxa de gravidez por ciclo de tratamento é de cerca de 30 %, contudo, estas taxas são bastante variáveis e dependem de vários factores, dos quais se destacam a causa de infertilidade e a idade da mulher.

Quais são as complicações que podem surgir?

As complicações que podem ocorrer são as mesmas que as descritas para a FIV, relacionadas com a estimulação dos ovários: reacções moderadas como sensação de calor, irritabilidade, cansaço e dores de cabeça e em casos mais graves o Síndrome de Hiperestimulação Ovárica.

Fontes:

West, Zita, 2004. Fertilidade e concepção. 192p.

Manual da Associação Portuguesa de Infertilidade

Sites consultados:

http://www.infertile.com.br

http://www.ivi.es,

http://www.ferticentro.pt,

http://www.cgrabarros.pt,

http://www.tudosobreinfertilidade.com.br

Comunicado de Imprensa- Março 2009

Newsletter de Março 2009
 

Infertilidade: casais portugueses esmagados entre o adiamento público e a euforia privada

Após o anúncio pelo Governo, já em 2007, de um plano especial para a reprodução medicamente assistida, o objectivo de juntar o sector público e privado, num esforço conjugado e necessário com vista à resolução das enormes listas de espera, encontra-se seriamente ameaçado. As movimentações recentes na área da medicina reprodutiva ilustram as distorções e bloqueios estruturais que afectam a saúde no nosso país.

Cumpridos dois anos de uma espera agónica, feita de anúncios precipitados e adiamentos sucessivos, prevê-se agora apenas para Julho de 2009 a possibilidade efectiva de transferir doentes para o sector privado, com o arranque do programa informático Fertis. Para muitos casais será infelizmente demasiado tarde para terem um filho. Enquanto as clínicas públicas promovem obras de beneficiação, multiplicam-se os centros privados, sem qualquer racionalidade geográfica, e alguns recusam agora acolher os casos encaminhados pelo SNS. Vítima da imagem de “mau pagador”, o Estado assiste incapaz à drenagem dos seus recursos humanos.

A Associação Portuguesa de Fertilidade (APF) denuncia publicamente a situação de sobressalto, de oportunismo e de regulação minimalista que afecta a procriação medicamente assistida em Portugal. A APF apela ao Governo para o cumprimento efectivo das promessas feitas há dois anos e exorta o Estado a assumir as suas responsabilidades perante os doentes, dotando o sector de instrumentos de regulação mais exigentes e responsáveis, como vem sendo assinalado por diversos especialistas. A fragmentação contínua dos centros de tratamento, dotados de equipas mínimas, em nada melhora a qualidade ou o preço do serviço que prestam.

Em representação dos casais que hoje vivem esmagados entre os adiamentos públicos e o sector privado, ele próprio dividido entre o ressentimento das clínicas instaladas e a euforia das emergentes, a APF lança um apelo público com vista a uma clarificação definitiva das condições dos protocolos a celebrar entre sector público e privado, bem como à clarificação definitiva dos prazos para a sua implementação. Nunca como hoje estiveram tantos doentes em lista de espera. Nunca como hoje tantas pessoas se viram impedidas de incluir um filho nos seus projectos de vida.

APFertilidade

Feliz Natal

Newsletter de Dezembro 2008
 

Testemunho

Newsletter de Dezembro 2008
 

 

Desde sempre senti que não ia ser fácil engravidar. Talvez por isso, decidimos, quase logo ao casamento, iniciar os treinos. Estávamos em Março de 2005. Em Setembro desse ano fui à Ginecologista e, depois de vários exames, soube que sofro de ovários poliquísticos e raramente faço ovulações. Fiz alguns meses de indução de ovulação com citrato de clomifeno e coitos programados, sem sucesso.

 

Decidimos, então, marcar uma consulta de infertilidade, em Fevereiro de 2006. Mais exames e, em Junho, realizei uma hidrolaparoscopia (histeroscopia com drilling ovárico) e tomei o citrato de clomifeno durante uns meses. Nada acontecia…

 

Em Junho de 2007 inscreveram-nos na lista de espera para FIV. E foi assim que, em Outubro, iniciei o protocolo longo. Nunca pensei que nos fosse sair a sorte grande logo à primeira tentativa e por isso o tratamento foi vivido com expectativa, mas com os pés bem assentes no chão. Ao 5º dia transferiram-me o meu campeão, o único embrião sobrevivente…o meu filho! Dez dias depois, completamente incrédula, recebia a confirmação do positivo! A primeira batalha estava ganha, mas a guerra estava longe de terminar…

 

