Elsa (endometriose severa)

17-01-2007
Estou casada há 7 anos, tinha 25 anos quando tudo começou, hoje estou com 31 anos. Nunca tinha ouvido falar da doença que me foi diagnosticada: Endometriose Severa - Grau IV. Sempre tive, até hoje, menstruações regulares nunca falharam um único dia acompanhadas por fortes dores. No entanto, no primeiro exame ginecológico, para iniciar as tentativas para engravidar, a médica que me acompanhava disse-nos que eu tinha tudo para dar uma óptima mãe!?

Tal não aconteceu e após 7-8 meses de tentativas frustradas, decidimos contactar outro médico ginecologista, cujo parecer foi bem mais assustador. Do diagnóstico à cirurgia passaram poucos meses onde me foi retirado o ovário direito e, por conseguinte, a trompa. Tinha 26 anos. Depois da recuperação cirúrgica, iniciei um tratamento por via oral, que não era mais do que a indução da menopausa; fi-lo durante 6 meses. Desde alteração na voz, aparecimento dos pêlos no rosto, afrontamentos; bom foi horrível...

Após a toma desse medicamento, tentei de novo engravidar. Escusado será dizer que após 5 meses estava novamente no médico, com fortes dores mestruais. Os quistos tinham voltado a aparecer. O meu médico não teve alternativa senão me encaminhar-me para um especialista (que não era de todo a área dele). Passamos a frequentar a Maternidade Alfredo da Costa. Depois dos resultados dos exames que fiz na MAC, chegaram à conclusão de que teria de entrar na lista de espera para FIV. Fui submetida a outra intervenção cirúrgica (tinha 28 anos): uma Laparoscopia, para retirar os quistos do ovário restante e também retirar a "massa" que entretanto já se havia formado, causada pelos vários focos de endometriose.

Ao fim de ano e meio/dois anos, fomos chamados para iniciar o tratamento FIV. Quando olho para trás ainda me dá vontade de rir, devo confessar, pelo facto de ter ficado tão feliz por ter chegado a minha vez...pensava eu que era fácil engravidar... Fiz os 3 ciclos a que tinha direito e não tive sem sucesso em nenhum deles! Ao fim do terceiro ciclo, há aquela sensação de "e agora, o que é que eu faço? Vou para onde?"? A equipa daqueles 3 anos na MAC disse-me que só teria possibilidades de engravidar (e é claro que nunca há certezas) com doação de ovócitos; na altura só faziam em Espanha. Deram-me um contacto, a IVI em Valência. Depois na NET descobri que já existiam mais delegações do que a informação dada pela MAC.

Já tinha entretanto passado por uma depressão e desenvolvi a síndroma de pânico. Agora consigo ter tudo controlado, graças a Deus, pois há 3 anos que faço terapia. Ajudou-me muito, mesmo muito. Aconselho quem tiver possibilidades a ter um acompanhamento picoterapêutico. A sensação de sentir-me menos como mulher pelo facto de não poder engravidar, as frustrações, os recalcamentos. Consegui ultrapassar tudo isto, felizmente para mim e para os que me rodeiam.

Entretanto IVI abriu em Lisboa no dia 16 de Junho de 2006. Nós somos o casal cujo cartão de cliente é o número 1; fomos os primeiros clientes em Portugal. Após um breve exame médico, o Dr. Sérgio Soares e a Drª Cartarina chegaram à conclusão que deveria submeter-me a outra Laparoscopia. Tinham detectado líquido na trompa restante, prejudicial a uma futura gravidez, pois este líquido destruíria os embriões implantados no útero. A 12 de Dezembro de 2006 fui, então, submetida a outra intervenção cirúrgica. Aguardo muito positivamente o início de mais um ciclo de FIV. Acatamos a opinião médica e optamos seguir em frente com a doação de ovócitos, tendo em conta que a percentagem de êxito é maior do que com os meus óvulos, que não têm qualidade suficiente.

Actualmente aguardo também o meu filho adoptivo. Estamos inscritos há 1 ano no centro de adopções e aguardamos impacientemente. Sei contudo que é outro processo moroso... Gostava de deixar a minha força a todas as pessoas na mesma situação. Gostava também de referir um facto muito importante neste processo todo. Embora o meu marido (felizmente) não tenha nenhum problema: encaramos sempre a situação como sendo um problema nosso, do casal, independentemente de a causa ser da mulher ou do homem; precisamos muito do apoio um do outro. Não vamos desistir; sonho engravidar, viver a experiência milagrosa de gerar uma vida, sentí-la crescer, sentir os pontapés, enfim...

Desejo do fundo coração que possam atingir os vossos objectivos, assim como o desejo para mim…
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