Susana Portela (trompas obstruídas devido a aderências)

08-09-2006
Foram 6 anos….

6 anos à espera das minhas meninas...

Custou-me muito a admitir que tinha problemas de infertilidade e tudo o que me rodeava ainda piorava mais o meu sentimento de frustração. A pressão da família, dos amigos, da idade e a morosidade dos tratamentos nos Hospitais Públicos. Eu não conseguia estar parada de braços cruzados e por isso recorri a clínicas privadas onde gastei uma fortuna em tratamentos.

Depois de tantas angústias, tratamentos, sofrimentos consegui ter o meu POSITIVO aos 33 anos depois de um tratamento de fertilização in Vitro.

Eu nem queria acreditar! Quando fui fazer um teste á urina e deu positivo e depois confirmei com o beta HCG de valor 2014! Estava Gravídissima!

Estava a SONHAR!

Não estava á espera – Tinhas tantas dores tipo menstruação, que pensava que era mais um tratamento falhado.

Eu fiz todos os exames possíveis (estimulações ováricas, histeroscopia, histerossalpingografia, laparoscopia etc. ), 2 IIU (inseminações artificiais), 2 FIV (fertilizações in vitro) e transferência de embriões congelados.

O meu problema detectou-se apenas com a laparoscopia - milhares de aderências nas trompas devido a uma operação à apendicite aos 17 anos!!! - Resultado - 1 trompa obstruída e outra doente!

Lutei com todas as armas e contra tudo e todos, e até contra mim! Estava inscrita na Maternidade Alfredo da Costa, no Hospital da Universidade de Coimbra e no Hospital Santa Maria - fui a todas as consultas e o meu marido fez 11 espermogramas e eu fiz milhares de ecografias e analises para confirmar tratamentos.

Eu não temia nada. Cada negativo - uma queda. Como diziam as minhas amigas - PARECE QUE TENS MOLAS - UM DIA ESTÁ TÃO LÁ EM BAIXO E OUTRO ESTÁS JÁ A TREPAR!!

Procurei apoio na Internet em fóruns de infertilidade onde senti que foi o meu túnel, o meu abrigo, o meu carinho...

Todas compreendíamos o que nos ia na alma sem ter que ser necessário explicar! Existia uma empatia natural de pessoas que tinham o mesmo fim – Ser Mãe!

Encontrei nos fóruns verdadeiras amigas e sentia um apoio incondicional pois viveram comigo todos os momentos dolorosos desta luta. Hoje em dia por eu ter passado o que passei, consigo de alguma forma dar ânimo e força a muitas mulheres que ainda lutam pelo sonho!

É bom sentir-me querida e mimada, até por pessoas que por motivos pessoais não conseguem dar o seu testemunho. No momento do ultimo tratamento até tive medo de as desiludir, tal era a confiança e energia que elas depositavam no tratamento

Quantas vezes eu depois de um negativo chorei e tive vontade de desistir? Não sei - milhares..mas eu pensava sempre assim :

Enquanto não me disserem que é impossível - eu vou a tudo e vou tentar até conseguir!!!

Eu nunca queria ouvir esta frase:

- Coitada, não conseguiu ser MÃE - Quando digo MÃE - é ser MÃE Biológica ou Adoptiva - para mim é igual.

Quando se tem amor para dar eu acho que é assim que se pensa.

Também me zanguei com antigas amigas, porque não me sentia bem comigo própria e não suportava ver as famílias das minhas amigas a crescer.Sentia-me frustrada

A pouco e pouco fui percebendo que até gostavam de mim e que eu também tinha que gostar - aprendi a valorizar outras coisas boas que faço e serenamente fui acalmando!!

Ainda se diz que em reprodução assistida não pode estar relacionada com amor - Eu acho completamente o contrário - SÓ QUEM AMA É QUEM LUTA!!!

Hoje, sinto-me a pessoa mais realizada do mundo, com duas lindas meninas, a Catarina e a Inês.

Se não houvesse filas de espera, será que a minha dor tinha demorado tanto tempo??? Acho que não…
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