A seguir tive uma gravidez muito complicada: no dia do positivo, fui internada com Síndrome de Hiperestimulação dos Ovários moderada. Duas semanas depois, novo internamento devido a trombose venosa profunda da jugular direita. E como se isto não bastasse, as complicações continuaram: tive rastreio ecográfico e bioquímico do primeiro trimestre positivo. A trombose que tive na jugular, também aconteceu no cordão umbilical. Mais: tinha uma placenta doente (jelly-like ou vesicular). Esta placenta às vezes está associada à T21, pelo que tive de fazer a amniocentese. Descobri da pior maneira que afinal a batalha contra a infertilidade não se ganha no momento em que confirmamos a tão desejada gravidez…

 

Quatro semanas depois da amniocentese tive a confirmação de que o bebé tinha um cariótipo normal. E mais: tal como o meu coração sempre soube, eu ia ter um rapazinho. Logo a seguir e quando já pensava que ia gozar o resto da gravidez com calma, novo diagnóstico: hidrâmnios (excesso de líquido amniótico) e ameaça de parto às 24 semanas. Novo internamento durante um mês. Tenho alta às 29 semanas, com indicação para manter o repouso absoluto em casa. Pelo meio faço inúmeras ecografias e ecocardiogramas fetais para vigilância, uma vez que a medicação forte podia afectar o desenvolvimento do coração do bebé.

 

Volto a uma consulta de rotina uma semana e meia mais tarde e sou internada novamente, com diagnóstico de oligodrâmnios (pouco líquido amniótico). Mais um mês de internamento, metade dele em que estou totalmente proibida de me levantar da cama, porque o colo do útero já estava extinto e tinha dois dedos de dilatação. Às 35 semanas tenho alta.

 

Às 37 semanas, numa consulta com CTG normalíssimo, é-me dito que dali já não saio, pois o toque já acusava 5 cm de dilatação. Estava em trabalho de parto e nem tinha dado por ela! Subo de urgência para a sala de partos e sete horas mais tarde nasce, de parto normal, o meu filho lindo com 48 cm e 3090 gramas. Depois de tudo o que passámos juntos, conseguimos vencer!

 

Hoje escrevo estas linhas enquanto ele dorme serenamente ao meu lado. Tem 4 meses e vai a caminho do percentil 75. O seu sorriso enorme ilumina as nossas vidas e de cada vez que olho para ele sinto que todos os medos que passei, todo o terror e ansiedade que vivi, todas as lágrimas que chorei (e que não foram poucas), todo o sacrifício que fiz ao longo de 9 meses para o manter dentro de mim, valeram a pena.

 

Entretanto descobri que tenho mutações em alguns factores de coagulação a nível das trombofilias. Uma nova gravidez, mesmo que espontânea, acarretaria um enorme risco para mim, mas ainda assim não está completamente posta de parte. O futuro a Deus pertence e, neste momento, sei que o meu filho é um bebé milagre e que estava destinado a nascer.

 

Alexandra Guedes

Notícias

Newsletter de Dezembro 2008
 

 

Reunião com a Direcção Geral de Saúde

No passado dia 20 de Outubro a APF reuniu com a Direcção Geral de Saúde. Dos vários assuntos que fizeram parte da agenda da reunião, destacamos o facto da APF, na qualidade de representante dos doentes, vir a ser ouvida futuramente no âmbito da rede da PMA e ter sido convidada a apresentar propostas relativamente a alguns pontos da Lei actual.  Foi igualmente transmitido o ponto de situação da aplicação da Lei da PMA ao nível do Sistema Nacional de Saúde revelando algum atraso e demonstrando que deverá ser mantida a reivindicação política de mais apoio e de maior acesso à PMA com diminuição das exclusões actuais. Mais pormenores do conteúdo desta reunião poderão ser consultados em http://forum.apfertilidade.org/phpBB2/viewtopic.php?t=20019.

 

Participação na Expofarma08

Respondendo a um convite dirigido pela Plataforma Saúde em Diálogo, da qual a APF faz parte, a Associação esteve presente na Expofarma 2008. A presença foi assegurada no dia 22 de Outubro pelas sócias Maria Pereira e Sandra Neves.

 

Acção sensibilização na AR “Carrinhos Vazios”

Para demonstrar o seu descontentamento pelo facto de dois anos passados após a publicação da Lei nº32/2006, o estado da procriação medicamente assistida em Portugal permanecer sem avanços, nomeadamente ao nível do seu financiamento, a APF organizou no passado dia 29 de Outubro uma acção de sensibilização em frente à Assembleia da República. A iniciativa simbólica, apelidada de “Carrinhos Vazios”, consistiu no desfile de carrinhos de bebé vazios em número idêntico aos bebés que poderiam ter nascido numa semana, caso as medidas anunciadas pelo Governo no anterior orçamento de estado tivessem sido efectivadas. A iniciativa teve uma ampla cobertura jornalística tendo sido noticiada nos principais canais televisivos e jornais nacionais.

