Estudo revela que 40 por cento das pessoas

Publico

26/11/2009

 

Afrodite inquiriu mais de duas mil pessoas e concluiu que há entre nove e dez por cento de casais inférteis a Quase 40 por cento das pessoas inquiridas no primeiro estudo epidemiológico sobre infertilidade em Portugal acreditam que o problema está associado à vontade de Deus, 31 por cento acham que se trata de uma questão de sorte ou destino, 52 por cento estão convictos de que o uso prolongado de contracepção oral leva a infertilidade e nove por cento
acham que a “culpa” é dos preservativos.
Estes são apenas alguns dos surpreendentes resultados do trabalho Afrodite, elaborado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e apresentado ontem, que concluiu que entre 9 e 10 por cento dos casais portugueses são inférteis. Até agora, os números de infertilidade apoiavam-se em estatísticas de outros países do mundo ocidental e apontavam para cerca de 15 por cento. Afi nal, entre 9 e dez por cento dos casais portugueses são inférteis,
conclui o estudo da autoria de Silva Carvalho (professor da FMUP) e Ana Santos (investigadora da Key Point) que teve o apoio da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução.
Mas mais do que notar que entre 260 mil e 290 mil casais portugueses sofrem de infertilidade, dos quais entre
116 mil e 121 mil se encontrarão em idade reprodutora (e mais de 100 mil podem resolver esta situação com tratamento), o estudo divulgado ontem – que envolveu inquéritos a 1638 mulheres e 601 homens – revelou um preocupante desconhecimento da população sobre este problema de saúde.
É de sublinhar que cerca de 41 por cento dos inquiridos tinham o quarto ano de escolaridade ou menos do que isso e apenas 20 por cento possuíam mais do que o 12.º ano.
O trabalho Afrodite demonstrou que 61 por cento das pessoas consideram que a infertilidade é uma doença e 16,6 por cento acreditam que é “só um problema de ‘cabeça’ e passa”. De resto, a maioria não concorda com o recurso à medicina para escolha do sexo da criança (66 por cento) nem com a utilização de “barrigas de aluguer” (47,3 por cento). “No entanto, estão de acordo com a utilização de meios médicos para serem eliminadas as hipóteses de um fi lho com doença genética (58 por cento) e para que uma mulher sozinha possa engravidar (57 por cento)”. Nas respostas à pergunta “no máximo, quanto estaria disposto a pagar” por um tratamento, 58 por cento afi rmaram que pagariam mais do que a média de quatro mil euros e 7,2 referiram: “O que fosse preciso”. O que é facto é que 93 por cento entendem que o SNS deveria ajudar a pagar a factura. Outra das conclusões do projecto Afrodite é que cerca de um terço das portuguesas inférteis desconhece o motivo da sua
infertilidade.
Finalmente, olhando para o mapa de centros de Procriação Medicamente Assistida, há uma lacuna que salta à vista: contra os nove centros do Norte, quatro na Região Centro e entre dez e 11 em Lisboa e Vale do Tejo, a Região Sul (Alentejo e Algarve) não tem nenhum. Os autores do trabalho recomendam que se preencha este vazio e que se amplie a capacidade dos centros existentes.

 

 

 

Associação Portuguesa de Fertilidade

 


 

 

 

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