Paula (infertilidade inexplicada)

22-01-2007
Chamo-me Paula e tenho 30 anos. Em Agosto de 2001, eu e o meu marido decidimos que estava na hora de aumentar a família pois estávamos casados há 2 anos. Nessa altura concordamos em ir ao médico, deixar de tomar a pílula, e fazer o "desmame" desta cerca de 3 meses. Assim foi e em Janeiro de 2002 iniciamos os treinos com o objectivo que tínhamos em mente. O tempo foi passando depressa, mas tentámos não dar muita importância. No decorrer desse tempo comecei a pensar nos 5 anos de tentativas que os meus pais tinham tido para eu nascer e a acreditar que o problema era hereditário. Fizemos alguns exames hormonais e um espermograma e o resultado era animador: apenas o espermograma estava ligeiramente abaixo dos níveis normais. Nada de especial.

Inscrevemo-nos na consulta de infertilidade do Hospital de Santo António e em Janeiro de 2004 e lá fomos nós cheios de esperança. Repetimos os exames e a conclusão foi a mesma do anterior. Iniciei estimulação ováriaca enquanto o Ricardo foi ao Urologista. Veredicto: "Se a sua mulher não tiver nenhum problema, os seus níveis de gâmetas não são qualquer imepeditivo." Começámos então a pensar que a nossa infertilidade era inexplicada. Fiz uma histerosalpincografia que revelou morfologia normal. Entretanto, tive dois problemas de saúde que me obrigaram a duas intervenções cirúrgicas e a uma pausa nos tratamentos.
Quando regressei, fiz uma tentativa de inseminação e tive hiperestimulação ovárica. Não fiquei muito triste, porque pensei que afinal os meus ovários até se portavam bem com a medicação! Fica ainda uma segunda insemeinação, desta vez até ao fim, mas também com resultado negativo. Aqui, sim, fiquei muito triste, mas depressa me recompus para nova tentativa.

Quando regressei ao Hospital para iniciar o 2º ciclo, os valores hormonais indicaram que os meus ovários estavam a ficar muito preguiçosos. Teríamos de aumentar a dose e partir para a FIV. Aceitamos. Os dias passaram e o período não vinha. Nem coragem tinha para fazer o teste. Fui à médica e a ecografia revelou um endométrio tão espesso que poderia estar a passar-se algo. Tentei abstrair-me, mas os dias íam passando. Fui trabalhar depois da interrupção do Natal e eis que o período também chegou. Caíu-me tudo em cima, sobretudo após os dias de ilusão e esperança...

Em Junho de 2005, inscrevemo-nos no serviço de adopção. Sabemos que a lista é longa e que o tempo de espera é realmente desesperante, por isso achámos que era o momento ideal. Não escondemos que continuamos a tentar, até porque não pomos de parte a hipótese de adoptar mesmo tendo um filho biológico, porque para nós, como se costuma dizer, "Parir é dor, Criar é Amor!".

Iniciei entretanto a estimulação e hoje mesmo, neste dia em que escrevo, fui fazer a transferência de dois embriões. Fui alertada para o facto de os meus ovócitos terem pouca qualidade e como tal a probabilidade de algo correr bem ser reduzida. Acho que estou preparada para o pior, mas mesmo assim faço tudo para não me culpabilizar mais tarde, nem me arrepender de não ter tentado. Estou calma e resolvi ficar uns dias em casa. Exagero? Talvez, mas nesta fase prefiro pecar por excesso do que por defeito. Espero em breve poder dar boas notícias, mas queria que ao lerem este testemunho soubessem, como eu soube, que pelo menos não são os únicos.
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