9% dos casais portugueses são inférteis

Expresso

26/11/2009

O primeiro estudo epidemiológico sobre infertilidade em Portugal concluiu que 260 a 290 mil casais não conseguem ter filhos, embora mais de 100 mil possam ter solução através de tratamento médico.

João Luís Silva Carvalho, professor da Faculdade de Medicina do Porto (FMUP) e autor do estudo AFRODITE, atribui maioritariamente o aumento da infertilidade nas mulheres portugueses ao adiamento da maternidade "por razões" económicas. 

O estudo apresentado hoje, na Ordem dos Médicos, no Porto, revela ainda que um terço das mulheres desconhece os motivos porque não engravida, atribuindo o problema a questões hormonais (48%) ou a alterações de ovulação (41%), muitas vezes um falso problema.

Segundo o autor da investigação, embora os portugueses reconheçam que a infertilidade é uma doença que a medicina pode ajudar a superar (71%), menos de metade das mulheres com este problema recorreram a uma consulta médica para o solucionar.

Entre os casais que comprovadamente sofrem de infertilidade, 61% admitem, contudo, já ter recorrido a ajuda clínica, sendo a procura de serviços públicos e privados equivalentes. 

Maioria é favorável a doação de esperma e óvulos 

Apesar de 84% dos inquiridos afirmarem saber o que é a infertilidade, quando interrogados sobre questões específicas (o que é um espermatozóide ou um óvulo?) o nível de conhecimento é diminuto.

Curioso é o facto de boa parte das pessoas ainda associarem os problemas de fertilidade a situações não relacionadas com a doença, como à vontade de Deus (39%) ou ao destino (31%).

52% dos entrevistados entendem ainda que o uso prolongado dos contraceptivos orais provoca infertilidade e 9% acredta até que o problema pode resultar do uso frequente do preservativo. "Há muita falta de informação, daí ser últil que, a par da educação sexual nas escolas, os alunos fossem também alertados para a questão da infertilidade", refere Silva Carvalho.

Agradavelmente surpreendido ficou o coordenador da investigação com a abertura dos portugueses em relação à doação de espermaozóides (68%) e óvulos (63%), "mas não com a destruição de embriões sobranteas de tratamentos".

A esmagadora maioria dos portugueses defende, por último, que o Sistema nacional de Saúde devia pagar (51%) ou comparticipar (43%) os tratamentos da gravidez clinicamente assistida.

A amostra do estudo AFRODITE foi constituída por mulheres 1638 e 601 homens, com idades compreendidas entre os 20 e os 69 anos, de todas as regiões do país.   

 

 

 

Associação Portuguesa de Fertilidade

 


 

 

 

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