Infertilidade afecta cerca de 120 mil casais portugueses PDF Versão para impressão

SIC -26/11/2009

A infertilidade afecta cerca de 120 mil casais em Portugal. Muitos desesperam por uma resposta do Sistema Nacional de Saúde onde uma consulta pode demorar dois anos. São conclusões do primeiro estudo sobre infertilidade em Portugal apresentado esta quarta-feira de manhã no Porto e que recomenda um aumento da capacidade de resposta dos centros de tratamento.

 Chama-se Afrodite, é o primeiro grande retrato da infertilidade dos portugueses e esclarece algumas ideias pré-concebidas. De forma mais ou menos empírica, em Portugal sempre se apontou para uma prevalência da doença da ordem dos 15 por cento, mas este estudo aponta para uma percentagem inferior, de cerca de 9 por cento.

"Em idade de tratamento deveremos andar com uma prevalência à volta dos 115 a 120 mil. Claro, estes poderiam ser tratáveis mas não serão todos tratados, porque muitos deles, eventualmente, até não querem. E aplicando critérios internacionais para calcular os possíveis tratáveis, devemos andar neste momento, na zona dos 40 mil", explica João Silva Carvalho, professor na Faculdade de Medicina do Porto e responsável pelo estudo.

São valores apurados entre Janeiro e Maio deste ano, a partir de cerca de 2600 respostas representativas da população portuguesa entre os 20 e os 69 anos. Indicadores que poderão reorientar a abordagem da infertilidade em Portugal, onde o número de ciclos ou tratamentos é muito baixo.

"Em Portugal estamos a fazer entre quatro mil a cinco mil ciclos por ano, e temos cerca de 23, 24 centros no país. Se quisermos comparar com a Bélgica, para os mesmos 10 milhões de habitantes, temos 9 centros para fazer 14 mil ciclos por ano", compara o professor.

Pelos padrões internacionais, Portugal deveria realizar 15 mil tratamentos de infertilidade por ano. O Programa Nacional de Prociriação Medicamente Assisitida prevê, para breve, a abertura e a ampliação de 5 centros, sobretudo no sul, onde as listas de espera chegam a atingir os dois anos.

 

 

 

Associação Portuguesa de Fertilidade

 


 

 

 

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