 

Candidatura ao Programa da DGS

Em Outubro passado foi apresentado pela APF à Direcção-Geral de Saúde uma candidatura ao financiamento de um projecto integrado de actuação denominado “Promoção do Apoio e Prevenção da Infertilidade” que envolve diversas actividades que se prevêm da maior relevância junto dos casais inférteis.

 

Assembleia Geral

Ao abrigo do disposto no Artigo 29º, nº 2, alíneas a) e c) dos Estatutos da APF, foram realizadas no dia 15 de Novembro no Porto, as Assembleias Gerais Ordinária e Extraordinária da APF com a seguinte ordem de trabalhos:

 

1. Orçamento e programa de acção para o ano de 2009, nos termos do disposto no Artigo 29º, alínea c) dos Estatutos;
2. Eleição dos corpos gerentes para o triénio 2009-2011, nos termos do Artº 29º, alínea a);
3. Aprovação da candidatura da Associação a IPSS;
4. Aprovação dos novos Estatutos da Associação Portuguesa de Fertilidade, com vista à passagem a IPSS;
5. Aprovação da criação de um Conselho Consultivo;
6. Discussão de outros assuntos de interesse geral

 

 

Foi eleita por unanimidade a lista candidata aos corpos gerentes para o próximo triénio 2009-2011 bem como o programa de acção para 2009.

 

1ª feira da Saúde de Aveiro

Nos dias 5, 6 e 7 de Dezembro a APF esteve representada na 1ª Feira de Saúde de Aveiro, num convite dirigido pela Câmara Municipal desta cidade. A representação da associação esteve a cargo das sócias Marta Casal, Sandrine Oliveira, Célia Paiva e Carla Espírito Santo.

 

Questionário online sobre o percurso na infertilidade

A APF está a realizar um questionário online com o objectivo de avaliar o percurso e o tempo gastos pelos casais até efectuarem os seus tratamentos de fertilidade. De rápida e simples resposta (prevê-se que demore um tempo médio de 2 minutos) poderá ser respondido acedendo ao site da APF no endereço www.apfertilidade.org/surveys.

 

A APF na Imprensa

Ao longo dos últimos meses a APF teve presença assídua na imprensa dando informações e testemunhos acerca da infertilidade e da sua vivência. Destacamos a reportagem do Correio da Manhã de 15 de Novembro com o testemunho de Cláudia Vieira, Angélica Luís e Samantha Esteves; o programa “Janela Aberta” do RCP a 3 de Novembro com a presença de Maria Pereira e Filomena Gonçalves; as entrevistas dadas aos jornais “Público”, “Diário de Notícias”, “Jornal de Notícias”, “24 Horas” e “Correio da Manhã” de dia 30 de Outubro; o programa “Antena aberta” da RTPN e Antena 1 no dia 29 de Outubro com a presença de Claudia Vieira; e, ainda nesse dia a presença da APFertilidade nos notíciários da RTP1, RTP2, SIC e TV com os testemunhos de Filomena Gonçalves, Elsa Ferreira, Maria Pereira, Ana Sofia Caniço, Angélica Luís, Elisabete Abrantes e Sandra Sousa; a entrevista ao jornal Sol dada por Filomena Gonçalves a 25 de Outubro; a participação nos programas “Jornal da tarde” e “Telejornal” da RTP1 de dia 17 de Outubro assegurada por Cláudia Vieira, Filomena Gonçalves, Elsa Ferreira, Rui Gouveia e a presença no programa “Debate à Quarta” da RTPN de dia 15 de Outubro assegurada por Fernando Oliveira.

 

Protocolos

Foram estabelecidos mais protocolos entre a APF e diversas entidades da área da saúde tornando a rede de parcerias cada vez mais rica e abrangente. No âmbito das farmácias a rede de protocolos foi alargada com a presença da Farmácia Instituto Galénico Português em Braga, da Farmácia Loureiro Basto também em Braga, da Farmácia Central em Aveiro, da Farmácia Cruz Maia em Gondomar e da Farmácia Pombalina em Vila Real de Santo António.

 

Foi também estabelecido protocolo com as Clínicas Dr. Pedro Choy, especialista em medicina tradional chinesa. O protocolo, extensível aos familiares em 1º grau, abrange todas as clínicas distribuídas por várias cidades do país como Aveiro, Cacém, Carcavelos, Cascais, Coimbra, Évora, Leiria, Lisboa, Matosinhos, Odivelas, Porto, Salvaterra de Magos, Santarém e Tomar.