Alfredo da Costa avança na preservação do tecido ovárico PDF Versão para impressão

DN

26/11/2009

 

A Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, vai iniciar no próximo ano a preservação da fertilidade feminina através da congelação do tecido ovárico, uma técnica ainda muito pouco usada que permite a gestação em mulheres que sofreram cancro.

A informação foi avançada à agência Lusa por Alberto Romeu, coordenador do centro de Procriação Medicamente Assistida (PMA) da Maternidade Alfredo da Costa, inaugurado há seis meses.

Este centro, com uma lista de espera de mais de 500 casais, alguns dos quais há mais de um ano, espera conseguir dar uma resposta em tempo considerado admissível em 2010.

Até lá, a instituição continua à procura de profissionais que possam reforçar os quadros de pessoal, do qual fazem parte quatro ginecologistas e três embriologistas.

Para Alberto Romeu, para uma "resposta razoável", seriam necessários pelo menos seis ginecologistas e quatro embriologistas.

Alberto Romeu, um espanhol especialista em técnicas de PMA, que não pode exercer clínica em Portugal por se encontrar aposentado no país de origem, aceitou o desafio de organizar o serviço, o que passa, na sua opinião, por racionalizar os recursos e torná-los mais eficientes.

Apesar das dificuldades, a MAC aposta na inovação, preparando-se para disponibilizar a preservação da fertilidade feminina, através da crio-preservação de tecido ovárico.

Esta técnica destina-se a mulheres que podem ficar sem função ovárica, endócrina e reprodutiva.

"É uma necessidade social. A sociedade precisa destas técnicas, pois a maternidade atrasa-se cada vez mais e cresce o número de mulheres que foram sujeitas a quimioterapia e radioterapia", por sofrerem de cancro, disse.

A técnica deverá avançar no primeiro trimestre do próximo ano, mas Alberto Romeu reconhece que ainda não existem em Portugal profissionais que a dominem por completo.

Isto porque, apesar de a técnica ter meia dúzia de anos, apenas se procedeu à preservação do tecido ovárico, sendo muito poucos os centros que, em todo o mundo, procederam à implantação do material genético.

As gravidezes que resultaram deste processo também se contam pelos dedos, disse o especialista, que conta promover a formação dos profissionais portugueses junto de centros que dominam a técnica.

Além desta novidade, a MAC vai ainda iniciar a "lavagem de esperma" de seropositivos, técnica que permitirá aos homens com Vírus da Imunodeficiência Adquirida (VIH) serem pais sem risco de transmissão da doença.

O Diagnóstico Genético Pré-Implantatório (DGPI), técnica que permite a identificação de doenças geneticamente transmissíveis antes da transferência do embrião para o útero, também vai avançar na MAC.

Desde 01 de Setembro, a MAC realizou 128 ciclos, os quais resultaram em gravidez para cerca de 21 por cento dos casais.

Esta instituição só recebe mulheres até aos 39 anos, pois depois disso "é muito elevado o risco de aborto", disse Alberto Romeu.

O centro de PMA resultou de um investimento de 650 mil euros em obras e equipamentos, o qual visou aumentar a capacidade de resposta aos casais com problemas de fertilidade.

 

 

 

Associação Portuguesa de Fertilidade

 


 

 

 

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