Saúde reprodutiva Criopreservação do tecido ovárico pode salvar fertilidade de mulheres com cancro da mama PDF Versão para impressão

Diario de Viseu

26/11/2009

As mulheres jovens que sofram de cancro podem salvar a sua fertilidade antes de iniciar o tratamento de quimioterapia através da criopreservação do tecido ovárico, um método que congela o óvulo até ao dia em que
deseja engravidar À margem do VII Congresso de Senologia, que decorreu no Algarve, o médico Carlos Oliveira
explicou à Lusa que as jovens mulheres, e até mesmo as adolescentes que sofram de cancro da mama ou outro cancro,
podem proteger a sua capacidade de engravidar através de um método que começou a ser realizado recentemente na
Universidade de Coimbra. O método chama-se "criopreservação do tecido ovárico" e é uma possibilidade para as
mulheres mais jovens que têm de ser submetidas a quimioterapia, salvando o seu poder de engravidar, explicou Carlos
Oliveira.
Segundo aquele especialista, as mulheres que fazem quimioterapia correm o risco de fazerem "uma menopausa precoce"
e "consequentemente uma esterilidade", ou seja os ovários não funcionarem e no futuro não poderem ter filhos. Para salvar a fertilidade dessas jovens mulheres que têm cancro da mama ou mesmo jovens na ordem dos 18 ou 20 anos que têm linfomas ou outra patologia maligna, o médico refere que a criopreservação de tecido ovárico é uma forma de preservar a fertilidade futura. A criopreservação do tecido ovárico faz-se antes da mulher iniciar a quimioterapia.
A mulher é sujeita a uma laparotomia (operação cirúrgica para abertura da cavidade
abdominal), depois com uma pinça são retirados alguns "bocados de ovário" e esse ovário é congelado e fica "guardado
até ao momento que a mulher pretenda engravidar", explicou o médico.
Depois da quimioterapia e caso os ovários não funcionem, "temos o ovário dessa mulher em condições de poder ser transplantado, onde depois é colocado ou na cavidade pélvica ou no tecido celular subcutâneo. O tecido é estimulado, é colhido o ovócito e fecundado com as técnicas de procriação medicamente assistidas para a mulher engravidar, explicou Carlos Oliveira. Esta técnica para salvar a fertilidade destina-se principalmente a mulheres com menos de 35 anos, que correspondem a cerca de 3% do número total de cancros de mama diagnosticados. No entanto, 25% das mulheres com cancro de mama têm menos de 50 anos, idade ainda fértil. O VII Congresso de Senologia decorreu até ontem, com a realização de dezenas de conferências e mesas redondas com temas como "Técnicas e práticas em radioterapia", "Quimioterapia pré-operatória", "Prevenção do cancro da mama" ou "Cirurgia oncoplástica em tratamento
conservador do cancro da mama".

 

 

 

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