Infertilidade afecta 10% dos casais portugueses PDF Versão para impressão

Jornal de Noticias

Estudo revela que número tende a aumentar devido à idade tardia escolhida para serem pais.

São já cerca de 10% os casais portugueses que sofrem de infertilidade ao longo da vida. O número irá aumentar ainda mais devido à idade tardia com que os casais decidem ser pais. E também pelos hábitos culturais desfavoráveis.

Um estudo epidemiológico intitulado "Afrodite", realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e divulgado ontem, no Porto, revela que entre 260 a 290 mil casais portugueses sofrem de infertilidade e que entre 116630 e 121059 se encontram em idade reprodutora.

Contudo, de acordo com a investigação feita junto de 2460 indivíduos de todo o país, apenas 43 a 48% das mulheres com infertilidade ao longo da vida e 57 a 61% das actualmente em idade reprodutora recorrem a consulta médica. Normalmente, utilizam quer os serviços públicos quer os privados, sendo 25% tratadas por procriação medicamente assistida.

João Carvalho, professor da FMUP, autor e coordenador do estudo ontem divulgado, atribui à idade tardia com que os casais decidem ter filhos uma das razões do elevado número da infertilidade.

"A idade de declínio da fertilidade começa, em média, aos 33 anos e aos 35 anos ainda é mais acentuada. O problema é que a maioria das pessoas pensa que isso acontece apenas aos 40 anos", realçou.

Na realidade, o inquérito veio revelar que cerca de 31% das mulheres inférteis desconhecem o motivo da sua infertilidade. A maioria atribui as causas a problemas hormonais ou a alterações da ovulação. João Carvalho explicou que, além da idade tardia, a infertilidade é afectada, também, pelas infecções pélvicas e pelos hábitos de vida, como o consumo de álcool, tabaco e drogas, má alimentação e excesso de exercícios físicos. Tudo isto, como realçou, leva à disrupção dos mecanismos reprodutivos.

O estudo veio defender uma política de ampliação dos centros de procriação medicamente assistida existentes no país (25), assim como o volume de ciclos que realizam por ano (são realizados entre 200 a 400 ciclos, quando seria necessário organizar 700).

De igual forma, os especialistas recomendam como forma de atenuar o aumento da infertilidade a introdução do tema "Educação para a reprodução" no currículo do Ensino Básico, considerada tão ou mais importante do que a educação sexual.

Além disso, foi defendida uma maior formação de clínicos gerais e ginecologistas.

Congelar tecido ovárico

Para ajudar a combater o problema, a Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, vai iniciar, no próximo ano, a preservação da fertilidade feminina através da congelação do tecido ovárico, uma técnica ainda muito pouco usada, que permite a gestação em mulheres que sofreram cancro. A informação foi avançada por Alberto Romeu, coordenador do centro de Procriação Medicamente Assistida (PMA) da Maternidade Alfredo da Costa, inaugurado há seis meses.

 

 

 

Associação Portuguesa de Fertilidade

 


 

 

 

Este site tem o apoio de:

 

Ferring Serono SP

 
Faixa publicitária