Infertilidade afecta entre 9 e 10% dos casais portugueses PDF Versão para impressão

Diario de Noticias

26/11/2009

Entre nove e dez por cento dos casais portugueses (entre 260 e 292 mil casais) têm problemas de infertilidade ao longo da vida, conclui um estudo hoje revelado no Porto.

Este estudo, o primeiro trabalho epidemiológico sobre infertilidade em Portugal, foi realizado por João Silva Carvalho, presidente do Colégio de Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, e pela investigadora Ana Santos.

"Havia um desconhecimento quanto à prevalência da infertilidade: falava-se em cerca de 15 por cento e era sempre uma extrapolação dos números internacionais", frisou João Silva Carvalho, que coordenou o estudo.

O especialista referiu que 84 por cento dos inquiridos afirmaram conhecer a doença da infertilidade, mas perante perguntas concretas o desconhecimento é ainda grande. Por exemplo, apenas 32,8 por cento dos inquiridos sabe o que é uma fecundação in vitro e 5,6 por cento uma vitromicroinjecção intracitoplasmática.

Para Silva Carvalho, este desconhecimento leva a que muitos não conheçam adequadamente as causas da infertilidade e os tipos de tratamento disponíveis.

O estudo conclui que apenas entre 43 e 48 por cento das mulheres com infertilidade ao longo da vida e 57 a 61 por cento das que se encontram em idade reprodutiva recorrem a consulta médica.

Quando questionados sobre a idade a partir da qual a fertilidade começa a diminuir na mulher, a resposta 40 anos sobressai, mas essa é uma "idade em que começa a não haver milagres", disse Silva Carvalho, sustentando que "a fertilidade declina drasticamente a partir dos 35 anos".

"Das mulheres que consideram que o seu problema de fertilidade foi devido ao adiamento da concepção para idade tardia, a maioria cita a falta de condições económicas como motivo", revela também o estudo.

Este estudo demonstra ainda que 38,9 dos inquiridos consideram que "os problemas de fertilidade estão relacionados com a vontade de Deus".

A maioria das mulheres com dificuldade em engravidar relacionou a sua doença com problemas do organismo da mulher, mas 51,7 por cento ainda pensam que o "uso prolongado de contracepção oral" pode provocar a doença.

Ficou ainda demonstrado que a maioria dos inquiridos "acredita que a infertilidade é uma doença que pode ser resolvida por tratamento médico" e 58,4 por cento mostraram-se dispostas a pagar mais de 4000 euros por um tratamento de fertilidade.

A quase totalidade dos inquiridos (93,7 por cento) considerou que o Sistema Nacional de Saúde "deveria pagar ou comparticipar os tratamentos de infertilidade.

O estudo recomenda a ampliação dos centros de procriação medicamente assistida existentes em Portugal em detrimento da criação de novas unidades, com excepção para a região Sul (Alentejo e Algarve), onde não existe nenhum. No entender de João Silva Carvalho, para dar resposta aos problemas de fertilidade existentes no país, cada centro deveria fazer uma média de 600/700 ciclos por ano.

Assim, "ampliar a capacidade dos centros públicos que existem e criar dois na zona Sul" resolveria o problema das listas de espera existentes em algumas unidades de saúde para tratamentos de fertilização.

Questionado pelos jornalistas se iria enviar esta conclusão ao Ministério da Saúde, Silva Carvalho foi peremptório: "enquanto presidente da Sociedade Portuguesa da Medicina da Reprodução enviei inúmeros documentos para o Ministério da Saúde sobre o assunto e nunca me ligaram cavaco, zero. Não vou mandar nada".

Para este estudo foram realizados inquéritos porta-a-porta a 2.460 homens e mulheres, com idades entre os 20 e os 60 anos, de todo o país.

 

 

 

Associação Portuguesa de Fertilidade

 


 

 

 

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